Crise aumenta procura de seguros de créditos ![]() 24/01/12, 01:00 O Governo anunciou reforços para o seguro de crédito e o mercado reconhece necessidade de proporcionar mais proteção às empresas que acentuam a sua vocação exportadora para fazer face à degradação do atividade económica em Portugal. A procura de apólices já está a subir, mas o rigor da aceitação do risco também O Ministério da Economia anunciou um reforço dos seguros de crédito à exportação em 400 milhões de euros, o que permitirá potenciar exportações no montante de 4 mil milhões de euros. Além disso, as seguradoras vão poder aprovar operações de exportação para países fora da OCDE até 1000 milhões de euros, quando anteriormente esse valor não ia além dos 500 milhões de euros. O objetivo não poderia ser mais claro: incentivar o incremento das exportações portuguesas, algo que foi já assumido como desígnio nacional e reconhecido por muitos empresários como caminho certeiro para responder à crise. "Em dois anos de existência, as linhas permitiram apoiar as empresas nas suas operações de exportação dispersas por mais de 110 mercados. A notícia da prorrogação das linhas de apoio ao seguro de créditos é muito importante, dado que permite às empresas nacionais reforçar a cobertura do risco comercial, através da obtenção de garantias adicionais", constata Berta Dias da Cunha, administradora da COSEC. "No contexto económico atual, em que se adivinha um aumento do nível de incumprimentos e de insolvências das empresas, e em que, ao mesmo tempo, se procura incentivar a atividade de exportação das empresas nacionais, pode considerar-se esta medida como sendo um importante contributo para o crescimento das exportações e para o apoio ao crédito de fornecedor", salienta a responsável da seguradora de créditos. O mesmo reconhecimento é feito por Paulo Morais, diretor da Crédito y Caución (CyC) para Portugal e Brasil. "Esta linha de crédito vai continuar a impulsionar a competitividade, assim como a exportação das nossas empresas, fomentando uma economia mais aberta e concorrencial. De notar que a exportação é em muitos casos a única forma de sobrevivência das empresas, tornando-se a mesma num desafio inevitável nas estratégias empresariais". Em declarações ao OJE, o diretor da CyC considera mesmo a continuidade desta ajuda "um fator crucial e determinante para a potenciação das nossas exportações, com a garantia de as empresas as poderem efetuar com a tranquilidade que lhes dá a cobertura do risco de crédito". Analisando todo o enquadramento desta notícia, José Carlos de Melo e Silva, da Direção de Crédito e Caução da corretora Patris Seguros, sublinha que o nível da atividade económica portuguesa voltou a registar um forte agravamento desde julho de 2011, que se refletiu na diminuição de 2,2% do PIB, e que para 2012, as previsões da Comissão Europeia apontam para uma contração do PIB de 1,8%. "Esta situação teve e tem repercussão direta na atividade comercial das empresas, com a forte retração da procura interna, com o aumento excessivo dos prazos de pagamento dos clientes, o crescimento do número de casos de incumprimento de pagamento e com o aumento registado do número de insolvências e com o consequente aumento da taxa de desemprego", enumera o responsável da Patris Seguros. Outro fator que contribui para o agravamento da atual situação económico-financeira das empresas, nomeadamente das pequenas e médias empresas, reside na crescente restrição que têm no acesso ao crédito bancário, relembra ainda Melo e Silva. "Este enquadramento económico teve um impacto direto na atividade das seguradoras de crédito em Portugal no ano de 2011, com projeção para a definição das suas políticas de abordagem comercial para 2012, em dois níveis. Por um lado traduziu-se no aumento do número de incumprimentos comunicados e logo no aumento da taxa de sinistralidade e por outro, a degradação dos indicadores económicos das empresas obrigou ao aumento do rigor dos critérios de análise adotados na concessão de garantias de crédito, com a redução da exposição das seguradoras. A conjugação destes dois fatores tem como resultado o aumento do risco de crédito", constata o responsável da Patris. Procura subirá em 2012 Desde 2008 que o mercado de seguro de créditos vinha registando uma tendência decrescente em volume de prémios e o ano 2011 deverá ter fechado com um quebra de 1,2%, na estimativa da COSEC. "No entanto, as notícias sobre a economia mundial, com especial destaque para Portugal, têm levado as empresas a procurar soluções de gestão e mitigação do risco de crédito, quer para o mercado interno, quer para o mercado externo, onde as empresas têm apostado cada vez mais", revela Berta Dias da Cunha. Aliás, a própria COSEC regista já um crescimento de 10% no número de clientes. No entanto, tal não impede a administradora da seguradora de crédito de constatar uma agudização da degradação da economia portuguesa no segundo semestre de 2011, que se traduziu numa degradação do risco das empresas e no consequente aumento das insolvências. "Esta tendência, ao que tudo indica, deverá acentuar-se em 2012. Face a este cenário, é natural que as empresas continuem a apostar no desenvolvimento da atividade de exportação e/ou internacionalização, ao mesmo tempo que procuram soluções de gestão do risco como é o caso do seguro de créditos", antecipa Berta Dias da Cunha. "É, por conseguinte, expectável um aumento da procura, contudo, as quebras das vendas e o crescimento dos sinistros em virtude da degradação do risco permite-nos antever um ano difícil". O segmento das pequenas e médias e empresas deverá estar no centro das atenções, prevê desde já Paulo Morais, da CyC. "O Orçamento de Estado definido para este ano e as duras medidas de austeridade acarretam impactos negativos para o desenrolar da atividade económica das nossas empresas, nomeadamente das PME. Assim sendo, e tendo por base a conjuntura atual, é importante que se facilite às empresas o acesso ao seguro de crédito como forma de proteção contra eventuais incumprimentos de pagamento e insolvências", alega o diretor da multinacional espanhola, para quem "as empresas têm impreterivelmente que aumentar a sua vigilância e análise de riscos comerciais associados a cada um dos seus clientes de forma a sobreviverem, desenvolverem-se e a expandirem-se, sendo este último ponto uma das alternativas apontadas para a reanimação da economia". E é precisamente neste campo que as vantagens do seguro de créditos se tornam mais evidentes", afirma Paulo Morais. "2012 será um ano desafiante para as empresas que, mais do que nunca, acredito que não possam descurar os sistemas de gestão de risco de crédito ao cliente, de forma a diferenciarem as oportunidades de crescimento das ameaças, da morosidade e do incumprimento de pagamento e para o caso de maior dificuldade de cobrança ou mesmo de insolvência é crucial uma ‘almofada' para minimizar as potenciais perdas, evitando entrar em insolvência". ![]() ![]() |