La Mamounia. Um mito, uma história, uma lenda. Travel&Safaris 05/01/12, 18:04"Um palácio eterno. Era uma vez um local
chamado La Mamounia... tal como numa lenda de tempos passados." Jacques Garcia A lenda teve início à 300 anos e a história do hotel La Mamounia confunde-se com a própria História de Marraquexe. Originalmente, Arset Em Mamoun foi um jardim oferecido pelo sultão Sidi Mohammed Bem Abdellah ao seu filho, o príncipe Moulay Mamoun como prenda de casamento. O local ficou assim marcado, nas muralhas da cidade e perto da Medina de Marraquexe. Séculos mais tarde, em 1923, a dupla de arquitectos Proust e Marchisio desenhou a primeira planta do Hotel La Mamounia, onde aliaram a tradição das cores, detalhes e estilo de vida marroquinos ao estilo contemporâneo de Art Deco, tão em voga nos anos 20. La Mamounia é mais do que um hotel, é uma experiência sensorial. Andre Paccard, autor de Mamounia. Marrakech, Maroc (1987), escreveu que La Mamounia é uma "cortesã com pele de pêssego, de perfume almiscarado. Ela seduz, e o seu nome quase mágico é suficiente para provocar os delírios do imaginário". Os sentidos são assim presos num feitiço quase carnal. A visão é arrebatada ainda antes de entrar no perímetro do hotel. O verde dos jardins salta à vista e o hotel confunde-se com a muralha e com a cidade, no tom ocre que caracteriza Marraquexe desde o século XII. As portas coloridas são abertas aos pares por homens trajados a rigor. A arte rodeia-nos e para onde quer que se olhe existe um quadro, uma estátua, uma porta esculpida ou um rodapé trabalhado. Os corredores brincam com os jogos de luz e sobra em que os árabes são mestres. A beleza do espaço surpreende e só após alguns momentos nos apercebemos que existe qualquer algo diferente no ar, que compõe a atmosfera. Paramos uns momentos para assimilar e percebemos então que existe uma fragrância que desperta o olfacto. Cedro, rosas e margaridas compõe o perfume que a famosa perfumista Olivia Giacobetti concebeu especialmente para o hotel, criando um ligeiro ambiente nas áreas comuns. No exterior, o aroma natural das plantas e flores que crescem nos oito hectares de jardim que rodeiam o hotel segue as longas caminhadas ao final da tarde. Acompanhado da beleza estonteante e do odor inebriante, o tacto diverte-se com o chão de alcatifa, com a suavidade do tadlac marroquino, os arabescos das paredes e das portas , a gravilha do jardim. A exploração do hotel avança e vamos descobrindo uma arquitectura tipicamente árabe, com luminosos pátios marcados pelo som da água a cair no mármore da fonte, um símbolo de vida na tradição árabe. Lá fora os pássaros chilreiam e trazem a vida da natureza aos jardins. O espreitar pela janela mostra mais do que os jardins verdejantes e coloridos. No horizonte as montanhas do Atlas surgem como gigantes, imponentes em tamanho e em beleza, proporcionando momentos únicos de esplendor natural quando aliadas ao pôr-do-sol de Marrocos, que faz sonhar artistas e viajantes. Mantendo-nos mais próximos, vemos toda a cidade de Marraquexe, no seu tom que se confunde com a areia, o seu movimento, a sua vida. E a Koutoubia aqui tão perto. Construída em 1158 por Abdelmoumen, príncipe dos crentes, é o minarete da mesquita e os seus 70m de altura fazem dela um dos mais importantes monumentos de Marraquexe, sendo mesmo a imagem da cidade na maioria dos postais. Foi modelo para as torres Giralda, em Sevilla, e Hassan, em Rabat. Não muito longe dali fica ainda a principal praça de Marraquexe: Jamaa El-Fna, uma praça cheia de vida e cor, jogos de rua, contadores de histórias, comida marroquina, encantadores de serpentes, tatuadoras de henna. No limite do souk, a praça é a vida nocturna da cidade, com lojas abertas até tarde, barracas com o impossível, gente, cheiros, vida. O centro da cidade a apenas alguns passos. A magia de La Mamounia atraiu, ao longo do tempo, personalidades de excepção. Charles Boudelair escreveu sobre La Mamounia, Eugéne Delacoix desenhou-a, Alfred Hitchcock filmou-a. Winston Churchill, que deu nome a uma das suites do hotel e a um bar, convenceu Franklin Roosevelt a juntar-se a ele aquando a conferência de Casablanca, em 1943. Dizia, numa das suas cartas, noutra ocasião, que "este é um local maravilhoso, e o hotel um dos melhores onde já estive. (...)com vista para um panorama verdadeiramente notável da copa das laranjeiras e oliveiras, para as casas e muralhas da nativa Marraquexe e como um muro a oeste surge o topo branco das montanhas do Atlas. (...) Quanto queria que estivesses aqui." Marlene Dietrich passeou-se pelos seus corredores para a filmagem de Morroco (1930), assim