Agir, inovar e modernizar a agricultura e a forma de trabalhar a terra são os ensinamentos que se podem tirar do projecto de Vinha de Maria Chaves, desenvolvido pela Associação de Solidariedade e Desenvolvimento (ASDE) na Ilha do Fogo.
Esta afirmação foi proferida domingo pelo presidente da República, Pedro Pires, na inauguração do projecto Vinha de Maria Chaves, que tem como mentor o padre Octávio Fassano.
Pedro Pires defendeu a necessidade de banir as palavras "apoio" e "carenciado", segundo ele, expressões mais utilizadas em Cabo Verde, e acabar com a dependência do assistencialismo, de modo a ter um espírito empreendedor e acreditar que é possível fazer as coisas.
O chefe de Estado entende que se deve multiplicar a experiência da Vinha de Maria Chaves e estimular os emigrantes para que utilizem os seus recursos na modernização da agricultura. Pedro Pires reconhece, por outro lado, que o projecto vai contribuir para a modernização da agricultura no Fogo e em Cabo Verde, anotando que a ilha tem todas as condições para o desenvolvimento do sector de fruticultura para exportação para as outras ilhas mas, para tal, é necessário modernizar também o sistema de transporte marítimo.
O ministro do Ambiente, Desenvolvimento Rural e Recursos Marinhos (MADRRM), José Maria Veiga, além de destacar a contribuição do seu Ministério na implementação do projecto, advogou que se deve apostar numa agricultura especializada e com alto valor económico à semelhança da Vinha de Maria Chaves. "Podemos transformar a terra árida e faze-la produzir", disse José Maria Veiga, salientando que o Governo pretende desenvolver com Itália projectos do género de maior envergadura e com múltiplas facetas na área de agricultura.
Para o II compacto do MCA, o MADRRM vai priorizar para a ilha do Fogo a mobilização de água a grande altitude, associado a energias renováveis, para a sua distribuição por sistema de gravidade e transformação das zonas agrícolas de modo a contribuir para a segurança alimentar em Cabo Verde.
O mentor da Vinha de Maria Chaves, Padre Octávio Fassano, disse que o projecto exige ainda muita responsabilidade e alta tecnologia para a transformação numa actividade lucrativa, anotando que os lucros destinam-se a financiar projectos de carácter social em Cabo Verde (Fogo e Santiago) e em São Tomé e Príncipe.