Condutores estão mais protegidos ![]() 20/09/11, 01:00 É crescente o número de condutores cobertos nas apólices de seguro automóvel. Apesar de não integrar o seguro de responsabilidade civil obrigatório, a protecção do condutor é cada vez mais procurada pelos segurados e muitas companhias optaram já por adicioná-la aos pacotes base disponibilizados para subscrição Pelo menos 74% dos condutores de veículos seguros estão já abrangidos por coberturas específicas que os protegem em caso de sinistro. A estimativa foi calculada pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS), que confirma também uma tendência ascendente no índice de protecção dos condutores portugueses, que tradicionalmente ficavam de fora do âmbito de protecção conferido pelo seguro automóvel obrigatório. Com efeito, a legislação em vigor prevê que o seguro de responsabilidade civil automóvel garanta o pagamento de eventuais indemnizações devidas a terceiros por danos provocados por sinistro automóvel. Esta designação de "terceiros" inclui não só os passageiros dos veículos envolvidos sem culpa no acidente, como também os ocupantes da viatura responsável pelo sinistro. De fora fica o condutor responsável pelo acidente, cuja protecção no âmbito de um contrato de seguro não é obrigatória. Quer isto dizer que em caso de acidente com culpa, o seguro obrigatório de responsabilidade civil apenas cobre eventuais indemnizações devidas a terceiros e nunca ao condutor. Apenas em caso de acidente sem culpa os condutores se tornam também "terceiros" e passam a estar cobertos pela apólice de seguro obrigatório do veículo conduzido pelo responsável pelo sinistro. Não sendo uma cobertura obrigatória, a protecção do condutor pode, em todas as apólices, ser contratada facultativamente. E são cada vez mais os portugueses que o fazem, segundo atestam os operadores. "Em Julho, 9 em cada 10 novos contratos tinham essa cobertura", revela Carlos Silva, responsável da Direcção de Marketing da Tranquilidade. "A percentagem de clientes que dispensa esta cobertura é baixa e prevemos que a procura se mantenha", acrescenta. Dos clientes que constam na carteira de seguro automóvel da Tranquilidade, 85% dispõe já de protecção para o condutor, contratada por opção, e nos contratos novos esse índice sobe para os 90%. O mesmo fenómeno de procura crescente da cobertura tem vindo também a ser sentido pela Liberty Seguros, onde 36% das apólices de seguro automóvel inclui protecção do condutor, por opção do segurado. "A nossa experiência demonstra que tanto o preço como a falta de informação são dois factores que contribuem para que esta cobertura seja dispensada. Mas como não se trata de uma cobertura cara, a falta de informação será a que mais contribui", explica Celeste Ribeiro, gestores de Produto Auto na Liberty Seguros. A mesma responsável perspectiva um aumento das subscrições da cobertura facultativa, "desde que os condutores sejam devidamente informados desta situação no acto da venda do seguro". Algumas seguradoras optaram, entretanto, por reformular a sua oferta de seguro automóvel e passar a incluir, por defeito, a protecção do condutor no seu pacote básico de coberturas. Foi a decisão tomada, por exemplo, pela Lusitania, do grupo Montepio, que actualmente com a protecção do condutor presente em 84% da sua carteira de seguro automóvel. "Embora a noção do risco esteja sempre presente, a ideia de que possamos ser os responsáveis por um acidente, e sobretudo por um acidentes grave que nos cause lesões corporais, é facilmente refutada", aponta Paulo Raimundo, director coordenador da Direcção Técnica da Lusitania, justificando a decisão tomada. "A generalidade dos seguros de responsabilidade civil automóvel é subscrita com vista a satisfazer uma obrigação legal. Ainda que tendo um preço baixo, se não comercializássemos a cobertura do condutor em conjunto com a de responsabilidade civil a percentagem dos seguros que a incluem seria certamente muito inferior". Estratégia semelhante seguiu a AXA, que conta com 90% da carteira automóvel abrangida também pela protecção do condutor. "As notícias de prevenção e alertas sobre o tema da protecção dos condutores na comunicação social ajudam a despertar a necessidade do cliente e tornam-no mais exigente na selecção do produto e nas garantias incluídas no ‘pack' de seguro automóvel que está a contratar", constata Alexandra Catalão, directora de Oferta e Segmentos Estratégicos da AXA. "Esta é uma cobertura fundamental e bastante valorizada pelo cliente, pelo que nos próximos anos a procura da mesma terá uma evolução certamente exponencial, pois cada vez mais o cliente do seguro auto é conhecedor do nível de protecção que pode contratar e usufruir", conclui o responsável da AXA. ![]() ![]() |