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Luís Portugal: “Não há razão para não aumentar preços no seguro automóvel”

22/11/11, 01:00
Ana Santos Gomes / OJE

Com o ramo automóvel a registar um resultado de subscrição negativo de 27 milhões de euros em 2010, é impensável evitar a subida de prémios médios no ramo, garante Luís Portugal, partner da Actuarial. As seguradoras que não subiram preços em 2011 dificilmente poderão evitar a medida em 2012.

  O ramo automóvel registou um resultado de subscrição negativo de 27 milhões de euros em 2010, concluiu a análise anual do mercado de seguro automóvel da consultora Actuarial. Um resultado de subscrição tão negativo não era sentido em Portugal desde o ano 2002. A Actuarial atribui o fenómeno à consecutiva redução do prémio médio do seguro automóvel, que ficou 46% abaixo da inflação registada de 2001 a 2010. Também ainda o aumento da frequência de sinistros registado nos últimos anos em Portugal está associado à quebra nos resultados de subscrição.
A Actuarial estima agora que o capital em risco bruto das seguradoras no ramo Automóvel, antes de efeitos de diversificação com outros ramos e riscos, seja de 121 milhões de euros, o que representará 8,3% dos seus capitais próprios, traduzindo uma subida de 5% face ao ano anterior. Ao OJE, Luís Portugal explica o impacto que esta realidade pode ter no mercado segurador, sobretudo quando se aproxima a data de entrada em vigor da directiva Solvência II


A análise anual do mercado de seguro automóvel da Actuarial vem constatar que os valores cobrados pelas seguradoras já não são suficientes para cobrir as despesas do ramo. Como é que o mercado chega a este ponto?
A evolução para este ponto é fácil de explicar. Entre 2001 e 2010 houve uma quebra acentuada da frequência de sinistros em alguns anos. Essa quebra da frequência fez as seguradoras baixar os seus prémios médios. Mas neste momento, e desde há alguns anos, já estamos numa fase em que a frequência dos sinistros começou a subir, mas as seguradoras continuaram a baixar os prémios médios. Neste período, a quebra do prémio médio foi de 46%. É certo que há mais concorrência e outro tipo de canais de distribuição, mas sobretudo as seguradoras notaram que a frequência estava a cair e estavam a ganhar dinheiro com o ramo automóvel. E as companhias ganharam dinheiro durante muitos anos. Na óptica de resultados por ano de subscrição, as companhias ganharam até 2009. Agora, a frequência já voltou a subir, mas não passou ainda dos níveis que já teve no passado e o índice de gravidade das vítimas também caiu.
 
Não nos podemos esquecer que em 2005 entrou em vigor o novo Código da Estrada e o nosso modelo econométrico demonstra que isto reduziu a frequência de sinistros em cerca de um ponto percentual. Foi mais um factor a ajudar. Além disso, a velocidade de encerramento dos processos nas seguradoras também aumentou, pois as seguradoras perceberam que quanto mais depressa pagassem, mais barato lhes saía o sinistro.
 
Por outro lado, também temos que contar com a pluviosidade, que caiu bastante até 2007, em temos médios. Nós temos um índice de pluviosidade que nos diz a chuva em todo o país, ponderada pelo número de veículos em cada região, que nos permite acompanhar a pluviosidade para as seguradoras. E podemos verificar que há uma queda acentuada da pluviosidade que começou a inverter mais recentemente e sobretudo em 2010.


Sendo assim, a redução do prémio médio fez sentido, mas neste momento já não se justifica.
Neste momento deixou de fazer sentido. A euforia do meio da década tem vindo a desvanecer-se. Durante algum tempo as seguradoras tinham forma de compensar esse desvanecimento, mas neste momento já não há razão para não aumentar os prémios. Mesmo prevendo que a frequência de sinistros deste ano seja inferior à do ano passado. Neste momento já é complicado às seguradoras manterem esta situação.
 
Não é de hoje que os operadores reconhecem que o preço médio desceu durante mais tempo do que deveria e que a subida de preços é inevitável. Mas a realidade continuava a demonstrar uma tendência decrescente nas tarifas. As conclusões deste estudo poderão ser suficientes para inverter a política tarifária do ramo?
Estamos a fazer um alerta nesse sentido. Nós fazemos os nossos estudos, mas quem dá o peso devido a cada alerta é cada companhia per si, até porque a situação de cada companhia não é igual à do mercado. Algumas estão na média, outras acima ou abaixo. Há companhias que já iniciaram o movimento de subida de preços em 2011. Talvez outras o façam em 2012. Este ano já deixa de haver um afundamento do prémio médio. E em 2012 vai ser difícil não haver um movimento mais generalizado de subida dos prémios.

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