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Montepio
De Hummer pela Serra da Estrela em grande estilo e potência
Lazer
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16/01/12, 12:55
Em parceria com Lifecooler

A bordo de um Hummer H2, a serra da Estrela até lhe parece outra. Dê descanso ao seu carro e reveja os locais mais emblemáticos desta região.
À primeira vista, estranha-se. Não é todos os dias que vê passar um todo-o-terreno como este. Mas, aquilo que ao princípio se estranhou, cedo se entranha e, assim que puser a memória cinematográfica a funcionar, vai aperceber-se de que está diante de uma estrela de filmes e séries norte-americanos. Com os óculos escuros postos, saímos à descoberta das belezas naturais únicas, que só a serra da Estrela pode oferecer.
Com partida do Hotel dos Carqueijais (mas também poderia ser dos Chalés de Montanha ou do Hotel Serra da Estrela), o primeiro motivo de interesse é-nos dado por uma placa à beira da estrada que indica a Pedra do Urso. Os geólogos baptizaram as rochas com nomes difíceis, mas os pastores deram-lhes alcunhas imaginativas.
Nas Penhas da Saúde, nome que faz justiça à qualidade do ar que aqui se respira, fica o primeiro casario que vamos encontrar. O passeio também poderá começar aqui, caso o hotel escolhido para a sua estadia seja o Serra da Estrela.
A EN 339 é uma das vias estruturantes deste passeio. Em Piornos, no entanto, vamos trocá-la pela 338 e seguir com destino a Manteigas. Aproveitamos o desvio para fazer a primeira paragem junto ao miradouro que se debruça sobra a Nave de Santo António, um milenar vale glaciar onde, há 20 000 anos, não havia nada para além de gelo.
Pela estrada fora...
A descer, todos os santos ajudam e, na serra, ainda ajudam mais. Eis que, no meio do nevoeiro, que não deixa o sol respirar, surge sorrateira, em plena estrada, uma vaca. Carlos Trindade, da Turistrela, que tem por sorte e missão conduzir o Hummer, esclarece que é comum encontrarmos estes bovinos a lamber o alcatrão, atraídos pelo sal colocado nas estradas para derreter a neve.
Refeitos do susto, a próxima paragem é voluntária e a ideia é visitarmos o Covão da Ametade, um cenário mágico, onde encontra bancos corridos e mesas de madeira a convidar ao piquenique nos meses mais quentes. Uma antiga lagoa de origem glaciar originou esta pequena planície onde corre, ainda infantil, o Zêzere. Concentre-se nesta beleza natural e esqueça, por momentos, o facto de as casas de banho se encontrarem encerradas e as churrasqueiras estarem cheias de lixo.
De regresso ao Hummer, é a vez de percorrermos, por uma estrada paralela, o Vale Glaciar do Zêzere, com o seu característico recorte em U, a unir as Penhas da Saúde a Manteigas. Pelo caminho, vai encontrar a Fonte Paulo Martins, onde a água fria cai em cachoeira para duas bicas. Se não tiver sede, não precisa parar.
Aproveitando as águas cristalinas e bravas que brotam da serra, em Manteigas foi instalado um viveiro de trutas, onde um simples anzol tem a capacidade de oferecer um fino repasto. Se quiser, pode literalmente pescar uma e levar para casa, mediante pagamento, claro. Um parque de merendas e um centro de interpretação estão também na mesma zona e, um pouco mais acima, fica um canil da raça Serra da Estrela.
Passamos pela vila de Manteigas sem parar, e, agora que voltamos a subir a serra, é uma boa altura para testarmos as habilidades do Hummer.
Deus ex machina
Com capacidade para seis pessoas (incluindo o motorista), os números do Hummer H2 impressionam: 6000 de cilindrada que debitam 380 cavalos. O caminho é sempre por estrada, mas aquando das subidas, não é difícil apercebermo-nos da estabilidade deste todo-o-terreno, mesmo a fazer as curvas e com o "roncar" do motor, música para os ouvidos de alguns passageiros.
Entre os testes feitos à "máquina", num pulinho, encontramo-nos nas Penhas Douradas, com vistas privilegiadas para Manteigas e para o Vale Glaciar do Zêzere. O local onde o Mondego dá os primeiros passos, a 1425 metros de altitude, é o próximo destino. "Delgadas, claras águas do Mondego", escreveu Camões acerca deste curso de água 100% português que, após um longo caminho de 227 quilómetros, desagua na Figueira da Foz.
Para dar descanso ao Hummer e ao corpo, pare no Vale do Rossim, junto à lagoa, e abrigue-se, se for caso disso, numa esplanada aquecida junto às margens para tomar um café.
De novo já na estrada a caminho do Sabugueiro, por locais onde a vegetação rareia e as cicatrizes dos fogos sucessivos demorarão ainda alguns anos a sarar, rebanhos pastam lazarentos, indiferentes ao frio. São eles que dão carne e leite para a alimentação e lã para o vestuário e tecelagem.
No tecto de Portugal
A aldeia habitada mais alta de Portugal (1100 metros de altitude), o Sabugueiro, formou-se a partir de um aglomerado de cabanas de pastores, que para aqui traziam as suas ovelhas e cabras. Actualmente, é um dos locais mais visitados da serra, com lojas e restaurantes que acolhem os turistas.
Sucessivas lagoas vão surgindo na paisagem, sendo a Lagoa Comprida, de origem glaciar, o maior reservatório de água de toda a serra. Vá atento ao caminho, porque não é raro fazer o percurso na companhia de aves de sobrevivência quase heróica, como a águia que aqui habita.
Como diz um provérbio quioco: "As águias voam alto, mas têm de se baixar para comer." Aproveite a altura em que lhes dá a fome para guardar uma imagem para a posteridade.
Poucos minutos nos separam da estância de esqui, que já está coberta de branco e abriu oficialmente as portas no primeiro de Dezembro.
A 1993 metros de altitude, na Torre, é obrigatória a paragem. No tecto de Portugal continental, foi colocada uma torre de sete metros para completar os 2000 metros de altitude. Dizem que, se o bom tempo ajudar, deste planalto central, onde se registam as temperaturas mais baixas de Portugal, se avista o mar na zona da Figueira da Foz.
Refugie-se depois no interior aquecido das lojas, onde pode fazer compras à base de produtos regionais como o famoso queijo da serra, o mel, o pão ou os lanifícios. Não esqueça o Centro de Interpretação Ambiental da Torre, onde encontra informação útil sobre a fauna e flora daquela que é a maior área protegida portuguesa.
Novamente na estrada, um último motivo de interesse fica situado no Covão do Boi. Trata-se de uma imagem da Senhora da Boa Estrela, padroeira dos pastores, esculpida na rocha. Com mais de sete metros de altura, esta escultura, terminada em 1946, foi feita por António Duarte, seguindo uma ideia do pároco local. Abençoados pela santa, verdade seja dita que este passeio correu sobre rodas. Foram cerca de duas horas e várias de dezenas de quilómetros percorridos. Para o ano há mais.
Nota: Passeio de Hummer e uma noite de alojamento nos hotéis Turistrela (Hotel dos Carqueijias e Hotel Serra da Estrela) com pequeno-almoço, tem um preço de 125€ por pessoa, na época alta.
 
Detalhes
Hotel dos Carqueijais
Telefone: 275319120
Hotel Serra da Estrela
Telefone: 275310300
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