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Bem-estar: Menu zero quilómetros
Saúde Beleza
28/01/10, 10:55
Texto de Teresa Violante/fotos Paulo Castanheira-AFFP

Quando vai às compras atenta na origem dos produtos? Sabe quantos quilómetros percorreram do local de produção até si? Comprar localmente ajuda a preservar o ambiente, mas nem sempre o próximo é sinónimo de ecológico.
Fruta da Tailândia, carne da Argentina, vegetais do Peru. As prateleiras dos supermercados são montras da globalização. Indiferentes à cadência das estações oferecem todo o tipo de alimentos ao longo de todo o ano. Fora da época é possível saborear morangos e cerejas, ou esquecer o frio do Inverno com frutas tropicais. Habituámo-nos a comprar segundo os nossos gostos, ignorando os ritmos da natureza. Mas esse costume tem efeitos negativos para o ambiente.   
A forma como consumimos (e o que consumimos) é um factor basilar no cálculo da pegada ecológica que determina o impacto do nosso estilo de vida no planeta. Também os produtos, desde alimentos a televisores, têm pegada ecológica. Tim Lang, professor de Política Alimentar na City University, em Londres, foi pioneiro ao alertar para esta questão. Em 1992 proferiu num programa de televisão a expressão "food miles", ou milhas alimentares, despertando para a necessidade de saber de onde, e como, vinham os produtos. "Tive a possibilidade de propor aos espectadores que julgassem a sua comida não só pelo preço ou pelo aspecto, mas também pela distância que tinham viajado", explica o professor à GINGKO em entrevista por e-mail. Com o passar do tempo e crescente discussão em torno desta temática, o conceito evoluiu. "Hoje falamos da necessidade de analisar o ciclo de vida do produto. Devemos calcular a esperança de vida da comida, desde a exploração até ao prato", acrescenta. E reconhece: a questão tornou-se "complexa".
Próximo ou distante?
Atrás da maçã que colocamos no cesto há um sem fim de aspectos que contribuem para o seu impacto ambiental. "Um dos mais falados é a emissão de CO2, associada quer à distância entre local de produção e local de consumo quer ao ciclo de vida do produto", aponta Susana Fonseca, presidente da Quercus. A panóplia de aspectos a considerar parece não ter fim: recursos utilizados na produção, embalagem, distribuição, aquisição, consumo... Daí a dificuldade em definir a pegada ecológica e comparar bens de diferentes proveniências. É que produtos regionais não são necessariamente mais verdes. "Uma exploração local mas intensiva pode ser prejudicial. Tudo depende da forma como os alimentos são produzidos e da altura do ano em que são ingeridos", explica Tim Lang.  
O conceito food miles não se limita à vertente ambiental. Tem também consequências na saúde e na sociedade. "Uma produção mais próxima de nós dá-nos maior segurança quanto à qualidade do produto. Podemos perceber mais facilmente como é produzido e contactar com os produtores, em especial na área alimentar", diz Susana Fonseca. A exploração local é ainda motor de desenvolvimento regional, porque cria postos de trabalho e serviços. Tal também sucede com artigos do chamado comércio justo. Estes, porém, devem ser apreciados racionalmente. Oriundos de países subdesenvolvidos, percorrem milhares de quilómetros até chegarem aos consumidores. Resultado? Elevadas emissões de CO2. "São justos em termos sociais, mas em termos ambientais poderão não ser", adverte a presidente da Quercus.
Perante tal dualidade, o que devemos fazer? O professor Tim Lang aconselha: "Comer sazonalmente, ingerir muita fruta e vegetais e pouca carne e produtos lácteos. Isso reduz drasticamente as emissões de carbono". Mas produtos locais ou distantes? "Na maioria das vezes é preferível produzir próximo de casa em vez de o fazer na Ásia, por exemplo, e importar", esclarece Susana Fonseca. Seja qual for a opção, uma máxima deve nortear o acto de aquisição: consumir apenas o que é necessário.

 
Regras para uma alimentação ecológica e saudável
No livro Food Wars: the Global Battle for Mouths, Minds and Markets - ainda não publicado em Portugal - os autores Tim Lang e Michael Heasman propõem 15 regras para uma dieta sustentável, norteada por princípios ecológicos e nutritivos.

  • Coma menos mas melhor

  • Alimente-se de forma simples
  • Não consuma mais do que gasta em termos energéticos
  • Coma equitativamente
  • Siga uma dieta rica em vegetais, pobre em carne
  • Celebre a variedade - leve a biodiversidade para o seu prato
  • Pense nos combustíveis fósseis - energia dispendida no transporte de comida até si, ou por si até aos alimentos, é igual a petróleo
  • Sempre que possível coma de forma sazonal
  • Alimente-se segundo o princípio da proximidade, tão localmente quanto possível, e apoie produtores locais
  • Aprenda a cozinhar depressa, confeccionando refeições simples; reserve refeições sofisticadas para momentos realmente especiais
  • Esteja disposto a pagar os danos causados ao ambiente; se não o fizer, outros pagarão por isso
  • Beba água em vez de refrigerantes
  • Esteja atento a ingredientes escondidos - consulte o rótulo e, se tiver açúcar ou sal desnecessários, não compre
  • Eduque-se, mas não se torne neurótico
  •  Desfrute dos alimentos a curto prazo, mas pense no impacto que têm a longo prazo

 

2  Comentários
1 votos
COMENTÁRIOS
1
comentário31/01/10, 01:10
Hábitos de vida saúdavel como alimentação, atividades físicas etc...ajudam a combater fatores do envelhecimento. Atualmente muitas pessoas procuram os diversos tratamentos para estética corporal, facial e capilar oferecidos em clínicas de estética. ---------- Estética www.esteticaeclinica.com.br
Clínica Estética
comentário31/01/10, 01:09
Hábitos de vida saúdavel como alimentação, atividades físicas etc...ajudam a combater fatores do envelhecimento. Atualmente muitas pessoas procuram os diversos tratamentos para estética corporal, facial e capilar oferecidos em clínicas de estética
Estética Corporal, Facial, Capilar
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