Ginástica para quem detesta ginástica Saúde Beleza 04/03/10, 14:04Texto Miguel Amaral Monteiro e fotos Paulo Castanheira/AFFP É possível ficar em forma sem muito esforço. Acredite: vai ser canja. A GINGKO revela-lhe dois casos em que o exercício se tornou um autêntico vício. E que pode praticar a qualquer hora e (quase) em qualquer lugar. Mesmo quem gosta de ir ao ginásio ou de praticar uma modalidade desportiva, tem por vezes dificuldade em encontrar tempo e vontade para se exercitar. Quem não gosta, acaba por não sair do sofá, com todas as implicações que essa atitude tem para a saúde. Às vezes o que custa é encontrar a actividade física certa, a que se adequa ao estilo de vida e que desperta paixão. É só sair de casa "É uma sensação de êxtase e de liberdade". Assim define José Palma, 44 anos, professor no Instituto Politécnico de Setúbal, a actividade física que pratica: caminhar. Pode parecer estranho, mas José Palma explica: "Gosto particularmente de caminhar sozinho. Permite maior enriquecimento interior. É uma experiência quase metafísica quando chove e se está no meio da montanha. As cores ficam muito vivas, sente-se a natureza por todo o lado, em estado puro". Para quem começa, o habitual é caminhar em grupo. As vantagens desta actividade são muitas. "Há convívio, pode-se caminhar em qualquer lugar e a qualquer hora, basta sair de casa, é um exercício para toda a família e que se pode praticar durante toda a vida", argumenta José Palma. Quanto aos benefícios, vários estudos mostraram que caminhar reduz o risco de doenças cardíacas, fractura da anca, glaucoma, cancro da mama e diabetes tipo 2. Mas há mais. Um passeio diário ajuda a prevenir a depressão, cancro do cólon, osteoporose e impotência, combate o stress e alivia a artrite e as dores nas costas, e melhora o sono. José Palma encontra mais uma vantagem nas caminhadas: "Todos temos algo de hipocondríaco mas, ao sentir que o nosso corpo, afinal, aguenta mais do que pensávamos, perdemos algumas manias". Para o caminhante, este superar dos limites do corpo é óptimo para aumentar a auto-estima, especialmente das crianças, que beneficiam de uma actividade muito educativa. "É enriquecedor passear no campo e ir descobrindo aldeias, pessoas, animais, plantas, rios, enfim, coisas que não fazem parte da realidade diária de edifícios, carros e estradas. Há um sentido de descoberta que não se encontra em outros desportos", conclui. Se ficou com sede de ar livre, saiba que várias câmaras municipais criaram percursos marcados. Na verdade existem já mais de 400 percursos no país e há grupos especializados nesta modalidade (por exemplo, www.papa-leguas.com e www. ocaos.org). Informe-se, comece por um percurso de seis ou sete quilómetros e lembre-se: o Sol é o pior inimigo do caminhante; leve pelo menos 1,5 litros de água e um chapéu que cubra toda a cabeça. Queimar calorias Queimar gorduras é diferente de queimar calorias. Para perder gordura, necessita de manter um exercício anaeróbio de 20 a 30 minutos. Assim, ao realizar actividades como ir ao supermercado e carregar as compras para o carrinho, e daí para casa (90 calorias por hora), trabalho intelectual (110 calorias por hora), ou limpar a casa (130 calorias por hora), está a consumir calorias, mas não a queimar as gorduras indesejadas. Para esse efeito, tem ao seu dispor uma série de modalidades bem mais aprazíveis como, por exemplo, caminhar ou dançar. Vencer a vergonha Joana Guilherme, 27 anos, arquitecta, nunca praticou desporto, exceptuando uma passagem de um ano pela aeróbica, ao fim do qual desistiu por estar "farta", por "ser muito repetitivo". Antes, na escola, o contacto com a educação física também não foi agradável: "Nunca gostei. Não tinha jeito e sentia-me frustrada de andar atrás da bola e nunca a apanhar". Contudo, Joana não tinha uma relação de ódio com o desporto. "Gostava de futebol e hóquei em patins, mas como adepta. Deu-me um ataque de benfiquismo e até tinha bilhete de época. Mas desinteressei-me. Havia muita corrupção nos bastidores do futebol e no estádio encontrava-se gente muito pouco civilizada, violenta e malcriada". Assim, a actividade física resumia-se a uns passeios de bicicleta, na terra dos pais, porque em Lisboa "não há condições". Já na Faculdade, em 2003, um colega apareceu num jantar de turma com o instrumento que tocava numa banda de música tradicional. Finda a refeição, saíram para um dos miradouros da capital e, ao som da flauta, "a namorada desse colega ensinou toda a gente a dançar. Achei giríssimo". Ela "nem sabia que existia uma comunidade de pessoas que dançavam". Mas não chegou a experimentar. "Fui a alguns concertos dessa banda, At-Tambur, que já acabou. Em alguns não se dançou por falta de espaço. Noutros tive vergonha e receio de fazer figuras tristes", confessa. Em 2004, deram-lhe uns panfletos que anunciavam dois concertos/baile no Mercado da Ribeira. "Ao primeiro fui sozinha e não tive coragem de experimentar. No segundo, levei umas amigas e, como antes do baile havia um workshop em que se ensinava os passos básicos, acabei por dançar. Desde então fui aos bailes quase todos e sou assídua do Andanças (festival anual de música e dança tradicional, em São Pedro do Sul)". Agora Joana Guilherme afirma: "A dança é das coisas que me fazem sentir melhor. Primeiro, descobri que movimentar o corpo era divertido, não se limitava ao movimento caótico das discotecas. Depois, como tem passos determinados, é como uma linguagem que se aprende". Se quiser experimentar, informe-se em www.tradballs.com ou em www.pedexumbo.com. Como vê, não há desculpas para não fazer exercício. Basta, por exemplo, sair de casa e andar. Sim, às vezes chove e está frio, mas nessas alturas pode sempre exercitar-se em casa, com uma das últimas invenções da Nintendo, a Wii Balance Board, que disponibiliza 40 exercícios que treinam postura, equilíbrio, tonificação muscular e relaxamento. ANDE, PELA SUA SAÚDE Caminhar traz inúmeros benefícios para a saúde, nomeadamente na prevenção de várias doenças. ![]() ![]() ![]() 08/02/12, 10:24 Armazenar energia vitalDiz a medicina tradicional chinesa que é no inverno que devemos armazenar energia para o resto do ano. Fomos ao SPAsia, na Av. 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