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Montepio
Sismo no Japão terá impacto global

18/04/11, 23:20
Ana Santos Gomes / OJE

O mercado segurador poderá estar já a retirar algumas lições do terramoto que sacudiu o Japão a 11 de Março, enquanto faz contas aos avultados prejuízos que terá de suportar. Mas as empresas de todo o Mundo que mantenham relações comerciais com empresas japonesas poderão também vir a ser gravemente afectadas nos seus fornecimento.
Mais de um mês passou sobre o terramoto de 11 de Março e a terra ainda não parou de tremer no Japão. Ao primeiro sismo de 9.0 graus na escala de Richter seguiu-se um tsunami e um número incalculável de abalos, intensificando o avultado volume de prejuízos que se acumularam ao longo das últimas semanas. As últimas projecções do governo japonês apontavam para 300 mil milhões de dólares de prejuízos, estando ainda por concretizar o número de vítimas que a tragédia causou.

As últimas semanas têm sido intensas no sector segurador, aquele a quem caberá responder por grande parte dos prejuízos causados pelos sucessivos sismos registados no Japão. Apesar de nos últimos anos terem acontecido vários terramotos de grande dimensão, como aqueles que abalaram o Haiti e o Chile em 2010, nenhum sismo de dimensões tão devastadoras tinha ainda atingido uma região tão industrializada e desenvolvida, onde a generalidade dos bens destruídos pela fúria da natureza estavam abrangidos por coberturas de seguros. Habitações, empresas, infra-estruturas públicas e vidas humanas foram arrasadas em poucos minutos e serão agora objecto de pedidos de indemnização a companhias de seguros de todo o mundo, com natural reflexo nas companhias de resseguro. E no sector, todos olham para o fenómeno com apreensão. "Até hoje estes eventos tinham afectado zonas densamente habitadas, mas muito pobres, nas costas da Tailândia e da Indonésia. No Japão, o desastre afectou uma zona densamente habitada também, mas com um peso económico brutal, traduzido não só no fornecimento de alimentos frescos a uma grande parte da população do Japão, Tóquio incluída, como também na manufactura de bens de consumo para a exportação", sublinha José António de Sousa, CEO da Liberty Seguros, em declarações ao OJE. "Trata-se provavelmente do maior sinistro em termos financeiros de que há memória e está por determinar o que poderá advir ainda do ‘dano colateral' ligado à central atómica de Fukushima", acrescenta o responsável da Liberty Seguros. E esta pode, precisamente, ser uma das principais lições a retirar da tragédia, enuncia José António de Sousa. "Não se deve permitir que factores de risco adicionais possam agravar significativamente o já de si catastrófico impacto de um terramoto ou tsunami. Ou seja, em zonas de exposição ao risco não se deveria permitir nunca que se construam centrais nucleares!", refere.

Ao OJE, José António de Sousa defende também que "a maior lição a tirar do evento no Japão é que os fenómenos da natureza são incontroláveis, dificilmente mensuráveis em termos de impacto, pois dependem fortemente das zonas onde se manifestam, e apresentam enormes desafios em termos de prevenção por um lado, e de preparo para os enfrentar, após acontecerem, por outro".

 

Estratégia deve ser preventiva

Há graves consequências do sismo que se alastram para todo o Mundo. A consultora de risco Marsh alertou já para a necessidade de as organizações se prepararem para a possibilidade de uma interrupção prolongada das suas cadeias de fornecimento ao nível global. "Milhares de empresas multinacionais, cujos produtos e serviços dependem de fornecedores japoneses, podem sofrer importantes interrupções nas suas cadeias de fornecimento, que podem durar meses e afectar as suas vendas", alega a Marsh.

Muitas das consequências económicas desta catástrofe só serão conhecidas mais tarde, uma vez que as prioridades imediatas no Japão vão para a vertente social. Ainda assim, é certo que nestes casos "estarão protegidas as empresas que têm a cobertura de fenómenos sísmicos, uma vez que os prejuízos resultam do risco de sismo", confirma José Pirra Alves, CEO da Marsh em Portugal, também em declarações ao OJE.

E quanto ao resto do Mundo, é hora de avaliar bem o impacto deste evento à escala global, tendo em conta o elevado número de empresas que já mantém transacções comerciais com o Japão. José Pirra Alves sugere a essas empresas "que se preparem para a possibilidade de uma interrupção prolongada das suas cadeias de fornecimento ao nível global, em resultado do sismo e do tsunami no Japão. Milhares de empresas multinacionais, cujos produtos e serviços dependem de fornecedores japoneses, podem sofrer importantes interrupções nas suas cadeias de fornecimento, que podem durar meses e afectar fortemente a sua operacionalidade e resultados", alerta. "Tendo em conta a nossa experiência recomendamos que desenvolvam o quanto antes uma estratégia de mitigação eficaz", avança o CEO da Marsh.

Os primeiros sectores a ser afectados serão o sector tecnológico, do aço e do automóvel, antevê a Marsh, seguindo-se todos aqueles que dependem dessas indústrias, como os fornecedores de tecnologia automóvel, dispositivos médicos, a energia solar, a construção naval, o sector da aviação e de bens electrónicos. Pirra Alves não duvida, no entanto, que "uma gestão eficaz sobre a sua cadeia de fornecimento, seja sobre os mercados de origem (os fornecedores em quem confiam), ou os de destino (os que compram os seus produtos), bem como uma clara análise dos pontos chave das suas cadeias com maior exposição ao risco, podem marcar a diferença entre a sobrevivência ou não de uma empresa".
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