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Leilões e adjudicações de blocos petrolíferos em São Tomé param até 2015
África
08/11/11, 18:28
OJE/Lusa

Os leilões e adjudicações de blocos petrolíferos na Zona Económica Exclusiva (ZEE) de São Tomé e Príncipe deverão ficar parados pelo menos até 2015, disse à Agência Lusa o primeiro-ministro são-tomense, Patrice Trovoada.
 
"Estou convencido de que não haverá mais leilões (de blocos petrolíferos) antes de 2015 e novas adjudicações, só se eu tiver alguém que venha propor ao governo uma negociação directa que mereça a nossa atenção", afirmou Patrice Trovoada
 
O líder do executivo são-tomense põe um fim definitivo ao primeiro leilão na Zona Económica Exclusiva de São Tomé e Príncipe, lançado ainda pelo anterior governo - um processo ao qual o próprio Patrice Trovoada deu continuidade quando tomou posse.
 
Dos seis blocos colocados naquele leilão apenas um foi adjudicado, em Maio passado, à companhia nigeriana Oranto Petroleum. "Embora a participação (no leilão) não tenha sido a que estávamos à espera, tivemos o cuidado de olhar e (...) ver aquela que mais poderia fazer", esclareceu.
 
"Demos um bloco ao mercado, vamos ver como ele se vai comportar. E, na zona conjunta (com a Nigéria), se daqui por dois ou três anos São Tomé e Príncipe começar a aparecer como país produtor é evidente que o interesse voltará a subir. E isto quer dizer que a valorização dos nossos activos será melhor, depois veremos", prosseguiu.
 
"A lei permite-nos, se um leilão não foi conclusivo, irmos para negociações directas", lembra o líder do executivo são-tomense.
 
Mas, salienta, "quem fala é a geologia. E hoje onde a geologia tem alguma atractividade é na zona conjunta com a Nigéria".
 
"Tivemos adjudicações já há alguns anos e a única empresa que me parece chegar à descoberta e à produção é a Total, no Bloco 1. O que nos dá uma esperança de em 2015 ou 2016 começar a produzir naquele bloco. As outras empresas têm que começar a fazer mais trabalho, na zona económica com a Nigéria, temos que começar a pressionar essas empresas para trabalharem, porque elas têm um prazo para investir e fazer dois a três poços. E a verdade é que se relaxou um pouco a pressão sobre essas empresas (...)", referiu.
 
Voltando à ZEE de São Tomé e Príncipe, é "completamente desconhecida" do ponto de vista geológico. "E é um bocadinho prematuro estarmos a pensar que essa zona de repente vai poder dar resultados", afirmou o primeiro-ministro e líder do partido ADI - Acção Democrática Independente.
 
Sobre a possibilidade de haver negociação directa de blocos até 2015, na ZEE de São Tomé, o primeiro-ministro diz que "depende" muito da proposta.
 
Contudo, sublinha, "se uma Chevron, uma Petrobras e outras empresas que têm tecnologia, capacidade e meios financeiros não apareceram no leilão é por uma boa razão. Se empresas estatais, como a Sonangol, que é nosso parceiro e amigo, não apareceram no leilão é por uma boa razão. Significa que para elas as condições mínimas de atractividade geológica (na ZEE) ainda não são suficientes".
 
Por isso, Patrice Trovoada, diz que prefere não contar com o petróleo para o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe.
 
"O petróleo é um bónus. Então eu concebo um desenvolvimento sustentável de São Tomé e Príncipe sem petróleo. Mas não esqueço que estou inserido num espaço económico que produz cinco milhões de barris de petróleo por dia e isso também significa algo para a economia são-tomense (...)". Estou a contar com o petróleo dos outros e com uma população que está à volta de São Tomé e Príncipe de 344 milhões de consumidores", concluiu.
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