Opinião Sustentabilidade e bom senso ![]() 18/04/11, 22:56 O seguro automóvel em Portugal atingiu há muito o seu ponto de maturidade e hoje é elemento muito relevante em toda a actividade seguradora em Portugal, quer para as organizações quer para as famílias e indivíduos. Em 2010 os prémios do seguro automóvel foram superiores a 1.7 mil milhões de euros, significando 43% da actividade do sector nos ramos Não Vida, verificando-se, apesar da conjuntura económica adversa, um muito ligeiro crescimento do ramo. Mas por trás deste número impressionante, visto por alguns como a expressão feroz do capitalismo, existe uma realidade muito mais parcimoniosa e que remete para um autêntico "contorcionismo" dos seguradores. De facto, não obstante o parque automóvel ter triplicado nas últimas décadas e, consequentemente, o número de seguros ter acompanhado esta variação, a respectiva receita tem progredido em sentido contrário, ilustrada pelo facto de o volume de prémios automóvel em 2009 ter sido inferior em 23% ao verificado em 2005. A razão principal foi a queda do prémio médio (24% entre 2005 e 2009), o qual se situa muito abaixo do valor médio dos países EU27. Esta circunstância tem causado o agravamento da taxa de sinistralidade porque, essencialmente, os custos com sinistros têm mantido alguma estabilidade. Por falar em sinistros, entendo que mantemos, no sector, o desafio de fazer passar à sociedade a consciência sobre a natureza mais profunda e remota da nossa actividade. Sem negar que às entidades privadas a questão do lucro não é indiferente, a verdade é que o papel social do sector segurador, sendo fundamental, não é muitas vezes valorizado com prejuízo para a notoriedade e credibilidade de todos quantos dedicam a esta actividade o melhor de si. Refiro-me concretamente aos órgãos de tutela, associação do sector, trabalhadores das companhias, parceiros no negócio e rede de mediadores. Hoje é ainda questionado o valor ou benefício de subscrever um seguro e há mesmo quem se lance na irresponsável aventura, (dezenas de milhares por ano), de conduzir automóveis sem seguro, não obstante a obrigação legal a que estão sujeitos. E que não restem dúvidas de que, mesmo só acontecendo aos outros, os acidentes automóvel ocorrem. Só em 2010 foram mais de 800 mil, numa impressionante média diária de perto de 2.200, o que faz com que a esmagadora parte dos prémios recebidos pelos seguradores seja devolvida aos segurados e terceiros destes pela via da regularização dessa sinistralidade. Num cenário tão desafiante como o que acabo de descrever, as companhias têm procurado encontrar formas de aumentar a sua eficiência na gestão deste ramo, através de processos suportados num nível crescente de tecnologia. Muito naturalmente, hoje é evidente que o nível de preços tem de ser ajustado, uma vez que a fronteira que separa a rentabilidade e o prejuízo, é, efectivamente, muito ténue neste ramo. O próprio ambiente legal e regulador, nacional e comunitário, vai evoluindo, pressionando mudanças mais ou menos aceleradas que, por si só, interpelam as seguradoras a fazer mais e melhor. A verdade é que os índices de satisfação dos consumidores têm melhorado e, muitas vezes, este nível é ainda maior naqueles que experimentam sinistros e, por isso, são envolvidos no processo de regularização dos mesmos. Ao nível da oferta também se assiste ao lançamento de novas soluções em matéria de seguro automóvel com coberturas inovadores como são o caso da Assistência Psicológica ao condutor em caso de acidente grave ou o Rebentamento de Pneu, garantindo não apenas a mudança mas o próprio custo, para mencionar algumas entre tantas outras. O desafio futuro continuará a ser então o caminho para a sustentável exploração deste ramo, colocando no centro do nosso trabalho a satisfação e necessidades dos clientes, com as mais completas e inteligentes propostas de valor. Num tempo de extrema competitividade e exigência, a sustentabilidade e bom senso imperam.![]() ![]() |