Lamu. Paraíso debruçado sobre o Índico Travel&Safaris 20/01/12, 10:44Por constituir um verdadeiro reduto no tempo e nas tradições swahilis nascidas da mistura entre africanos e árabes e pela forma harmoniosa como soube conservar um estilo de vida em muito fiel à natureza que a viu nascer, Lamu é actualmente o ponto ideal para encerrar uma temporada no Quénia. Após a aventura de percorrer a savana em busca dos Big Five e de testemunhar a fantástica magnitude da planície africana, nada melhor do que partir para as ilhas, desfrutar do Índico em praias verdadeiramente paradisíacas e assistir ao dia-a-dia de gentes que primam pela simpatia e por uma cultura que em tudo surpreende o viajante ocidental. Tradição, cultura, beleza e tranquilidade Tal como as vizinhas ilhas de Manda ou Paté, Lamu, localizada na costa queniana, encanta pela sua paisagem e por uma riqueza cultural inesperada para quem chega pela primeira vez. O porto de Lamu constitui o único sobrevivente de uma civilização urbana existente há pelo menos mil anos, mantendo uma aparência e um estilo de vida muito próprios do século XIX. A cidade de Lamu,, capital da ilha guarda uma das mais antigas mesquitas das 29 ilhas que preenchem o arquipélago em Pwani, com edificações que remontam a 1370, mas a maioria das construções datam do século XVIII, pelo que cada passeio será fortemente preenchido pela presença de arabescos e pela sinuosidade de ruas onde o tráfego automóvel é absolutamente inexistente. Com efeito, em Lamu o mais rápido modo de transporte que o viajante encontrará será o burro, tradição ancestral que acrescenta um encanto especial a todo este universo de ruas estreitas, de portas de madeira trabalhadas com uma inquestionável arte e onde, de facto, o tempo parece mesmo não ter passado. No século XXI, mas ainda "intocada" A presença portuguesa fez-se aqui sentir por volta do século XV, quando Lamu cedeu à invasão, época registada pelo historiador Duarte Barbosa como "plena de escaramuças entre árabes e africanos", num tempo em que a economia era essencialmente baseada no comércio de escravos e em exportações de marfim, de corno de rinoceronte, de carapaças de tartarugas e, claro, de saborosos frutos que ainda ali nascem. As exportações faziam-se por dhows, encantadoras embarcações que até hoje fascinam pela sua beleza e simplicidade. Lamu sofreu um desenvolvimento cultural considerável no século XVIII, época em que se verificou um enorme florescimento da tradição poética e arquitectónica, com a construção de casas abastadas onde a canalização previa o fornecimento de água quente e de água fria deixando muitas mansões europeias perfeitamente envergonhadas. Com efeito, a época de ouro de Lamu durou até 1873, altura em que os dhows carregados de escravos começaram a ser impedidos de navegar as águas pela Royal Navy britânica e tendo a escravatura visto em definitivo os seus dias terminados em 1910. Seguiram-se cerca de 70 anos ao longo dos quais Lamu viveu isolada de qualquer desenvolvimento, primeiro como protectorado britânico e depois como colónia queniana. A indústria própria da revolução industrial europeia não chegou ali e nem o materialismo ou competição que lhe foram próprios ao longo de todo o século XX, razões pelas quais Lamu se mantém em larga escala "intocada" pela civilização e detentora de um charme verdadeiramente único e em todos os aspectos muitíssimo sedutor. Lamu abre as portas A chegada do turismo verifica-se em Lamu por volta de 1967, com o Hotel Peponi em Shela a abrir as portas pela primeira vez e a convidar o viajante a mergulhar num ambiente absolutamente único, com uma praia de 13 quilómetros de areias brancas e vazias e de um mar deliciosamente apetecível. De referir que durante muito tempo a viagem a Lamu se destinava apenas a turistas mais esclarecidos que deste lugar tinham conhecimento e, portanto, a uma verdadeira elite cultural e financeira. Desde esses dias, a chegada a Lamu ainda se processa exclusivamente por barco, tendo portanto o viajante oportunidade de avistar uma série de casas de arquitectura tipicamente árabe que se debruçam sobre a praia e que desde logo justificam um abandono do mundo ocidental e um "regresso" a uma vida mais tranquila, mais próxima da Natureza e, sem dúvida, mais saudável. A mais antiga cidade sabe viver Constituindo a mais antiga cidade queninana que ainda sobrevive, Lamu mudou pouco ao longo dos séculos tanto na sua aparência como no seu carácter. Os homens continuam a envergar os longos e alvos khanzus e na cabeça os kofia e as mulheres permanecem envoltas nos negros buibui, embora numa versão opcional mais descontraída que lhes permite exibir as faces. Aqui nada acontece depressa, tudo decorre de acordo com a brisa do mar, como num demorado abraço, sendo este, de facto, um dos lugares mais descontraídos do Mundo de onde não apetece voltar a partir. ![]() ![]() ![]() 17/05/12, 19:48 Malta. Uma ponte entre o Oriente e o OcidenteEntre baías e golfos, porta de saída do Oriente e de entrada para o Ocidente, Malta tem na arquitectura militar o seu maior encanto. Uma contínua lição de10/05/12, 19:23 Zimbabwe. 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