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Montepio
Histórias do azeite
Gourmet
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04/04/11, 11:56
Por Vicente Themudo de Castro

Até há uma boa de dezena de anos, o simples acto de esticarmos o braço para pegar no galheteiro e retirarmos a garrafa de azeite para temperar o nosso prato era quase instintivo.

Um curto comando cerebral que se reflectia num movimento e num posterior aumento gustativo vegetal no prato. Agora, como no vinho, todos somos eruditos e questionamos antes de nos servir: "Qual é a acidez deste azeite?" "É virgem, ultravirgem ou muito refinado?" A origem da oliveira, segundo alguns cientistas, remonta à Era Terciária, mas a primeira aplicação que se conhece foi há mais de 6000 anos, quando então os guerreiros da Mesopotâmia se untavam para se proteger do frio. De acordo com a Bíblia e alguns achados arqueológicos, as oliveiras já eram cultivadas em solo fértil desde o século xxx a. C. Mas foi apenas no século vii a. C. que os gregos e os romanos começaram a utilizar este produto na sua dieta. Agora é tão comum que é impensável entrar numa cozinha sem uma garrafa de azeite. Benéfico para a saúde, visto que reduz o risco de enfarte ou AVC - a sua grande quantidade de gordura monoinsaturada pode reduzir o mau colesterol (LDL), tornou--se o melhor aliado na cozinha. Na realidade, há alguns factores que são importantes na escolha do azeite, um dos principais é a acidez - quanto menor, provavelmente melhor é. A luz é um dos piores inimigos: o contacto com esta acelera o processo de oxidação, logo a deterioração do mesmo. O calor também não ajuda: evite os locais quentes, mas não guarde no frigorífico. Tenha também atenção aos períodos de validade, pois dificilmente podem durar mais do que um ano após a produção. E, por último, é o ar. Recentemente, várias marcas introduziram os bicos doseadores, que são proporcionalmente negativos ao efeito prático, pois estes aceleram muito a oxidação. Digamos que a garrafa ou embalagem ideal seria de vidro escuro temperado, ou mesmo tapado, ou uma embalagem de alumínio totalmente opaca, e o néctar teria de ter baixa acidez e ser bastante aromático para facilitar a sua vida. Aqui vão algumas sugestões de alguns dos melhores azeites que poderá encontrar no mercado:

  • Acushla - É um azeite biológico certificado, extravirgem, DOP, com uma acidez inferior a 0,1%, produzido pela Quinta do Prado em Vila Flor no Douro. Além da sua imagem contemporânea e bonita, a embalagem foi desenhada e criada pensando nas questões ambientais, sendo totalmente reciclável. Quanto às propriedades do produto, em copo próprio apresenta-se amarelo esverdeado, com aromas e sabores frutados, tendo uma longa persistência final com notas apimentadas. (€9,90 - 500 ml). www.acushla.pt
  • CARM - Tem uma gama muito extensa, desde a selecção CARM, Quinta do Bispado, do Côa, da Calábria e das Marvalhas, todos com processos muito parecidos, no entanto de olivais distintos, de azeitonas de variedades diferentes, havendo espaço para cada um ter a sua identidade, mas a qualidade é comum a todas. O Premium das Madural e Verdeal é talvez o mais expressivo, com aromas fortes e apaixonantes e, apesar de uma acidez de 0,1%, é bastante saboroso e encorpado na boca. (€6,40 - 500 ml). www.carm.pt
  • Gallo Azeite Novo - Extraído a frio, de azeitonas que são colhidas entre os meses de Outubro a Dezembro, é o mais requintado de toda a gama Gallo. O formato é tipicamente igual a quase todas as garrafas do mercado, mas esta tem a particularidade de ter um revestimento dourado que, não só protege da oxidação, como lhe confere um design distinto. Já recebeu o primeiro prémio Mário Solinas, sendo considerado o melhor azeite do mundo. Muito frutado, intenso e ligeiramente picante. (€4,50 - 500 ml). www.gallo.pt
  • Oliveira Ramos Premium - Produzido das azeitonas Galega, Cobrançosa e Picual, tem uma identidade muito própria e complexa. A sua extracção e a conservação bastante técnica e cuidada permitem uma boa armazenagem de aromas e sabores, resultando num azeite fresco e elegante, muito frutado, no entanto a revelar outros frutos como maçã, amêndoas e frutos secos. É ligeiramente picante, mas de forma graciosa e interessante. Não há uma ciência para a utilização desde azeite, mas serve para temperar, cozinhar e guarnecer. Muito boa proposta da João Portugal Ramos (€8,90 - 500 ml). www.jportugalramos.com
  • Quinta do Vale Meão - Curiosamente, o nome já está bem conotado, pois o vinho é considerado um dos melhores de Portugal, o que pouca gente sabe é que o azeite também é excelente. Azeitonas de Trás-os-Montes de um olival que foi plantado pela Dona Antónia Adelaide Ferreira, é produzido em modo de agricultura biológica e atinge a acidez máxima de 0,2%. Bom aroma herbáceo e fruta, ligeiramente especiado na boca. É mesmo uma agradável surpresa. (€11,50 - 500 ml). www.quintadovalemeao.pt

 

 

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