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Lisbon Fashion Week
Moda Tendências
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13/10/09, 10:38
Por Carolina de Almeida/OJE

A 33ª edição da ModaLisboa cumpriu-se com a "fashion force" que lhe deu mote. Foram quatro dias a respirar uma atmosfera inspiradora, criativa e completamente veranista, pelas propostas dos criadores e pelo tempo quente que brindou o fim-de-semana.
Os fechos, os drapeados e as transparências foram algumas dos elementos constantes nas propostas dos criadores nacionais para a temporada Primavera/Verão 2010 apresentadas na ModaLisboa | Estoril que decorreu de 8 a 11 de Outubro. As mini-saias ou vestidos curtos, a cor nude e as peças fluidas também foram recorrentes na passerelle.
Na plataforma LAB, colecções conceptuais criadas pelo sangue novo da moda portuguesa surpreenderam pelas originais interpretações de moda e utilização de novas metodologias. 
Os habitués
A festa da moda Fashion Force'33 na Cidadela de Cascais foi inaugurada com o desfile da dupla Alves/ Gonçalves, com uma colecção colorida baseada em técnicas clássicas de drapeados e na conjugação de elementos mais modernistas como o silicone.
Seguiu-se a apresentação de Ricardo Preto, que se inspirou na força e audácia dos tigres para vestir uma mulher "segura do seu fascínio". Esta bravura felina traduziu-se em silhuetas cigarrette, minimalistas e fluidas, coloridas pelo amarelo açafrão, azul Klein, cinza azulado, tijolo, vermelho e bege.
África esteve em destaque em alguns desfiles, nomeadamente o de Filipe Faísca. Sob o tema GEOgraphic, propôs uma fusão e reinterpretação de culturas com silhuetas oversized.
O segundo dia arrancou com uma mancha criativa vermelha, trazida pela mão de Alexandra Moura, que apresentou uma continuação do conceito da sua colecção de Inverno 09. José António Tenente fechou o dia 9 com um ambiente sofisticado do final dos anos 70. Brilhos com metal e lurex, associados a cores vibrantes e quentes como escarlate, fuchsia e violeta iluminaram uma colecção funky e de festa. 
A temperatura foi subindo durante o fim-de-semana com mais propostas surpreendentes. Katty Xiomara deslumbrou com uma colecção altamente feminina. Através da analogia entre uma flor e a mulher, apresentou peças que comunicam delicadeza, elegância e romantismo.
O aroma das flores foi substituído pelo movimento ondulante das medusas no mar com o desfile de Luís Buchinho, em tons de azuis, malva, branco e preto, rosa fluór e laranja.
África surge entretanto mais uma vez em destaque com "Morabeza", de Nuno Baltazar, numa alusão à viagem que o criador fez recentemente a Cabo Verde. Da mistura de looks europeus e africanos nasceram conjuntos contrastantes, mas harmoniosos: solto/ justo, couture/estampado, curto/longo, em silhuetas  irregulares.
O nome sonante de Ana Salazar surgiu no ecrã da passerelle a fechar o terceiro dia da Lisbon Fashion Week, com uma colecção bastante etérea composta de silhuetas leves e fluidas.
No último dia do Fashion Force'33, a força da moda continuou embrenhada nos poros da Cidadela. O calor que se fazia sentir duplicou com o desfile "40 Graus à Sombra", de Pedro Pedro. Uma colecção inspirada nos anos 90, no fotógrafo Irving Penn, em Linda Evangelista e Stephanie Seymour.
A tarde prosseguiu com as criações para Homem de Nuno Gama, numa colecção inspirada "em todos os homens que são apaixonados por Lisboa", como disse ao OJE. L'Homme de Lisbonne é sobre um homem "que tem Lisboa no coração", podendo ser "norueguês, finlandês, alemão, italiano...". Quando lhe perguntamos do que gosta mais na capital, Nuno Gama responde, peremptório: "Tudo! O ser Lisboa, a diferença, a geografia, as pessoas, a comida, o coentro, o manjerico, o Santo António...". Uma colecção dedicada a um homem "totalmente cosmopolita e internacional", resume.
O colorido carisma das paixões por Lisboa deram, entretanto, lugar aos tons nude, bege e soft pinks das propostas de Aleksandar Protic, que se inspirou numa peça de dança da coreógrafa portuguesa Tânia Carvalho.
O pico da criatividade foi atingido com o desfile de Dino Alves, sob o tema "Protect Yourself as a Treasure". Uma colecção onde as manequins surgiram protegidas com uma espécie de capacete dourado e acessórios oversized.
Com Ricardo Dourado, a viagem foi até aos anos 90 através de algumas figuras da cena grunge com que o criador se identificava na altura. Marcaram presença as peças oversized, boyfriend jackets, calças, calções e blasers estruturados.
O ciclo da ModaLisboa | Estoril encerrou com os "Reflexos" de Miguel Vieira. Mais uma vez África foi musa de inspiração - a magia da luz do nascer e pôr-do-sol - juntamente com o exotismo e beleza dos nobres brilhos do Oriente.
LABoratório
Na passerelle paralela - LAB - os holofotes não foram menos intensos e a criatividade esteve ao rubro com White Tent, Vítor, aforestdesign e Lara Torres.
A dupla White Tent criou os seus próprios botões utilizando materiais como o cabedal, o nylon e o plástico, jogando com a função e escala. Vítor, que integrou pela primeira vez a plataforma LAB, apresentou uma colecção unissexo que convidou à reflexão sobre os confrontos ocorridos na Grécia, em Dezembro de 2008. Baseada em histórias provenientes de contos folclóricos e de mitologias, que usam o lobo como símbolo dos perigos, aforestdesign apresentou uma colecção muito visual e gráfica que evoca o culto do lobo. Lara Torres propôs "uma série de peças desenvolvidas em conjunto com a artista Ana Santos". A ideia foi traduzir uma definição de lugar enquanto forma de vestir ou enquanto arte de se vestir.
As marcas
Além dos criadores nacionais, marcaram presença na Fashion Force'33 as marcas TM Collection, Cia. Marítima, adidas Originals e Hello Kitty.
A TM Collection, presente pela primeira vez na ModaLisboa, marcou a diferença com um desfile com música e dança ao vivo, transportando a plateia directamente para África. Foi, assim, fácil entrar dentro do tema da colecção que Teresa Martins criou: "Spirits Speak".

Adeus Cascais
A despedida da Lisbon Fashion Week fez-se sem lágrimas, mas com alguma emoção.
Eduarda Abbondanza, directora da Associação ModaLisboa, encara com tranquilidade este momento que não é mais do que o fim de um ciclo. "Sinto-me absolutamente tranquila. A minha angústia foi até Julho", conta ao OJE, porque até aí "estava dividida entre dois amores". Mas "de repente, tudo se fez claro: porquê escolher um sítio se podemos ficar nos dois numa óptica complementar?", questionou-se. E assim nasce a ideia "de um projecto estruturante para Cascais", o Estoril Fashion Festival.  Mas regressar a Lisboa era "inevitável", diz.
"Porque é reencontrar a cidade". E é já em Março de 2010!
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