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Cabo Verde é case study, diz ONU
África
20/09/10, 10:32
OJE/Lusa

Cabo Verde é um case study e a comunidade internacional vai estar com os olhos postos no arquipélago quando o primeiro-ministro cabo-verdiano entrar na reunião sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), a realizar nos EUA entre 20 e 22 de Setembro.

 

A frase é da coordenadora residente do Sistema das Nações Unidas em Cabo Verde, a sueca Petra Lantz, que, pelo telefone, lembrou à agência Lusa a "máxima" que começou a ser usada nos meios diplomáticos internacionais em relação a Cabo Verde: "no resources, no problems" ("sem recursos, sem problemas").

 
"É, de facto, um país único. Está no caminho correcto e tem a certeza do dever cumprido. Muitos outros, com recursos naturais, estão longe de alcançar os resultados cabo-verdianos", disse Petra Lantz, referindo-se ao cumprimento dos oito objectivos internacionalmente traçados pelas Nações Unidas, adiantando que Cabo Verde está prestes a cumpri-los.

 
"Poucos países estão no ponto de Cabo Verde, país que deve sentir-se orgulhoso com os resultados", sublinhou a responsável da ONU na Cidade da Praia, avisando porém que há ainda muito caminho a percorrer e que as autoridades locais não devem perder de vista os problemas que ainda subsistem, "e que são muitos".

 
O desemprego (13%, segundo a nova metodologia do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) cabo-verdiano, 23% de acordo com o método antigo) é, no entender de Petra Lantz, o ponto "menos bom", a par das preocupações ambientais, das energias renováveis, as disparidades regionais, água e saneamento.

 
Numa análise objectivo por objectivo, Petra Lantz salientou a questão da erradicação da pobreza extrema e da fome, lembrando que, segundo os dados mais recentes, Cabo Verde conseguiu reduzir a percentagem da população mais pobre de 49%, em 1990, para 26% em 2007, e "talvez" para 24% em 2009.

 
Em relação à fome, no mesmo período, desceu-se de 22 para 13%, "o que é extraordinário", disse, ressalvando, porém, que ainda há muitas pessoas a viver na pobreza.

 
A educação primária universal, segundo objectivo, está a níveis do "primeiro mundo", pois existe uma taxa de escolaridade "de mais de 90%", quando em 1990 era apenas de 72%.

 
A evolução da promoção da igualdade do género, terceiro objectivo, é, para Petra Lantz, "muito interessante", pois, por exemplo, há mais mulheres do que homens no Governo, embora no Parlamento a subida entre 1990 e 2010 tenha ficado aquém das expectativas (subiu de 11 para 21%). "Há ainda muito a fazer noutras áreas", sublinhou.

 
"Muitos parabéns a Cabo Verde" foi a forma como Petra Lantz comentou o caminho seguido pelo país para cumprir o quarto e quinto objectivo, a redução da mortalidade infantil e a melhoria da saúde materna.

 
Tendo como base as estatísticas, Petra Lantz lembrou que a taxa de mortalidade infantil em Cabo Verde é "desproporcional", uma vez que o índice tem em conta nascimentos por cada 100.000 habitantes. "Cabo Verde não é a Nigéria e não tem um grande número de nascimentos". Mesmo assim, acrescentou, a taxa desceu de 56 mortes de crianças até aos cinco anos por cada 100.000 partos para 21 já em 2010, "o que mostra o empenho e determinação" das autoridades cabo-verdianas, "que têm margem para a descer ainda mais".

 
Em 1995 morreram 95 mães por cada 100.000 partos e, em 2007, o número baixou para 16. "O atendimento melhorou, a assistência médica, há mais hospitais e centros de saúde e as parteiras foram alvo de formação. Tudo está a resultar", sustentou.

 
Outro "objectivo atingido" é o do combate à SIDA, malária e outras doenças, o sexto dos ODM, porque Cabo Verde conseguiu suster a evolução das doenças, mantendo, por exemplo, a taxa de infecção com o vírus do HIV estabilizada em 0,7% há vários anos.

 
"Não subiu, o que já em si é bom. Há acesso a medicamentos e atenção à transmissão mãe/filho. A malária também se reduziu e a tuberculose também. Está no bom caminho", ressalvou.

 
O assegurar da sustentabilidade ambiental, sétimo objectivo, está também a evoluir, devido aos programas e planos traçados por Cabo Verde, mas o país terá de investir mais em energias renováveis, captação de água potável e saneamento. Segundo Petra Lantz, em 1990 apenas 40% da população tinha acesso a água potável, em 2007 subiu para 90%, mas a "inconsistência" no abastecimento é ainda deficiente.

 
A última meta está praticamente atingida, uma vez que o desenvolvimento de uma parceria global para o desenvolvimento está patente nas relações que Cabo Verde tem vindo a desenvolver, pois, apesar de ser já um país de rendimento médio, ainda continua a necessitar de assistência financeira internacional.

 
"Cabo Verde pode atingir todos os objectivos até 2015 e o mundo deve estudar o país que, sem recursos, recorrendo à boa governação e gestão de fundos, conseguiu demonstrar que o desenvolvimento é possível", concluiu.

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