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Desaparecimento da Zona Euro seria uma "bomba" para a economia, diz PM de Cabo Verde
África
05/12/11, 11:46
OJE/Lusa

Um eventual desaparecimento da Zona Euro seria uma "bomba atómica", uma vez que desestruturaria toda a economia mundial, afirmou o primeiro-ministro de Cabo Verde.
 
"O desaparecimento da Zona Euro seria uma bomba atómica para a economia mundial. Desestruturaria tudo em termos económicos. Estamos num momento de construção de uma nova era, que pressupõe que a Europa se mantenha como uma força económica muito grande, sustentada no euro", disse José Maria Neves.
 
O chefe do executivo cabo-verdiano falava aos jornalistas após uma conferência, de quase três horas, realizada pelo antigo chefe da diplomacia de Portugal Luís Amado, subordinada ao tema "O Futuro da Zona Euro: Implicações Estratégicas para a África Ocidental e para Cabo Verde".
 
"Estamos a analisar todos os cenários e a construir soluções alternativas. Queremos que o euro continue forte, como um instrumento importante de crescimento e competitividade da Europa e que Cabo Verde continue ancorado ao euro", sublinhou. No seu entender, no caso de situações mais complexas, como um eventual desaparecimento da Zona Euro ou de uma sua profunda recomposição, Cabo Verde "terá de tomar medidas adicionais" na política cambial.
 
Cabo Verde assinou, em 1997, um acordo cambial com Portugal que, em virtude da criação do Euro, em 2002, ficou depois indexado à moeda europeia, sendo o Tesouro português a garantir a paridade e a convertibilidade do escudo cabo-verdiano. José Maria Neves afirmou-se "preocupado, mas não assustado" com o futuro da Zona Euro e, além do estudo para encontrar soluções alternativas caso se dê o colapso da moeda europeia, insistiu na ideia de criação de um pacto político e social.
 
Sobre quais serão as alternativas, José Maria Neves lembrou a localização estratégica do arquipélago, em pleno meio do Atlântico, próximo de três continentes - Europa, África e América -, que tem permitido diversificar as relações.
 
"Queremos transformar Cabo Verde num centro internacional de serviços, num "país ponte" entre os continentes, transformando-o numa fonte de competitividade para a nossa economia", explicou, dando como exemplos as novas relações com Brasil, Angola, China, Índia, África do Sul, Marrocos, Mauritânia, Japão e Golfo Pérsico.
 
"Cabo Verde não tem outra alternativa senão transformar as suas vantagens comparativas em fontes de vantagens competitivas, inserir-se de forma competitiva no espaço da CEDEAO, ter uma política de grande vizinhança e manter relações privilegiadas com a UE, no seu todo", concluiu.
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