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Aldeia da Mata Pequena. Uma comunhão entre tradições, autenticidade e natureza
Travel&Safaris
02/02/12, 18:06

Cada vez mais são aqueles que procuram a descoberta das marcas de seculares tradições que ajudaram a formatar a nossa identidade como Pais, de um património humano e cultural que, durante as últimas décadas, se ia perdendo entre vales e montanhas, correndo mesmo o risco de desaparecerem definitivamente. Pelo esquecimento provocado pela modernidade dos tempos, pelo stress diário, pela cada vez maior urbanidade das pessoas e, porque não dize-lo, pelo desinteresse pelas tradições e pela cultura perdida para lá das auto-estradas, dos caminhos de asfalto.

Mas, felizmente e quase sem se dar por isso, aconteceu um despertar e um interesse por essas marcas culturais e humanas há muito abandonadas, que quase se perdiam no tempo e na vida, o encontro com a essência e vivência de uma certa ruralidade, representadas principalmente por aldeias onde cada pedra conta uma história e onde ainda se encontram pessoas prontas a nos ensinarem como também ali, ou sobretudo ali, existe um mundo que nos convida à descoberta dos nossos antepassados, como povo, mas também ao descanso, à autenticidade, ao lazer, ao contacto directo com uma natureza pródiga em surpresas. E é rodeado deste espírito, em que predomina igualmente um forte sentimento de humanidade, em plena Região Saloia, a escassos 30 minutos de Lisboa e a muito menos de Mafra e das areias da Ericeira, que encontramos um desses exemplos de comunhão entre tradição, autenticidade, natureza e peças de um passado comum a todos nós, a Aldeia da Mata Pequena. Mais uma aldeia que parecia esquecida da civilização, constituída por escassas dez casas, marcadas pela arquitectura tradicional da Região Saloia, que há muito entrava num estado de ruína, mas agora recuperada em toda a essência e identidade original graças ao trabalho de Ana e Diogo Batalha, os responsáveis pela sua recuperação e devolução aos tempos em que a vida aqui acontecia. Mas esta não é uma aldeia museu, é sim uma aldeia marcada pela vida, em plena Zona de Protecção Especial do Penedo do Lexim, fruto da conjugação entre o conhecimento técnico e o respeito pelo passado, usando materiais originais, como alvenaria de pedra, argamassas de cal, madeiramentos de choupo, cedro e casquinha, telha de canudo, pavimentos em lajedo de pedra, tijoleira cozida em fornos a lenha, e paredes caiadas. A tudo isto, ainda se juntaram elementos tradicionais, como capoeiras e currais, ocupando-os de vida, espaços percorridos por burros, ovelhas, patos, galos e galinhas, recuperaram-se cortes de porco, pombais, poços, fornos e salgadeiras, e escutou-se o conhecimento e testemunho dos poucos aldeões que ali ainda permanecem. É a realidade e essência de uma velha aldeia característica da Região Saloia à espera de quem quer reencontrar-se com velhas tradições, agora recuperada para o turismo rural. E lá está a Casa do Poço, a Casa do Padeirão, a Casa do Jasmim, a Casa da Palha, a Casa da Ti Jacinta, a Casa da Cigarra, a Casa da Avó Aurora, a Casa do Forno, a Casa do Pedro e a Casa do Feno, dez casas tradicionais no formato T1, T2 e T3, casas completamente recuperadas seguindo a identidade original e decoradas com os mesmos padrões de rigor encontrados no exterior, conferindo-lhes a alma de outros tempos. Aqui, os hóspedes têm encontro marcado com usos e costumes de outros tempos e com vizinhos que sempre ali viveram, compartilhando com quem encontram as suas experiências de vida e histórias que têm sobrevivido ao tempo e ao isolamento. É também o encontro com a faina diária da vida rural que acontece do outro lado da porta, a mesma onde todas as manhãs o pão de Mafra cozido em forno de lenha é colocado juntamente com os doces que ali se fazem, o leite, o queijo e a manteiga. Mas é também a porta que nos conduz à rua única que atravessa a pequena aldeia e nos encaminha para outros desafios, como conhecer a zona através de várias propostas organizadas, como as caminhadas, passeios equestres e de bicicleta, ou visitas ao Abrigo do Jumento, um espaço criado pela Burricadas, uma associação que visa divulgar e preservar o burro em Portugal. Mas também a partir da Aldeia da Mata Pequena se parte ao encontro do Penedo de Lexim, Mafra, Sobreiro, Ericeira, Ribeira de Ilhas e de Cheleiros ou, se preferir, apenas ao ficar neste lugar único onde a tradição derrotou a modernidade, provando que o conforto e o bem-estar podem ser parceiros perfeitos da autenticidade, das tradições e das coisas simples que a vida continua a oferecer, trazendo-nos os sabores e os sentires de outros tempos.        

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