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Governador do Banco de Cabo Verde prevê abrandamento da economia
África
04/11/11, 11:23
OJE/Lusa

O governador do Banco de Cabo Verde (BCV) considera que a economia cabo-verdiana deverá continuar a crescer apesar da crise internacional, mas a um ritmo "mais moderado".
 
Nesse sentido, Carlos Burgo, que falava à saída de um encontro com o primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, recomendou a adopção de medidas de contenção nas despesas públicas para prevenir os possíveis efeitos da crise na Zona Euro em Cabo Verde.
 
No encontro, destinado a discutir os efeitos da crise na economia cabo-verdiana, Carlos Burgo disse não ver "ameaças tão sérias" que possam pôr em causa a continuidade do crescimento do país e defendeu que o crescimento da economia cabo-verdiana depende, neste momento, sobretudo da venda de serviços ligados ao Turismo.
 
"Creio que podemos contar com a continuidade na demanda do Turismo para Cabo Verde, mas será preciso melhorar cada vez mais a qualidade do serviço que o país oferece nesse domínio", avançou.
 
Para o governador do banco central cabo-verdiano, o impacte mais significativo da crise mundial faz-se sentir no Investimento Directo Estrangeiro (IDE), já que, nesse sector, o financiamento será "muito difícil" nos tempos mais próximos.
 
"Acredito que, melhorando a competitividade e fazendo reformas estruturais, o país poderá enfrentar melhor o contexto internacional menos favorável", disse.
 
Sobre o estado da banca cabo-verdiana, Carlos Burgo garantiu não existir qualquer problema, já que, no seu entender, Cabo Verde tem um sistema financeiro "bastante sólido". Segundo o governador do BCV, os testes feitos aos bancos comerciais permitiram concluir que estas instituições financeiras oferecem solidez, funcionam bem e a qualidade dos serviços vem melhorando.
 
"Os cabo-verdianos não têm razões sérias para terem receios em relação ao sistema financeiro. A procura da moeda cabo-verdiana continua muito forte, o que traduz a confiança na economia do país", realçou.
 
Sem querer revelar as medidas concretas de contenção da despesa pública discutidas com José Maria Neves, o governador do BCV avançou apenas que o país irá precisar de utilizar "da melhor forma" os recursos públicos disponíveis.
 
"Quaisquer medidas que forem necessárias para consolidar e reforçar a solidez das finanças públicas serão compreendidas pelos cabo-verdianos que, diariamente, assistem ao que se passa nos países europeus, nomeadamente em Portugal", admitiu.
 
Carlos Burgo, porém, afastou a ideia de um agravamento dos impostos e da subida das taxas de juro nos próximos tempos.
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