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Taverna dos Conjurados – Vila Viçosa : Junta-se o ser alentejano à vontade de comer...
Gourmet
05/03/10, 10:49
Por Paula Oliveira Silva - Em parceria com Lifecooler

"Os portugueses hão-de ser livres, quer queiram quer não."
A célebre frase terá sido dita por D. Pedro, o Libertador, aquando do desembarque no Mindelo dando então início à guerra civil contra o absolutismo. No entanto, poderia ter sido dita por um dos 40 homens que fizeram parte do grupo nacionalista português nascido clandestinamente durante o domínio filipino e que ficou conhecido como os Conjurados. O que queriam estes homens? Restituir a coroa portuguesa. E o que pretendemos nós com esta introdução? Explicar o nome do restaurante que visitámos na nobre Vila Viçosa, localidade que chegou a ser sede da Casa de Bragança.
Os do outro lado da fronteira não levam a mal a denominação e os clientes de outras nacionalidades que aqui chegam mostrando apenas um cartão da casa também gostam de saber o porquê.
Reza a história que...
A Taverna dos Conjurados não foi local de conspiração pela simples razão do restaurante ser já do século XXI. Mas bem poderia ter sido pois estas paredes pertencentes ao Solar de Tomé de Sousa têm quinhentos anos de história e há três gerações que estão na posse da família dos actuais proprietários.        
 As abóbadas à vista e as paredes de xisto e mármore bravo contribuem para a intimidade e história do local. Este enquadramento chegou, porém, a albergar uma cavalariça e no antigamente foi mesmo um local onde repousavam as talhas da casa ao lado que era uma adega, agora uma Loja da Tradição com produtos alentejanos. E das traseiras da casa vem a "lenda", que está escrita por um padre da vila, e que conta que ali houve conjúrio. Verdade ou tradição...
E como não são só os conjurados que fazem história, no jardim onde está situado o restaurante foi erguida uma estátua da calipolense (como se chamam os de Vila Viçosa) Públia Hortênsia de Castro (1548-1595), monumento que a contemporaneidade lhe erigiu. Uma douta senhora que, apesar de as leis do seu tempo vedarem o ensino universitário às mulheres, conseguiu vencer essa restrição.
A Taverna dos Conjurados fica também na vizinhança do Paço Ducal, monumento que aliás deverá visitar antes ou depois do repasto. Uma preciosa oportunidade para passar em revista os teres e haveres deste museu, antigo palácio de férias e de caça dos últimos reis de Portugal.
Lembram-se os mais velhos de terem ouvido de seus pais e avós, que era comum ver D. Carlos passear pelas ruas da terra seguindo o rastilho do cheiro a comida caseira. Dizem que, sem qualquer tipo de embaraço ou mania, o monarca comia com as gentes do povo.       
 Ora, é precisamente de um sítio - embora sendo restaurante, bem poderia ser uma casa particular - que vos falamos. A humildade dos proprietários leva-os a definirem a Taverna dos Conjurados como um local de "comida corrente e familiar" com receitas de família e com pratos de servir por casa mas a pensar em apetites nobres e exigentes.
Para bom entendedor, uma cozinha caseira basta
Os pratos de caça têm, nesta casa, especial destaque. Mesmo quando o calendário ainda está longe dessa data, é possível provar o patê de veado acompanhado de frutos silvestres com que pode iniciar a refeição.
O Queijo de leite de ovelha gratinado em azeite virgem extra com orégãos, as Gambas à Conjurados e a Mostra de enchidos de carne de porco preto do montado dão óptimos inícios de refeição.
As sopas não são de somenos importância na casa alentejana e como tal, nas devidas alturas aqui encontra quatro opções, de entre elas a de tomate e açorda. Cozinha esta onde os coentros, os poejos e a hortelã se adicionam ao cação, ao borrego e ao porco preto. As migas vêm juntar-se a estes dois últimos ingredientes, um prato obrigatório em alturas de matança.
As costeletas de borreguinho alentejano, os "Coelhos" (lombinhos) de porco preto do montado com migas de espargos silvestres ou as Migas com carne do alguidar desculpam o pontapé dado à dieta. Quanto ao peixe, o Bacalhau do Duque de Bragança é sempre muito cobiçado, bem como o Caril de Gambas.
  Não há refeição na Taverna dos Conjurados que não deva passar pelas sobremesas. Os ovos, as amêndoas e a gila conjugam-se com a mestria do Real Convento das Chagas ao lado do Paço Ducal, de onde foram inspiradas muitas receitas.
Não estranha se lhe falarmos da tradicional sericá nem da tiborna de Vila Viçosa, mas sabe qual é o ingrediente surpresa do doce manjar dos Conjurados? Não é a amêndoa nem o chá preto, são as raspas de coelho assado na brasa que lhe transmitem um certo sabor a ervas do campo.
A carta de vinhos, curta, está assente nos néctares do concelho e redondezas (essencialmente Borba e Reguengos de Monsaraz) e organizada pelo produtor, castas e colheita. As garrafas são abertas na própria mesa, o que só prova a honestidade, e é até possível beber-se uma reserva a copo.  Às vezes a fórmula do sucesso é muito simples. Complicado deve ser acertar nela... 

 

Detalhes

Restaurante Taverna dos Conjurados
Largo 25 de Abril, 12
7160-255  VILA VIÇOSA
Tel.: 268 989 530

 

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