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Montepio
Zanzibar. Sensualidade ao sabor das especiarias
Travel&Safaris
11/03/10, 15:07

Sempre foi conhecida pela Ilha das Especiarias. Um paraíso que parece flutuar no azul Indico da costa norte da Tanzânia, um dos lugares mais maravilhosos e fascinantes do Hemisfério Sul, das extensas praias de areias que mais parecem pó de talco e do bosque de Jozani... Mas também da Stone Town, a cidade
labirinto de incontáveis bazares, mesquitas, fortes, palácios, sultanatos e catedrais. É Zanzibar, a ilha de todos os sentidos.


Entre paredes feitas de pedra e corais que perecem desabar a cada instante, portas maciças de madeira encrostadas de enormes botões e espigões de latão, vamos ziguezagueando pela labiríntica parte velha de Stone Town, a capital de Zanzibar, ao encontro de referências arquitectónicas que contam seculares histórias de piratas, sultões e aventureiros.

Entre o fervilhar de gentes que compram e outros que tentam vender um pouco de tudo pelas ruelas desta Jamaica do Índico, os passos matinais encaminham-se obrigatoriamente em direcção do velho porto e do mercado de Malindi que rivaliza com a longa marginal dos jardins Foradhani onde bancas vendem peixe e marisco grelhado sobre as brasas para se comer no próprio local.

Passos que desfilam tranquilamente ao sabor do tempo à espera que o Sol anuncie que o seu dia de brilho se encaminha para o ocaso, e que percorrem as pedras que nos levam em direcção ao terraço do Zanzibar Serena Inn para aí assistir a um dos mais belos espectáculos que África tem para oferecer, o seu pôr-do-sol.
Um pôr-do-sol que ilumina o céu de um laranja fogo preenchendo as mais sonhadoras mentes, num chamamento musicado que acompanha os sons que saem dos minaretes e nos convidam para lançar já sobre a luz das estrelas sombras que se prolongam da chama incerta das lamparinas a petróleo  e a descoberta dos cheiros do cravinho e da noz-moscada que dominam esta cidade Pa-trimónio Mundial da Unesco.

Um espectáculo único oferecido pela Mãe-Natureza e que poderá ser igualmente sonhado sobre a mureta que orla a cidade sob o olhar do pórtico do antigo forte que observa a enseada pontilhada de velas triangulares dos dhows, esses velhos barcos que fazem o transporte de pessoas e mercadorias desde remotos tempos.
Um mar de sensações salgadas que nos chegam desse mar azul-turquesa e que se juntam delicadamente aos aromas de terra quando percorremos as ruas miscigenadas de raças, culturas e religiões oriundas das mais diversas latitudes e longitudes, reflectindo a sua importância como centro comercial de outrora e reflectidas na sua arquitectura.

Aromas que nos dizem que estamos na Zanzibar's Island Spice, a ilha permanentemente rodeada de suaves, sensuais, delicadas e nostálgicas fragrâncias.

Sensações que se revelam logo aos primeiros raios de sol, pela passagem do silêncio absoluto da madrugada para a azáfama do dia, dos sons e desse mar sereno e tranquilo sempre presente.

Uma ilha que nos envolve em toda a sua plenitude, mesmo que tenhamos acabado de chegar da grande savana. Sim, porque esta é uma ilha que nos faz sentir, como em nenhum outro lugar, que o grande Serengeti e o mar podem ser irmãos gémeos. Talvez pela sua grandiosidade, talvez porque ambos nos enchem a alma por completo e que nos faz sentir em perfeita e absoluta simbiose com a natureza em todo o seu esplendor.
Uma beleza imensuravelmente azul aqui e ali pigmentada de coloridos corais que transbordam o próprio olhar, num constante convite a um compassado mergulho nas serenas águas que nos envolvem enquanto os peixes deambulam à nossa volta numa sensual dança.

E há aquele silêncio absoluto, o desconhecido, o enigma das profundezas, da verdadeira beleza... como se de um retiro espiritual se tratasse.

São momentos de absorção e contemplação onde os sonhos se misturam com a realidade. Momentos também vividos e sentidos na praia de Kendwa onde moram pescadores e os seus dhows e que esperam por mais um pôr-do-sol, que aqui, no Índico, é único.

Mas também é este um lugar especial para esperar pelo anoitecer, o lugar certo para ficar horas e horas entre o azul do mar, as estrelas, a lua, o sussurrar do mar... e os nossos sonhos. Um lugar especial para que deixemos as nossas memórias misturarem-se com os momentos de hoje e de agora. Talvez a nossa retribuição a este gesto grandioso da natureza.

É esta também uma ilha que ainda guarda muitos dos segredos do Índico, uma ilha feita de coisas simples, como o andar ao encontro do nada por um areal branco que mergulha pelo azul-turquesa onde barcos de pesca tradicionais cavados de um tronco de árvore, os tão famosos dhows, com as suas velas únicas feitas de pano cru e gastas pelo sol e pelo sal, passeiam turistas, trazem o fruto recolhido desse mesmo mar, cravinho e outras especiarias de Pemba ou simplesmente acariciam as águas ao sabor do vento.

Areais brancos onde pontuam aqui e ali cabanas de pescadores revestidas de palha de coqueiros agora transformadas em pequenos bares, bungalows turísticos e lojas onde se vende artesanato e coloridos quadros ou onde por vezes escondem uma aldeia de pequenas casas de madeira ou de cimento cru e onde cinco vezes por dia ecoam pregões do Corão.

Pequenas aldeias de ruelas de terra vermelha por onde correm crianças descalças a caminho da
es-cola ou atrás de uma bola, pescadores que carregam as sua redes, enquanto outros, sentados sobre uma pedra, num circulo, comem a farinha de mandioca e o peixe frito preparado por mulheres que transportam às costas o seu novo bebé.

Imagens de uma África que se estende também para o interior da ilha onde outras aldeias, entre bananais, nos recordam que estamos nesse continente contagiante, único e belo, mas que aqui tem a magia do entardecer, dos aromas e do exotismo.

O mesmo exotismo expressado e levado ao mundo por um dos seus mais famosos e queridos filhos, Farokh Bomi Bulsara, ou seja, Freddy Mercury.

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