SNS mais caro, seguro mais apetecível ![]() 24/01/12, 01:02 Poderá o aumento das taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde ter um impacto direto na evolução da procura de seguros de saúde em Portugal? Os operadores respondem e revelam as suas expectativas para o novo ano Muitos portugueses estarão já por esta altura a fazer contas às novas taxas moderadoras que o Serviço Nacional de Saúde está a implementar em todo o território nacional e a avaliar o esforço acrescido que tal poderá representar no seu orçamento familiar ao longo dos meses. Alguns portugueses perdem isenções antigas, outros, que já habitualmente estavam sujeitos ao pagamento de taxas moderadoras, veem agora a tabela do SNS ditar-lhes custos mais avultados em cada recurso aos prestadores de cuidados de saúde, adicionando até custos anteriormente inexistentes para alguns procedimentos clínicos. Para os 2 milhões de portugueses que já beneficiam de um seguro de saúde, e que, nessa condição, podem aceder a cuidados públicos e privados de saúde, a comparação começa agora a ser mais evidente e a influenciar possíves decisões de outros portugueses a quem relatem as suas experiências. É que para alguns atos médicos, o acesso ao prestador público de cuidados de saúde é mais caro ou de preço muito semelhante ao do acesso ao prestador privado, através de um seguro de saúde. É certo que a esta conta deverá ser adicionado o custo do próprio seguro, que cobra um prémio anual, mas que, em contrapartida, garante o acesso a índices de rapidez e conforto teoricamente mais elevados. É na conjugação de todos estes fatores que o mercado de seguros de saúde se apresenta, nesta altura, num estado peculiar de evolução, não sendo, para já, evidente qual será a sua evolução imediata. Por um lado, lembra Maurício Oliveira, administrador da Açoreana, que "o cenário macroeconómico não é positivo e perspectiva uma redução do poder de compra da população em geral, face à tendência crescente de custos no sistema de saúde público, nomeadamente o aumento das taxas moderadoras e a redução de comparticipação dos subsistemas". No entanto, apesar disso, o administrador da Açoreana acredita que "a procura do seguro de saúde em Portugal continuará a ter um crescimento positivo durante o ano 2012". Por outro lado, lembra Pedro Esperto, diretor de Marketing da Médis, que "as taxas moderadoras são na sua essência uma forma de moderação do consumo, enquanto os copagamentos têm natureza diversa, traduzindo-se numa comparticipação da pessoa segura nos custos, associada à mutualidade dos seguros". A partir daqui, o responsável da Médis traça alguns cenários. "De acordo com o que foi divulgado pelos organismos oficiais, o aumento das taxas moderadoras não terá influência na acessibilidade aos serviços, existindo, sim, uma recondução dos clientes para os cuidados de saúde primários. Se tal não se verificar, ou seja, num eventual cenário de dificuldade na acessibilidade, associado à aproximação dos valores das taxas moderadoras aos copagamentos dos seguros, poderá existir uma ponderação de custo/benefício por parte do consumidor. No entanto, esta ponderação, não será dissociável de todas as mais-valias dos seguros". Igualmente contactada pelo OJE, Rita Sambado, diretora de Marketing da Fidelidade Mundial e Império Bonança, acredita que muitos portugueses sentir-se-ão tentados a procurar no sistema privado uma resposta a esta subida das taxas moderadoras. "O recuo da participação do Estado na área da saúde vai levar à procura de formas alternativas de manter o acesso a cuidados de saúde de qualidade. A aproximação dos valores das taxas moderadoras aos copagamentos de um seguro de saúde poderá ser um factor decisor para a compra de um seguro". E Rita Sambado sublinha precisamente que "aliado aos valores agora cobrados em instituições clínicas estatais estão também os acessos e os tempos de espera que, em unidades médicas privadas podem ser substancialmente inferiores". Fidelização e inovação Perante todos estes cenários, com que expectativas entram os operadores no novo ano? "Apesar de estarmos longe dos valores de crescimento a dois dígitos de um passado recente, em Novembro de 2011 os prémios de seguro direto do ramo Doença cresceram 2,3%, demonstrando a vitalidade do ramo, no atual contexto económico adverso", constata Pedro Esperto, da Médis. Por isso, "as expectativas para 2012 são, assim, de crescimento moderado face à conjuntura", alega. "Continuaremos a investir no enriquecimento da proposta de valor Médis, seja pela via da abrangência das coberturas, seja pela via do servicing e da comodidade. Esta estratégia de proximidade reflete o grande enfoque na fidelização de clientes que 2012 irá exigir", antecipa o diretor de Marketing da Médis, acrescentando que "a aposta na proximidade passará também necessariamente pela conveniência, o que abrange novos canais, novas formas de estar presente quando é necessário. Inovação e qualidade serão a chave para captação de novos clientes em 2012". Na Açoreana, do grupo Banif, Maurício Oliveita acredita que "este mercado terá uma evolução positiva em termos de número de clientes porque apresenta a alternativa no acesso aos cuidados médicos privados". Relativamente aos resultados de exploração deste ramo de seguro, o administrador da Açoreana antecipa que "a tendência será certamente um crescimento nos sinistros pagos, com consequente redução da margem técnica". Rita Sambado, por seu turno, não hesita em realçar o papel que o mercado segurador pode desempenhar em 2012 no contexto económico nacional. "A capacidade de resposta às necessidades crescentes de saúde da população será o grande desafio do mercado segurador. Já não é possível continuar com níveis crescentes de despesas de saúde e com o correspondente desequilíbrio das contas públicas. Para reverter esta situação, o Estado contará naturalmente com as seguradoras, no sentido de disponibilizarem soluções abrangentes e com os cidadãos no sentido de investirem na sua saúde, adoptando uma postura de prevenção". É com estas palavras que a responsável do grupo Caixa Geral de Depósitos considera "decisivo fomentar a auto-sustentabilidade individual, promovendo a ‘poupança para a saúde'". Para Rita Sambado, "o futuro do sector passará, assim, por eixos de actuação fundamentais: inovação tecnológica, que vai permitir uma melhoria da rentabilidade, considerando os elevados níveis das taxas de sinistralidade e a aposta na prevenção, pois os custos associados são genericamente inferiores aos custos no tratamento da doença". Alega ainda a diretora de Marketing da Fidelidade Mundial e Império Bonança que "apesar de tudo, os clientes percepcionam o seguro de saúde como uma mais-valia significativa na sua qualidade de vida e estão dispostos a manter este benefício como complementaridade ao Serviço Nacional de Saúde". ![]() ![]() |