08/02/10, 18:19
A Águas de Portugal detém uma maioria de 73% na Águas de Moçambique, consórcio que opera a rede de abastecimento de água nas cidades de Maputo, Matola e distrito de Boane, na província de Maputo, sul de Moçambique.
Os remanescentes 27% são detidos por accionistas privados moçambicanos.
O Governo moçambicano já anunciou que pretende ver o sector privado do país a assumir uma posição predominante na Águas de Moçambique a partir de 2014, ano em que termina o contrato com a Águas de Portugal.
A gerir o sistema desde 1999, a Águas de Portugal diz que cumpriu metade das suas obrigações para com o Governo moçambicano e irá terminar a missão em 2014 com 100% de desempenho.
"Aumentámos mais de 50% o número de contratos e temos agora cerca de 120.000 clientes. Se se multiplicar esse número por cinco, que é o agregado médio das famílias moçambicanas, então temos cerca de 600.000 pessoas a beneficiar directamente da rede em toda a região do Grande Maputo", disse hoje à agência Lusa Manuel Thomaz, administrador delegado da Águas de Moçambique.
As perdas de água devido à infra-estrutura obsoleta da rede de abastecimento diminuíram cerca de 12% e a facturação está mais eficiente, acrescentou Manuel Thomaz.
Apesar de a população da capital moçambicana e arredores ser estimada em dois milhões de habitantes, o administrador delegado da Águas de Moçambique explicou que o raio de cobertura da rede gerida pela empresa no âmbito do contrato é muito limitado.
Além de operar a rede na região do Grande Maputo, a Águas de Portugal prestou assistência técnica aos operadores do sistema de abastecimento de algumas cidades moçambicanas.
Manuel Thomaz apontou o atraso na realização de investimentos nas infra-estruturas de abastecimento, a cargo do Governo central, como factor para o fraco ritmo registado no desenvolvimento da rede de abastecimento de água no Grande Maputo.
"Mas há um forte investimento que está a ser realizado na rede, na perspectiva de se atingir pelo menos 70% da população até 2015, como prevê o Governo", sublinhou o administrador delegado da Águas de Portugal.
O abastecimento de água a Maputo conheceu ao longo do mês de Janeiro alguns problemas, que a empresa justificou com o corte de energia eléctrica a uma das estações de tratamento. A questão foi tema constante na imprensa moçambicana.


