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A importância dos seguros de crédito nas exportações

23/05/11, 23:07
Paulo Morais / Crédito y Caución

Quase que poderíamos dizer que nunca ouvimos falar tanto de seguros de crédito como nos dias que correm. Porém, o seguro de crédito, tal como o conhecemos, surgiu nos anos 20 em vários países europeus que procuravam um instrumento para estimular as exportações das suas empresas.

Por Paulo Morais

 

E, assim, foram surgindo as primeiras seguradoras de crédito, apoiadas em rudimentares redes de troca de informação, onde cada uma partilhava os seus conhecimentos locais sobre o comportamento dos pagamentos levados a cabo pelas empresas no país. Um modelo que permaneceu inalterado ao longo de meio século, tendo começado a sofrer evoluções com a globalização e com a aceleração do comércio internacional que passou a exigir um novo modelo de seguro de crédito capaz de romper fronteiras.

Assim a capacidade das seguradoras preverem o comportamento dos pagamentos por parte das empresas a nível global foi sendo refinado, bem como a sua capacidade de analisar os diferentes mercados, o que lhes possibilitou oferecer às empresas exportadoras opiniões cruciais sobre a realidade e o comportamento dos vários mercados. Por isso mesmo e sobretudo nos conturbados dias que vivemos, qualquer empresa que abrace os desafios da exportação deverá recorrer aos seguros de crédito, devendo antecipadamente analisar a presença real que o operador que selecciona tem nos mercados para onde pretende destinar a sua oferta.

As empresas que recorrem aos seguros de crédito não só beneficiam da vantagem de se encontrarem permanentemente informadas sobre a situação creditícia dos seus clientes, aspecto crucial quando abordamos mercados distintos e muitas vezes desconhecidos, como também beneficiam do know-how e das ferramentas que as seguradoras têm para efectuarem as recuperações dos créditos morosos e incobráveis naqueles mercados. Assim as seguradoras disponibilizam a nível internacional uma rede de profissionais orientados para levar a cabo qualquer gestão de recuperação dos créditos não pagos, libertando as empresas dos aspectos burocráticos, permitindo-lhes uma concentração no seu foco principal.

Por outro lado, as persistentes dificuldades de acesso ao crédito, sobretudo, pelas PME têm dificultado a sua gestão de tesouraria, apresentando-se como um dos factores que estão na base de muitos processos de insolvência judicial. Neste particular, alguns seguros de crédito incluem mecanismos de gestão que lhes confere liquidez antecipada evitando futuros incumprimentos. Nos casos de dificuldade de cobrança ou mesmo de insolvência dos devedores torna-se fundamental contar com uma almofada para minimizar as perdas potenciais, pois se numa situação normal estas perdas têm um impacto significativo nos resultados de uma empresa, em épocas de forte adversidade, como a actual, a situação é bem mais gravosa e acaba por multiplicar o seu impacto negativo.

Cabe às empresas nacionais procurarem aconselhamento para os riscos que possam incorrer em cada negócio que perspectivam realizar. O recurso a um seguro de crédito como sistema integral de gestão do risco comercial apresenta-se como essencial nos vários sectores de actividade, principalmente quando se abordam mercados externos, uma vez que representam uma forma de minimizar os riscos de incumprimento. Tenha-se presente que a sua efectividade baseia-se numa tripla garantia: prevenção, recuperação e indemnização.

Se lembrarmos o Barómetro de Práticas de Pagamento elaborado pelo Grupo Atradius e apresentado em Portugal pela Crédito y Caución no Verão passado, compreende-se que apesar de não existir uma ferramenta de gestão de crédito capaz de garantir a eliminação pura e simples do risco de crédito, o uso estratégico de uma combinação de medidas, sobretudo a protecção que resulta do seguro de crédito, pode melhorar significativamente as possibilidades de uma empresa operar com sucesso.

A economia portuguesa precisa de ser dinamizada mas isso só será conseguido se as empresas utilizarem os vários recursos e instrumentos colocados à sua disposição, fundamentalmente e, no que aqui diz respeito, aqueles que permitem analisar de forma profissional os níveis de solvabilidade dos seus clientes e assim garantir a sustentabilidade do seu negócio. Aconselho às empresas nacionais que mantenham níveis de precaução elevados no investimento em novos negócios, novos parceiros, assim como nas transacções com parceiros recorrentes e tradicionais, sem descuidar os sistemas de gestão de risco de crédito que devem estar adequados à realidade do momento. Estas preocupações devem ainda enquadrar com normalidade o quotidiano de qualquer organização sobretudo as que estreitam ligações com exportações.

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