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Montepio
Estónia. Um poema à Natureza
Travel&Safaris
05/01/12, 18:08

Florestas densas e verdejantes, que representam 50% da área do país, longas praias de areia branca, uma flora deslumbrante, uma fauna que desapareceu em outros lugares e aqui se mantêm bem viva, uma cultura delicadamente preservada e cidades que nos fazem recuar no tempo até à Época Medieval, num compromisso com valores ancestrais, mas com gosto pelo que é moderno e pelas novas tecnologias.
É assim a Estónia, o mais pequeno dos países bálticos, que ama o mar, com mais de 3.800 quilómetros de costa e cerca de 1.500 ilhas, separada a leste da Rússia pelo imenso lago Peipus e delimitada a sul pela Letónia, um país onde a Natureza é objecto de um culto herdado de um certo paganismo antigo, onde as pessoa saem de braço dado em busca de cogumelos e frutos silvestres, aproveitando para se deliciarem com as paisagens marcadas pelos fetos em flor, na primavera e no verão, e pelas grandes extensões cobertas de neve ou pelos lagos gelados no inverno, num verdadeiro culto pela vida natural, onde ainda se encontram alguns atavismos rurais, continuando a abraçar e a promover um passado tradicional envolto por uma natureza deslumbrante.       
Poderemos dizer que são as pequenas cidades e os parques nacionais que atraem a maior parte dos turistas à Estónia, mas também o turismo histórico e cultural, o turismo de natureza e termal. Cidades como Parnu, a capital de verão, Tallinn, tradicionalmente a principal atracção turística do mais pequeno país do Báltico, ou Tartu, também ela um destino obrigatório sobre o ponto de vista histórico e cultural, ou as ilhas de Hiiumaa e Saaremaa que preservam elementos autênticos da vida rural tradicional, fazendo parte da alma estoniana, com a preservação da natureza a ser o elemento principal das preocupações do seu povo.
E nem a rigidez das temperaturas das temperaturas invernais que muitas vezes visitam este país desencorajam os turistas, sendo até um outro atractivo. Na realidade, este é um país que reflecte beleza em todos os sentidos, inclusive no Inverno, ganhando uma atracção poética, bastando para combater essas temperaturas seguir os costumes locais, como bebendo vodka, cobrir os pés com um pano embebido com álcool, ou ser aquecido pela generosidade e hospitalidade dos estonianos. Uma Estónia que quer mostrar sua beleza, arte, história e cultura ao mundo, depois de décadas ignorada ou amordaçada pelos ventos que sopravam dos lados da Rússia, sendo impossível não se deixar seduzir pela bela Tallinn, de impressionantes edifícios modernos que convivem com pequenas casas de madeira e uma arquitectura nascida da Época Medieval, que no seu conjunto contam a história do país, desde que esteve sob o domínio da Ordem Teutónica, de quando foi anexada pela Lituânia, Polónia, Suécia, pela Rússia no século XVIII ou quando, ainda recentemente, era espartilhada pela extinta URSS. Agora, esta cidade localizado no Golfo da Finlândia, a menos de 100 km de Helsinquia, é uma cidade aberta que se quer abrir ao mar e ao mundo, Tallinn uma cidade deliciosamente bela e de fácil enamoramento, movimentada, jovem e cheia de pontos de interesse, em qualquer época do ano, mas em especial durante o Festival de Música e Dança e no período de Noites Brancas, que vai de Junho a Julho. Nesta época do ano, graças à sua localização geográfica, Tallin fica ainda mais iluminada pela luz do sol durante quase 24 horas e a população, após meses de "hibernação", sai para as ruas e convive alegremente com os turistas que a visitam. E é a partir de Tallinn que pode partir à descoberta deste delicioso país, explorando todos os seus encantos. Não muito longe da capital, lá está o Lago Ulemiste, de uma beleza natural soberba, especialmente durante o verão, e Tartu, a