como Doris Day e James Stewart para o filme The Man Who Knew Too Much (1956), de Alfred Hitchcock. Alerte au Sud (1953) trouxe Eric Von Stroheim e o realizador Jean Tissier. Charlie Chapli recebeu uma calorosa recepção em 1955. Do cinema se destacam ainda Yul Brynner, Omar Sherif, Charles Aznavour, Kate Winslet, Catherine Deneuve e Sophie Marceau. Da música os Rolling Stones, Elton John, Barbra Hendrix, Johnny Halliday. Da política Charles Gaulle, Jacques Chirac, Ronald e Nancy Reagan, Carolina do Mónaco. O hotel é, assim, uma lenda, algo místico que pertence à própria cidade de Marraquexe, faz parte das suas muralhas, da sua história, do que a cidade viveu e está a viver, adquirindo uma importância inerente ao próprio destino. Muitas foram as remodelações que La Mamounia sofreu mas nenhuma ousou retirar a sua identidade tão peculiar e tão marcante. A última obrigou ao fecho do hotel durante três anos, para uma nova abertura em 2009, com o director Didier Picquot a supervisionar o impressionante trabalho criativo do arquitecto Jacques Garcia, conhecido pela atenção ao detalhe e criador de um design complexo e inteligente. La Mamounia reacendeu, as cores tornaram-se mais vivas, os detalhes mais curiosos, o luxo mais sublime. De mãos dadas com a arquitectura e concepção de espaço, está um serviço de excelência, uma atenção minuciosa sem ser invasiva, com início logo no aeroporto. Um conciérge do hotel espera-o à saída do avião. A recolha da bagagem de porão e a burocracia de entrada estão por sua conta enquanto se espera no Lounge VIP, para depois seguir até ao Range Rover ou Jaguar que compõe a frota do hotel. Tâmaras e leite com amêndoas e um toque de tangerina recebem-nos à entrada de La Mamounia, entre sorrisos e cortesias. Os serviços disponíveis no hotel fazem jus à lenda, mantendo, no entretanto, uma simplicidade muito prática, ou não fossem para uso diário. Tomemos, como exemplo, os restaurantes. Existe o Pavillion de la Piscine, o restaurante buffet, que, tal como o próprio nome indica, está estrategicamente colocado com uma vista soberba para a piscina, permitindo desfrutar de momentos relaxantes acompanhados com uma diversidade impressionante de pratos de qualidade excepcional, o restaurante Le Français, com pratos sofisticados como só a cozinha francesa consegue apresentar, o restaurante L'Italien, onde os pratos são confeccionados ao som de jazz com um toque de contemporaneidade, num ambiente romântico e tertuliano e, por fim, o tradicional Le Marocain, onde a cozinha marroquina se apresenta sob o brilho das estrelas e ao ritmo do batuque da Tarija. La
Mamounia tem ainda disponível um spa inspirado no conceito de beleza
marroquina, piscina de água quente, dois Hammam tradicionais e um privado,
várias salas de massagem e tratamento (incluindo zona VIP) interiores e ainda
seis salas de massagem exteriores, jacuzzi, sauna, cabeleireiro a cargo de Jean
Michel Faretra, tudo isto em 2500 m2, decorado tradicionalmente e
recriando diversas zonas privadas e acolhedoras. Os tratamentos estão a cargo
de conceituadas marcas de beleza, como a Shisheido, marocMaroc, Jean Michel
Faretra Paris e Laric, tendo sido criados ainda cinco produtos de assinatura.
Para
manter a forma e não quebrar a rotina dos seus hóspedes, o hotel criou dois
espaços fitness distintos. Um encontra-se dentro das instalações do já referido
spa, o outro em pleno jardim, com vista privilegiada para o colorido das flores
e rodeado de mesas de ping-pong e dois courts de ténis, onde poderá desafiar
Henri Leconte para uma partida.
A história de La Mamounia
faz-se de histórias, de pessoas, de espaços, de experiências. De sentidos e de
vivências. Muito foi já escrito sobre a lenda. Mas muito mais fica ainda por
escrever. ![]() ![]() ![]() 17/05/12, 19:48 Malta. Uma ponte entre o Oriente e o OcidenteEntre baías e golfos, porta de saída do Oriente e de entrada para o Ocidente, Malta tem na arquitectura militar o seu maior encanto. Uma contínua lição de10/05/12, 19:23 Zimbabwe. Uma selvagem explosão de vida e de sensaçõesRios naturalmente traçados para a prática de canoagem, vertiginosos rápidos para os radicais do rafting e lagos que são verdadeiros espelhos de água rodeados10/05/12, 19:15 Pestana Vila Sol. Oasis no AlgarvePerto da marina de Vilamoura, encontra-se um refúgio ideal para quem gosta de tranquilidade, contacto com a natureza, espaços verdes, pratica de03/05/12, 18:34 San Juan. Um milagre do passado, uma paixão do presenteNão é tão grande como Havana, nem tão antiga como Santo Domingo. Mas em troca, tem a vantagem de manter intactas as ciclópicas muralhas que serviram de |