Brian J. Druker (Oregon Health & Science University), Nicholas B. Lydon (anteriormente, Novartis), e Charles L. Sawyers (Memorial Sloan-Kettering Cancer Center) são os três cientistas que acabam de ganhar o prémio científico Lasker~DeBakey de 2009, pelo desenvolvimento de novos tratamentos para a Leucemia Mielóide Crónica (LMC). Uma descoberta que permitiu que um cancro fatal passasse a uma condição crónica controlável.
Atingindo as bases moleculares da doença, os três cientistas inovaram no tratamento e cura do cancro e alteraram radicalmente o prognóstico dos doentes com LMC, o que revoluciona o processo de terapia do cancro.
A pesquisa de Druker e Lydon levou ao desenvolvimento do Imatinib, enquanto Sawyers liderou esforços para combater a resistência ao Imatinib, diagnosticada em alguns doentes. As descobertas da equipa revolucionaram o processo de pesquisa científica na área oncológica, especificamente no processo que origina o cancro.
Ao decifrarem o funcionamento das moléculas que causam a LMC, tornou-se possível saber como destruir as células anormais e como evitar danos nas células normais, desenvolvendo as chamadas terapias dirigidas. Em vez de atingirem as células de proliferação rápida, provocando efeitos secundários tóxicos, como os padrões dos agentes quimioterápicos, a molécula descoberta dirige-se a uma única enzima que desencadeia a LMC, uma táctica em que a comunidade científica desacreditou.
Druker e Lydon concluíram que o Imatinib destrói apenas as células que precisam da enzima para sobreviver.
Sawyers, que estudava a enzima, juntou-se à equipa e em conjunto realizaram ensaios clínicos que apresentaram resultados surpreendentes. Em pouco tempo testemunharam algo a que nenhum oncologista tinha antes assistido - os doentes à beira da morte estavam a deixar o hospital uma semana após a sua primeira dose de Imatinib.
O enorme sucesso de Druker, Lydon, e Sawyers forneceu um modelo que se estende muito além da LMC. De facto, muitas substâncias que atacam moléculas específicas utilizadas no tratamento do cancro estão agora em desenvolvimento e dezenas foram já aprovadas.
Antes do desenvolvimento do Imatinib apenas dois tipos de tratamento eram possíveis - com Interferon que, para além de fazer com que os pacientes não se sentissem bem, apenas aumentava a esperança de vida em cerca de um ano para 20 a 30% dos doentes; ou através do transplante de medula óssea, opção que apresentava uma taxa de mortalidade no primeiro ano de 25 a 50%.
O Imatinib surge numa fase em que o conhecimento sobre LMC era vasto e provocado por um cromossoma anormal, o Cromossoma Philadelphia, que desenvolvia uma enzima que causava um crescimento descontrolado das células cancerosas. Os investigadores perceberam que descobrindo uma substância que conseguisse bloquear a produção dessa enzima, conseguiriam ‘desligar' o desenvolvimento do cancro.
Esta descoberta valeu-lhes o reconhecimento através do Lasker Awards, um dos prémios científicos mais respeitados do mundo desde 1945. Estes prémios frequentemente pressagiam um futuro reconhecimento pelo comité do Nobel, sendo que 79 laureados Lasker receberam posteriormente o prémio Nobel.
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