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Dívida de Cabo Verde é "sustentável"
África
10/11/11, 12:48
OJE/Lusa

O primeiro-ministro de Cabo Verde diz que a dívida cabo-verdiana é "diferente" da dos países europeus, uma vez que é maioritariamente concessional, a pagar no longo prazo.
 
José Maria Neves falava ontem à imprensa no final de três encontros com as forças políticas com assento parlamentar no âmbito da ronda de contactos com vista a encontrar soluções consensuais para minimizar os efeitos da crise financeira no arquipélago.
 
Respondendo às críticas de Carlos Veiga, líder do Movimento para a Democracia (MpD, oposição), José Maria Neves explicou que a dívida cabo-verdiana, que atinge 80,1% do Produto Interno Bruto (PIB - 60% externa e 20,1% interna), é "diferente da de Portugal, Grécia ou Irlanda".
 
"Cabo Verde sempre foi acompanhado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e pelo Banco Mundial (BM). Nós consideramos que a dívida está dentro do perímetro de sustentabilidade. Não há riscos em relação à sua sustentabilidade. A dívida de Cabo Verde é diferente da Grécia de Portugal ou da Irlanda".
 
"A nossa é de longo prazo e concessional, o que quer dizer que pagaremos daqui a 25/30 anos. O que estamos a fazer é acelerar o ritmo de crescimento para poder, nessa altura, pagar e assumir os nossos compromissos, na linha do que apontam as análises do FMI, do BM e dos principais parceiros de Cabo Verde", explicou.
 
O chefe do executivo cabo-verdiano considerou que, apesar de haver maior prudência relativamente ao endividamento do país, o governo vai continuar a fazer os investimentos necessários para que o arquipélago possa crescer e modernizar-se.
 
Energia, água, agricultura modernização de infra-estruturas e investimentos nos transportes são, segundo José Maria Neves, "essenciais" para o crescimento do país.
 
O chefe do governo assegurou que o governo tem vindo desde 2007 a tomar medidas para fazer face à crise internacional, que, admitiu, tem tido reflexos na economia cabo-verdiana.
 
Entre as precauções tomadas, apontou a redução da carga fiscal, nomeadamente os impostos que baixaram de 25 para 15% e a isenção de impostos nos cereais, a fim de permitir que os preços subissem de forma muito mais lenta do que o aumento exponencial registado no plano internacional.
 
Para José Maria Neves, as medidas preventivas servem para "evitar" que a agudização da crise internacional crie problemas "mais graves" em Cabo Verde.
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