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“Exportar tornou-se um imperativo para as empresas portuguesas”
Intermail
10/02/09, 09:49
Almerinda Romeira

No difícil contexto de um mercado nacional maduro, a exportação surge como hipótese de promover o crescimento das empresas. O 14º SISAB - Salão Internacional do Vinho, Pescado e Agro-Alimentar, administrado por Carlos Morais, arranca hoje com um milhar de compradores de 80 países. Número recorde, apesar da crise.

                                            



A partir de hoje e durante três dias, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, 400 empresas nacionais mostram os seus produtos e marcas a mais de mil compradores estrangeiros. O esforço da organização para diversificar os mercados exportadores teve eco em países como a Índia, Líbia e Marrocos que, pela primeira vez, participam no SISAB - Salão Internacional do Vinho, Pescado e Agro-Alimentar.

 

No que consiste o SISAB?
O SISAB é actualmente a maior feira nacional e internacional exclusivamente dedicada à promoção de produtos e marcas portuguesas. É um ponto de encontro entre as empresas portuguesas do sector e um imenso conjunto de agentes económicos e compradores internacionais que vêem a Portugal apenas para conhecer, degustar e comprar os melhores sabores do sector agro-alimentar que se produzem em Portugal.

 

Quantos expositores conta e de onde são?
De Portugal são à volta de 400 das maiores empresas do sector que se irão encontrar com cerca de um mi-lhar de compradores internacionais vindos de mais de 80 países.

 

O que representa esse número, face a 2008?
Apesar de estarmos a viver a nível mundial a pior crise dos últimos 70 anos, este número representa um acréscimo da ordem dos 22% de participantes no seu todo relativamente ao ano passado.

 

Como disse, esta edição realiza-se num momento particularmente difícil da economia. Onde é que o salão  pode ser um factor de dinamismo?
O SISAB é basicamente uma grande porta de saída para as empresas portuguesas que pretendem exportar. No difícil contexto de um mercado nacional absolutamente maduro e quase diria esgotado, a exportação surge como hipótese única para que se promova o crescimento das empresas. Ora o SISAB não é uma feira como as outras onde apenas se "vende" espaço de exposição. O SISAB promove efectivamente encontros de negócios, fruto da apresentação "cara a cara" entre os empresários portugueses e os futuros parceiros que vêm a Portugal expressamente para fazer negócios. Ninguém viaja 6, 8 e mais horas de avião, para vir a Portugal apenas passear tranquilamente por uma exposição de produtos. Por isso o SISAB cria oportunidades únicas que as empresas reconhecem.

 

 ... está a querer dizer que a crise económica pode ser uma oportunidade para as empresas e os produtos portugueses? Em que medida?
Como é sabido, o sector agro-alimentar é daqueles que mais resiste a uma crise económica e por isso cria sempre novas oportunidades porque a natural retracção dos mercados leva sempre à procura de novos fornecedores e parceiros. A indústria agro-alimentar tem crescido muito em Portugal, principalmente a nível da qualidade o que a leva a tornar-se cada vez mais competitiva a nível mundial. Por isso é preciso, cada vez mais, descobrir novas parcerias e negócios que conduzem, naturalmente, a novas oportunidades de negócio. O SISAB existe para criar esta plataforma negocial entre as exportadoras e o estrangeiro,

 

Qual o impacto do abrandamento da economia europeia nas exportações portuguesas dos produtos agro-alimentares e de bebidas?
É evidente que o abrandamento da economia europeia terá inevitavelmente alguma repercussão nas exportações portuguesas. Por isso mesmo é que o SISAB não é um evento estático que aguarda passivamente a vinda de visitantes, mas antes faz um trabalho personalizado e diferente de ano para ano no âmbito da busca dos mercados mais interessantes para a nossa realidade. Para este ano, por exemplo, a organização reforçou os contactos com mercados emergentes na Ásia (China, Japão, Singapura, Hong Kong e Macau) PALOP e nos países do Magrebe (Marrocos, Tunísia, Líbia) para além daqueles cuja presença está já consolidada em termos de participação anual no SISAB. Esta é a  grande fórmula de sucesso deste evento.

 

A diversificação é uma questão de sobrevivência para as empresas exportadoras?
Eu não falaria de sobrevivência, mas de crescimento. De qualquer modo num mundo global e cada vez mais competitivo, não crescer pode ser a médio prazo uma questão de sobrevivência. Diga-se, no entanto, que neste sector do agro-alimentar o crescimento sobretudo ao nível da qualidade tem sido notável e por isso os produtos portugueses já não são "ilustres desconhecidos", e começam a despertar muita curiosidade no mundo. Quer dizer que o potencial existe, falta apenas ser trabalhado. É precisamente aí que se tem situado o SISAB ao dar às empresas a capacidade do conhecimento de novos mercados e estabelecimento de algumas parcerias interessantes.

 

Quais os novos mercados que poderão ser trabalhados pelas exportadoras? Porquê?
A organização ao longo deste ano esteve em acções de promoção e divulgação em cerca de meia centena de mercados. Em todo o lado encontra a mesma curiosidade e confiança no produto português, por isso as empresas têm de acreditar no seu  potencial, acreditando também que com uma ajuda podem chegar onde provavelmente nunca imaginaram. Nós SISAB somos cada vez mais essa ajuda.

 

Quais são os principais factores de competitividade das exportadoras na área da alimentação e bebidas?
O primeiro e decisivo factor será sempre a qualidade e a fiabilidade. Depois é fundamental escolher com rigor os canais para promover e divulgar essas qualidades intrínsecas aos produtos. A correcta gestão das marcas é também outro factor muito importante. Todo este trabalho o SISAB tem desenvolvido junto das empresas, promovendo, apoiando, aconselhando e sobretudo criando as condições para que quando se chega ao SIBAB se tenha a sensibilidade e o conhecimento específico dos diversos mercados e daquilo que eles esperam das empresas presentes.

 

Quanto é que as empresas presentes no SISAB representam em termos das exportações portuguesas?
Na edição de 2007, as estatísticas asseguravam que os produtos representados naquela edição do SISAB tinham crescido um "número fantástico" de 25,9%. Na mesma altura, o secretário de Estado da Agricultura, Luis Vieira afirmava que o mesmo sector representava 2.000 milhões de euros em termos de exportação, o que significava 7% do total das exportações.

 

Que resultados apresentam 14 edições do Salão?
O evento conta com o alto patrocínio do Senhor Presidente da República, o que mostra bem a importância que lhe é reconhecida na promoção do sector em Portugal. Além disso, o facto da maioria das empresas participantes o serem desde a primeira hora mostra bem o seu nível de satisfação. O SISAB tem-se distinguido também nas parcerias que proporciona e que têm permitido a algumas empresas portuguesas estabelecerem-se em países estrangeiros com projectos próprios. Já permitiu também a criação de novas empresas portuguesas no estrangeiro que deram os primeiros passos neste evento. Parece-me que em termos de resultados as 13 edições foram bastante positivas e permitem-nos encarar o futuro com confiança.

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