Casas com histórias para contar Moda Tendências 11/02/10, 10:55Por Sara Raquel Silva Fotos Paulo Castanheira/AFFP - Em parceria com Gingko Reduzir, reutilizar, reciclar. Porque não praticar esta máxima ambientalista na decoração da sua casa? Evita o consumo de novas matérias-primas e consegue ambientes requintados com o charme dos objectos e móveis antigos. "Deitar fora é sempre mais fácil", afirma Isabel de Santiago, coordenadora da comunicação e divulgação da cultura científica do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. "Mas o importante na vida é recriar e colocar amor em tudo o que fazemos". Talvez seja esta a máxima que motiva Isabel a nunca se deixar seduzir por opções facilitistas. Em Lisboa, em pleno bairro da Estrela, transformou um antigo cabeleireiro na sua primeira habitação; no Alentejo comprou e recuperou uma escola primária desactivada, onde passa os fins-de-semana. Em ambos os imóveis encontrou e concedeu vida a peças condenadas ao contentor do lixo: cadeiras velhas ganharam novos estofos, pias de mármore transformaram-se em suporte de revistas, velhos secadores de cabelo - devidamente recuperados e cromados - conquistaram o estatuto de peças de decoração e salamandras avariadas transformaram-se em garrafeiras. Aproveitou antigas mobílias de família, decorou as paredes com algumas das suas pinturas e acrescentou velharias e antiguidades que recolhe sobretudo nos Emaús e, sempre que possível, recupera pessoalmente. O limite é apenas um: o da imaginação. "Todos temos uma veia artística, só que nem sempre a desenvolvemos", defende. "E, apesar de ficar mais dispendioso, gosto de casas e objectos que tenham uma história para contar". Mónica Gonçalves também não abdica de levar para casa apenas objectos que lhe são especiais. "Não me interessa se são novos, ou antigos ou a sua proveniência; não sou de ideias pré-concebidas". O louceiro que era da sua avó e que transformou em sapateira confirma-o. "Era importante para mim ficar com este móvel, mas se o usasse para expor louça não se enquadraria no tipo de decoração da minha casa, mais contemporânea", explica. "E como adoro sapatos, foi um tirinho até decidir colocá-los no louceiro em exposição". O efeito é, no mínimo, original. Reciclar é preciso Isabel de Santiago e Mónica Gonçalves reutilizaram objectos supostamente no final de vida, mais por razões estéticas e afectivas do que ambientalistas. Mas a atitude de ambas contribuiu para a diminuição dos mais de 5 milhões de toneladas de resíduos urbanos produzidos em Portugal Continental anualmente, segundo dados de 2006 da APA - Agência Portuguesa de Ambiente. "É necessário reduzir o consumo, reutilizar e reciclar", alerta Pedro Carteiro, da Quercus. "E, para tal, defendemos que se melhore a qualidade dos móveis e outros artigos de decoração, que são cada vez mais baratos, mas que se transformam em resíduos muito cedo". A decoradora Conceição Vasco Costa partilha desta opinião. "Na minha loja os materiais são sempre de qualidade, mas com preços diversos para se tornarem acessíveis a todas as bolsas", declara. "E nada é deitado fora, tanto por razões ecológicas como económicas; o que se torna um mono por ter passado de moda, eu transformo e actualizo". Pinta, acrescenta rendas, vernizes... De início era a necessidade que aguçava o engenho a Conceição. Na Faculdade de Belas-Artes, em Lisboa, aproveitava os tubos de cartão do papel higiénico para montar estruturas modulares ou sobras de serralharia para compor quadros. Em casa seguia o mesmo princípio de reciclagem e reutilização. Acabada de casar e ainda com poucos recursos - "mas inconformada por natureza" - criou a primeira mesa de sala com latas de leite Nido pintadas de preto e tampo em fórmica preta, rematada por uma faixa fina de metal cromado. Montou estantes com simples tábuas e tijolos pintados e desenvolveu pontos de iluminação a