Ameaça de apreensão de veículo acelera procura de seguro em Angola ![]() 20/09/11, 01:00 À medida que se aproxima o dia 1 de Outubro, os angolanos intensificam a corrida às companhias de seguros para subscrever apólices de seguro automóvel. As autoridades angolanas anunciaram a intenção de apreender a partir do próximo mês todos os veículos automóveis que circulem naquele território sem cobertura de seguro obrigatório, entre outras penalizações, o que tem motivado uma intensa procura do seguro. Apesar de ser obrigatório desde 1 de Fevereiro de 2010, o seguro automóvel continuava a ser ignorado por muitos automobilistas angolanos, uma vez que após as primeiras acções de fiscalização, aquando da entrada em vigor da sua obrigatoriedade legal, não se sucedeu nos meses seguintes qualquer tipo de acompanhamento mais regular das autoridades policiais. "Acredito que os organismos responsáveis terão entendido que as pessoas não estavam preparadas para o seguro automóvel. Nem culturalmente, nem financeiramente", afirma Afonso Gonzalez, CEO da Aon Angola. "Note-se que um seguro de responsabilidade civil para um ligeiro de passageiros pelo capital mínimo obrigatório ronda os 400 dólares, valor que muitas vezes corresponde a um salário mensal de um trabalhador de recursos baixos", revela o responsável da multinacional de corretagem de seguros. Além disso, o selo que os segurados colocavam no vidro do carro para atestar a cobertura de seguro não estava normalizado entre seguradoras e até o preço a cobrar pelo capital mínimo, que a legislação apontava para que fosse harmonizado no mercado, era, afinal, variável de companhia para companhia. Um ano e meio após a entrada em vigor da obrigatoriedade de circulação com veículos seguros, as autoridades do país estão dispostas a apertar o cerco aos condutores e começaram já a realizar operações Stop, sobretudo no centro de Luanda, sensibilizando os condutores para a obrigatoriedade de subscreverem um contrato de seguro de responsabilidade civil automóvel. "Esta nova medida é acertada", alega Afonso Gonzalez que, apesar de não dispor de estatísticas oficiais, estima que mais de 70% dos veículos que circulam em Angola não tenham seguro, especialmente no segmento de particulares. E apesar da afluência esperada às seguradoras nos últimos dias de Setembro, o CEO da Aon Angola acredita que o cenário será diferente daquele vivido no início do ano passado. "Hoje em dia a situação mudou. Administrativamente as seguradoras estão mais bem preparadas, a distribuição está descentralizada, agora existem roulottes e mais dependências por parte das seguradoras. A própria cultura em relação ao seguro está diferente e a sua necessidade mais interiorizada. Mesmo até ao nível da mediação a situação alterou-se, nomeadamente com mais autonomia para emissão", relata o responsável da Aon Angola. Ainda assim, os profissionais do sector sabem que os próximos dias não serão fáceis. "Uma questão que se vai colocar no seguro individual é o facto de não ser vendido sem contra-pagamento, ou seja, ou o cliente vai com o dinheiro na mão ou não consegue fazer o seguro, tendo em conta os problemas de comunicações que por vezes existem e não ligação dos terminais multibanco por falta de conexão", antecipa Afonso Gonzalez. ![]() ![]() |