Por que nos deixamos enganar? Moda Tendências 30/07/09, 10:58Por C.S./A.R. Nunca falha: basta espalhar o cheiro a dinheiro fácil e as vítimas acorrem em tropel. A verdade é que nem o investidor mais experiente está a salvo da sua própria credulidade e ganância Os funcionários da US Securities and Exchange Commission que analisavam, em Dezembro de 2008, os arquivos e os computadores de Bernard Madoff interrogavam-se sobre como era possível que o homem tivesse burlado 50 mil milhões de dólares (cerca de 35 mil milhões de euros), a partir dos seus escritórios no edifício Lipstick, no coração de Wall Street. Tinham na sua frente provas da maior fraude da História. Madoff, de 70 anos, não enganara os saloios a fazer o jogo do copo num passeio da Quinta Avenida. Não: depenara grupos poderosos, incluindo bancos como o Santander e a UBS, fortunas de celebridades como Steven Spielberg e muitos outros investidores experientes. Como é que se deixaram enganar? A resposta é muito simples: credulidade. É essa, pelo menos, a opinião de Stephen Greenspan, uma das vítimas de Madoff, e que até é, por acaso, professor emérito de psicologia da Universidade de Connecticut (Estados Unidos) e autor de um livro intitulado Annals of Gullibility (anais da credulidade). Greenspan afirma que todos confiaram no prestigiado financeiro para além do que seria razoável. Era uma forma quase mística de acreditar em alguém com poderes sobre o dinheiro. "Uma fé tão cega numa pessoa ou num esquema de investimento possui um aspecto um tanto religioso", escrevia num artigo que é estudado em faculdades de Psicologia. "Era como Deus", resumia, numa declaração ao jornal nova-iorquino Daily News, Charles Gradante, co-fundador de uma sociedade de investimentos, que conhecia pessoalmente Madoff. Mística rodeada de encenação No entanto, essa mística estava também rodeada de uma fantástica encenação. Madoff fora presidente do Nasdaq, a bolsa de valores nova-iorquina das empresas de alta tecnologia; não era um desconhecido. Além disso, dava-se com a fina-flor dos financeiros judeus e costumava frequentar Palm Beach, zona de ócio e local escolhido para a reforma dos mais abastados. Tinha fama de bom gestor porque, em tempos de crise ou não, os seus fundos eram sempre rentáveis. Por exemplo, oferecia até 12 por cento de taxa de juro numa época em que conseguir metade já era uma verdadeira proeza. E todos confiavam nele; se tivesse sido medida a sua credibilidade numa escala de zero a dez, teria obtido uma pontuação de 9,5. Evidentemente, não é a primeira vez que a Humanidade se deixa levar pela confiança cega. A História dos grandes fiascos financeiros está cheia de tolos, timoratos e incautos. No século XVII, meia Holanda dedicava-se a comprar e vender bolbos de tulipa simplesmente, porque o seu preço subia e dava lucros extraordinários. Muitos chegaram a empenhar casas, cavalos, carruagens e jóias para comprar as exóticas e vistosas flores. Até que, um dia, alguém se apercebeu de que era uma estupidez e deixou de fazê-lo. Todos seguiram os seus passos e começaram a vender os exemplares que possuíam; nessa altura, o preço caiu a pique e arruinou milhares de famílias. O episódio foi baptizado, em 1841, pelo jornalista britânico Charles McKay, com o nome de "tulipomania". Na realidade, a história da Bolsa e dos seus descalabros não é mais do que o relato de uma especulação desenfreada por parte de milhares ou de milhões de pessoas que caem nas garras da credulidade. Acreditam que determinadas empresas valem muito, mas não param para pensar no seu real valor. Há um outro factor nesse comportamento: o efeito da imitação. Dito de forma mais simples: "Se o meu vizinho se enche, por que haveria eu de ser palerma e não fazê-lo também?" No caso de Madoff, os círculos aristocráticos faziam correr o rumor de que os investimentos feitos com esse mago das finanças eram mais rentáveis do que quaisquer outros. "Além disso, as pessoas diziam: se os judeus estão metidos nisso, é porque vale a pena", explica um especialista em finanças. Estamos a falar de um comportamento humano instintivo: ir atrás do carro da fortuna, mesmo que não se saiba muito quem está a conduzi-lo. Os meios de comunicação também contribuem para incentivar as atitudes favoráveis ao conto-do-vigário. Programas de televisão encorajam as pessoas a enviar mensagens de telemóvel para ganhar prémios chorudos, ou a acreditar que podem ser o próximo vencedor do Euromilhões. Tudo o que é tocado por esse mito funciona, sublinham os psicólogos. Em resumo: é a nossa ganância que nos engana. ![]() ![]() ![]() 11/04/12, 10:57 Turismo do Algarve transforma material promocional em malasAs brochuras, faixas e lonas publicitárias do Turismo do Algarve acabam de ganhar nova vida, depois de terem sido recicladas e transformadas em malas e27/03/12, 11:29 Havaianas SlimGeometric juntam Portugal e BrasilAs Havaianas SpecialCollection têm, a partir de agora, mais uma novidade: as SlimGeometric.20/03/12, 10:46 Portugal Fashion Cross no MUDENuma edição repartida entre as duas maiores cidades do país, Lisboa e Porto, o 30.º Portugal Fashion começa esta quarta-feira, no MUDE - Museu do Design e da07/03/12, 11:17 “Freedom” é a 38.ª ModaLisboa que amanhã arranca na Praça do MunicípioÉ já a partir de amanhã que arranca mais uma edição da ModaLisboa, a 38.ª, por sinal, com o tema "Freedom". |