segunda cidade do país, situado nas margens do rio Ema, numa região intensamente bela, graças à presença dse diversas cadeias de montanha, como as Vooremaas e de grandes lagos, como o Peipus. Outro itinerário interessante é o que atravessa o sudoeste, rico em história e pequenas vilas, como a bela cidade de Parnu, a "capital do verão", na foz de um rio, cidade conhecida pelos seus spas termais, parque e praias, ou Haapsalu, uma cidade costeira, o principal porto de acesso às grandes ilhas da Estónia, Saaremaa, Hiiumaa e Vormsi, que emergem do mar Báltico, em frente ao Golfo de Riga. Mas se Tallin, cidade inscrita ma lista de Património Cultural da Humanidade pela UNESCO, com a sua magia reflectida nas tochas que iluminam as ruas e muralhas por onde desfilam realidades e ancestrais histórias é uma das maiores atracções da Estónia, assim como Parnu, cidade que vive do verão e para o verão a um ritmo muito próprio, e Haapsalu, cidade que foi um dos destinos favoritos dos Romanov, a última família imperial russa, outra das maiores atracções do mais pequeno país do Báltico está na sua exuberante natureza e nas suas ilhas. Ilhas como a pequena Kihnu, que a UNESCO inscreveu na lista de Obras-Primas do Património Oral e Imaterial, hoje uma ilha que mistura como nenhuma outra tradição e modernidade, o exótico e o familiar, ou as ilhas maiores de Hiiumaa e Saaremaa. A Hiumaa, antigo refúgio de piratas, que lança as sombras das florestas da costa ocidental sobre as águas cintilantes que a rodeiam, das casas cobertas com telhados de colmo, enquanto simples castelos e ruínas a vestem de um certo mistério, alimentando mitos e lendas, hoje transformada num paraíso para caminhantes, ciclistas e amantes das praias, e a Saaremaa, a maior ilha da Estónia, cuja capital, Kuressaare, se orgulha do seu palácio episcopal do século XIV, o mais bem preservado de toda a região, uma ilha que ao longo dos tempos se transformou numa verdadeira Meca termal. E se esta imagem é aquela que mais sobressai na costa sudoeste da Estónia, do outro lado, bem perto da Tartu, a cidade de estudantes e da Universidade de Tartu, fundada em 1632 e que ao longo dos séculos tem sido tem sido o berço e o símbolo da consciência nacional da Estónia, encontramos outro paraíso natural, bem junto do Lago Peipus e das montanhas que se apresentam como um desafio aos esquiadores, no inverno, fazendo mesmo parte do calendário mundial de cross-country, enquanto no verão os seus mais de 130 lagos oferecem inigualáveis oportunidades para caminhadas, práticas aquáticas e muitas outras actividades em contacto directo com a natureza e encontros com a grande diversidade de flora e fauna que cobre as florestas, prados e parques naturais. Florestas que cobrem quase metade da Estónia por onde circulam livremente cerca de 11.700 alces, 50.000 veados, 17.000 javalis, 17.000 castores, 800 linces, 600 ursos e 100 lobos, que também desempenham um papel central na economia da Estónia, com quase um terço das florestas a estarem submetidas a regimes de protecção ambiental e por onde se podem fazer caminhadas, descobrindo algumas das mais antigas e protegidas florestas da Europa, como as que se encontram nas regiões de Järvselja, de Tartu e de Poruni, no leste estoniano. Por sua vez, descobrir a beleza dos seus prados é um exercício simples, bastando percorrer durante o verão as estradas delimitadas de coloridas flores e árvores para nos apercebermos de imediato da abundância e diversidade das espécies vegetais, como acontece em Vahenurme, na área de Parnu, onde se encontram mais de 75 plantas diferentes por metro quadrado. Uma beleza rara talvez apenas comparada à que se encontra à volta dos seus mil lagos ou dos pequenos rios que cortam um dos mais fascinantes países europeus, a Estónia.     

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