"LOVE" é o mote para os 20 anos da ModaLisboa, que amanhã arranca a sua 36ª edição, no Pátio da Galé, no Terreiro do Paço, e no MUDE - Museu do design e da Moda, na Rua Augusta, em Lisboa.
Até dia 13 de Março, as propostas de 23 designers para o Inverno 2012 estarão nas passarelles.
Ricardo Preto dá o "pontapé de saída" às 19 horas com a sua colecção urbana, descomplicada e confortável, em que os jardins, monumentos, música, luz, cheiros,... revelam uma linha sóbria e ao mesmo tempo colorida, com bastante detalhe no corte, riqueza nos tecidos e em todos os complementos, representando um bonito jardim de Inverno com surpresas, tanto de coloridos, como de monocromáticos.
O contraste dos tufados com linhas extremamente direitas e minimais relembra por vezes as silhuetas da Idade Média, adaptadas ao século XXI, numa colecção onde predominam o branco, os azuis, os verdes, os encarnados, o castanho e o preto.
Os tecidos utilizados são a seda, a lã, a caxemira, os marroquins e as fazendas.
A comemorar 20 anos de existência, muito em prol da Indústria da Moda nacional, a ModaLisboa foi a primeira Semana da Moda a nascer, depois das grandes capitais de estilo como Paris, Milão, Nova Iorque e Londres.
"Sempre acreditámos que a Moda deveria fazer parte de uma cidade e de um país, e que o seu desenvolvimento é um acto profundo de democracia", sublinha a directora da Moda Lisboa, Eduarda Abbondanza, recordando que o evento há 20 anos traz no peito o talento dos Designers de Moda portugueses, que nela cresceram e fizeram escola.
Ainda no primeiro dia da ModaLisboa destaque para os desfiles de Pedro Pedro, às 20 horas, com uma colecção de Inverno que propõe uma mulher andrógina, forte e independente, sem esquecer, ainda assim, o seu lado mais delicado e vulnerável. "Ambiguous Rules" dá o mote a esta colecção em que a riqueza dos materiais, como lãs, cupros, veludos e pele, joga em oposição com o minimalismo das peças, contribuindo para um look despojado onde prevalece a silhueta longilínea.
Em contraponto, peças largas e descontraídas dão origem a looks mais masculinos. Do castanho ao rosa velho e apontamentos gráficos e formais em azul, verde, preto e branco é o que veremos na colecção de Pedro Pedro.
A finalizar os desfiles do primeiro dia estará ainda, pelas 22 horas, a dupla de criadores Manuel Alves e José Manuel Gonçalves, com a sua já habitual inovação, rigor, qualidade e humor que caracterizam as colecções de pronto-a-vestir ou demi-couture.
A ModaLisboa abre no MUDE, no sábado, 12 de Março, com as apresentações de aforestdesign, de Sara Lamúrias, do designer de jóias Valentim Quaresma, e de Lara Torres, que apresenta o seu mais recente projecto de pesquisa em Moda: "na impossible wardrobe for the invisible". No domingo é a vez da estreia de Os Burgueses, a dupla Eleutério & Mia, que desde 2009 criam estórias urbanas sobre temas da ópera, acrescentando-lhes design, modernidade e candura. Ainda no mesmo dia, no MUDE, a passarelle abre com o trabalho LAB: Vítor e a sua colecção inspirada na beleza distintiva das comunidades albina e chinesa na Tanzânia.
O dia 13 de Março encerra com Nuno Gama a destilar testosterona, cruzando o clássico fardado com a leveza desportiva, numa colecção a que lhe dá o nome de "Testoscracia". O designer explica: "TestosCratas, são os novos ditadores cosmopolitas, que fazem do elitismo anatómico o pilar da filosofia da sua sociedade. Cruzamento cultural de proclamada testosterona, como novos códigos de comportamento, destes Vencedores. À garupa destes Centauros Urbanos, assistimos fascinados por esta inebriante hormona masculina à chegada destes atletas de alta competição, que exibem gloriosos corpos, revelados por entre conjugações multidisciplinares. A confirmada elegância do clássico e feito à mão; detalhes confortáveis do relax e Sport; apontamentos másculos do Regimental e Equestre, culminando sem qualquer pudor num "q.b." saudável do códigosLeather."
É do encontro desta adrenalina masculina, repleta de mensagens positivas, de amor e paixão pela vida que surge uma silhueta "Healthy"de Testoscratas poderosos e viris, que oscila entre o Slim/oversized, revelando o árduo trabalho físico e a hábil mistura de tipologias de peças, meticulosa e confortavelmente estudada. O cetim ou a pele, sob misturas de algodões e de lãs nobres em confronto com novos técnicos, num ritmo de revelações subtis ao encontro de uma valorização individual, tanto dos materiais como dos detalhes e o amêndoa, o pedra e o azul celestial harmonizados com uma paleta de castanhos, cinzas e verdes mescla predominam nesta colecção, incendiados por vezes, por um varonil sangue de boi, ou revigorado pelo enérgico brilho metálico do dourado, que nos recorda que este homem contemporâneo, busca a perfeição.
Lanidor explora equilíbrio
A Lanidor, marca nacional, vai também apresentar a sua colecção de Inverno 2012 na ModaLisboa, no sábado às 19h30, no Pátio da Galé. Uma colecção em que explora o equilíbrio entre o artificial e o orgânico, as técnicas industriais e artesanais, o quente e o frio das cores. Centrada na elegância clássica, atenta aos pormenores, nos materiais e nos acabamentos. Os tecidos são leves, feltrados e dupla-face, tons neutros e límpidos (em contraste com o branco ártico, o preto mate e o vermelho escuro), numa silhueta estruturada que é ao mesmo tempo descontraída, fluida e feminina.
Para além dos desfiles e numa tradição de cruzamento de disciplinas criativas na ModaLisboa, o MUDE vai exibir exposições e performances pensadas pelos criadores, entre eles, Lidija Kolovrat, que mostra o seu conceito para esta estação, contaminando-o com a sua imagem de marca: aplicar à Moda a linguagem abstracta das artes plásticas. Quatro dias de muita moda, arte e criação para ver no coração da capital portuguesa.