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Opinião
O Futuro do Seguro de Créditos

18/05/10, 08:52
Berta Dias Cunha

No contexto da recente crise financeira, o tema do seguro de créditos está na ordem do dia. E com razão de ser.
  O Seguro de Créditos constitui um importante instrumento que protege as empresas contra o risco de incumprimento por parte dos seus devedores. Em situações de incumprimento tipificadas - como a insolvência ou a mora do devedor - o seguro indemniza a empresa tomadora do seguro em função dos prejuízos apurados e numa percentagem do crédito seguro.
Ora, na sequência da crise financeira, assistiu-se em todo o mundo a um aumento do número de falências e intervenções nas empresas, o que levou a que, a actividade das seguradoras de créditos ganhasse uma atenção crescente por parte dos agentes económicos. Por outro lado, também por toda a Europa, os governos cientes do papel deste instrumento na economia passaram a ter um maior envolvimento no Seguro de Créditos, nomeadamente com a criação de linhas de apoio ao crédito comercial, a exemplo do que aconteceu em Portugal.
A experiência recente da COSEC confirma uma maior procura do produto, porque as empresas estão conscientes que o risco continua muito elevado e volátil. As empresas procuram este produto não só pelas coberturas que concede, mas como instrumento de gestão para empresas que procuram alternativas (ou reforçar a sua presença) em mercados externos, designadamente em países de maior risco.
No final de 2008, de acordo com os dados da Associação Portuguesa de Seguros (APS), mais de 3.700 empresas portuguesas recorreram aos seguros de crédito como instrumento de gestão do seu risco de negócio, mitigando por esta via o risco de incumprimento da contraparte no pagamento dos bens ou serviços por elas fornecidos e obtendo de seguradoras especializadas informações sobre a qualidade creditícia dos seus clientes e, mais genericamente, dos mercados de destino das suas vendas.
Contudo, é bem mais amplo o universo empresarial que, de facto, beneficia destes seguros, correspondendo basicamente ao conjunto das entidades clientes destas 3.700 empresas seguradas. Nesta perspectiva, estima-se que cerca de 250 mil empresas estabelecidas em Portugal, 90% das quais PME's, tenham visto, assim, o seu risco de incumprimento garantido, em muitos casos com importância decisiva na viabilização dos seus negócios. No universo das cerca de 300 mil PME's activas no nosso país (número que não inclui empresas em nome individual), mais de 75% beneficia, portanto, do Seguro de Créditos como garante do crédito dos seus fornecedores.
A recente conferência de imprensa da International Credit Insurance & Surety Association (ICISA), sobre o papel do Seguro de Créditos numa recuperação frágil da crise económico-financeira, destaca também que durante a crise a procura do Seguro de Créditos aumentou consideravelmente com cerca de 1,8 triliões de euros de garantias concedidas, ao mesmo tempo que a taxa de sinistralidade das Seguradoras de Créditos atingiu valores elevados (cerca de 84%, contra os 40%-60% registados em média no pré-crise). Apesar dos valores elevados, as seguradoras de créditos conseguiram gerir o risco num ambiente difícil.
A conjuntura demonstrou assim a validade deste instrumento, que desempenha um papel fundamental na actividade económica enquanto elemento que institui confiança e segurança.
A evolução do seguro de créditos passará pelo fortalecimento da relação Segurado - Seguradora de Créditos através de uma maior partilha de informação e por uma maior adaptação às necessidades dos Segurados. O Seguro de Créditos permite flexibilizar as suas soluções, e torná-las adequadas à realidade do segurado, a nível de coberturas e ajuste efectivo entre prémio e risco assumido.
Acresce a estas medidas uma maior preocupação na transparência e partilha da informação entre os intervenientes no contexto da utilização deste instrumento e na criação de um sistema mais evoluído de monitorização do risco.
Resta salientar que com a globalização da economia, o papel do Seguro de Créditos é cada vez mais o de prestar uma consultoria de gestão de risco, sobretudo para as empresas que decidem expandir a sua actividade para os mercados de exportação.
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