partir de latas furadas. Na sua opinião, "a falta de dinheiro não pode ser usada como desculpa para a ausência de estilo". O conforto económico, por outro lado, também parece não ter apagado a irreverência desta decoradora que salvou do lixo - em traje de gala, porque se dirigia para uma festa - meia-dúzia de cadeiras dos anos 70, cromadas e com estofos em pele. "Às vezes estas peças servem apenas como fonte de inspiração, porque se encontram deterioradas; outras são perfeitamente utilizáveis", garante. Um exemplo: os cortinados em excelente estado de conservação, do conceituado designer de papel de parede e tecidos William Morris (1834-1896), que também recolheu de um contentor. "Para estas coisas não há que haver vergonha", afirma com desembaraço. "Em Portugal é que ainda estamos muito limitados..." Lixo com muito estilo Na cidade francesa de Lille é comum os cidadãos colocarem à porta de casa objectos que já não desejam. E quem é que faz a recolha? Mais do que a população carenciada, jovens estudantes, criativos, e profissionais ligados às artes plásticas que aí encontram não só preciosidades, mas também matéria--prima a custo zero com que dar largas à imaginação e criar ambientes irreverentes. Até porque o vintage está na moda. Nalgumas cidades holandesas são os próprios proprietários que pagam a recolha dos seus electrodomésticos e móveis velhos aos interessados. Por cá, este tipo de consciência cívica e ecológica ainda está a dar os primeiros passos. Mas já existem redes de partilha na Internet de que é exemplo a www.freecycle.org. Trata-se de um grupo aberto a todos os que queiram, em vez de deitar fora seja uma velha cadeira, um aparelho de fax ou um piano, anunciar online o objecto a dispensar - a regra é inquebrável - gratuitamente. Este tipo de serviço ainda não entrou no quotidiano dos portugueses. Os apaixonados por mobiliário de linhas antigas e madeiras nobres acabam muitas vezes por encontrar os modelos que lhes enchem as medidas no caixote do lixo ou no que resta de demolições de casas antigas. É o caso de Francisco Sousa Reis, advogado. "Os meus amigos chamam-me sucateiro", graceja. "Mas eu é que não entendo as pessoas que, em vez de recuperarem móveis de qualidade, desperdiçam dinheiro em peças de qualidade inferior e das quais vão ter de desfazer-se em meia dúzia de anos". No escritório de Francisco apenas o computador parece ter nascido no século XXI. Alguns dos sofás foram encontrados na rua e estofados pessoalmente. Parte das secretárias pertencia à família, outras foram encontradas na rua, abandonadas após demolições. Alguns armários dos anos 50 do século passado são provenientes de fábricas de mobiliário entretanto falidas, assim como uma mesa de apoio, ex-mesa de jogo. "A pessoa que ma vendeu ainda gozou comigo porque não tinha lareira em casa; na sua opinião já só servia para queimar", recorda. A casa é antiga e as cicatrizes são para manter - têm o seu charme. Os desenhos dos antepassados da mulher, as cómodas de família, os candeeiros vintage constroem uma atmosfera única. "São reflexo e fazem parte do meu tesouro: a História". www.gingko.pt ![]() ![]() ![]() 06/10/11, 09:56 Moda Lisboa é transfusionAno após ano, semestre após semestre, dividem-se as colecções e juntam-se estações (Primavera ao Verão e o Outono ao Inverno) e lançam-se tendências.06/09/11, 10:21 Vogue Fashion’s Night Out: Lisboa vai estar na ModaLisboa vai transformar-se, durante quatro dias, numa das 20 capitais da Moda Internacional, para a segunda edição do Vogue Fashion's Night Out.24/03/11, 10:37 “IMAGINE”é o tema do 28.º Portugal Fashion"Imaginação ao poder" proclamaram os estudantes em Maio de 1968.09/03/11, 10:59 ModaLisboa arranca amanhã com muito "LOVE""LOVE" é o mote para os 20 anos da ModaLisboa, que amanhã arranca a sua 36ª edição, no Pátio da Galé, no Terreiro do Paço, e no MUDE - Museu do design e da |