Os transportes públicos continuam hoje sem funcionar em Maputo, obrigando milhares de pessoas a ter de andar a pé, e o comércio mantém-se encerrado, apesar da ausência de violência na capital moçambicana.
Um dia depois dos violentos confrontos entre a polícia e manifestantes, que em protesto contra o aumento do custo de vida cortaram os acessos a Maputo e várias ruas dentro da capital, a situação é de calma no início da manhã.
Nos bairros periféricos, onde na quarta-feira se registou a maior violência, não há hoje confrontos e regista-se forte presença policial nalguns locais, como constatou a Lusa.
Em alguns locais a polícia está a tentar desimpedir as vias, cobertas de lixo e que se mantém cortadas com as barricadas colocadas quarta-feira.
A Lusa não testemunhou hoje qualquer acto de pilhagem ou de confrontos entre polícia e população.
Às 07:00, com algumas vias já desimpedidas, o trânsito é muito escasso mas as pessoas circulam a pé. No entanto, as duas principais estradas de acesso a Maputo continuam intransitáveis.
O Presidente de Moçambique, Armando Guebuza, considera que os moçambicanos foram "usados" nas manifestações e apelou à "calma e serenidade" da população, garantindo que o Governo "continuará a trabalhar para assegurar o retorno à normalidade da vida", disse ontem em comunicação ao país.
Num discurso à nação, esta noite, Armando Guebuza disse que os "compatriotas que são usados nesta agitação estão exactamente a contribuir para trazer luto e dor no seio da família moçambicana e para o agravamento das condições de vida dos nossos concidadãos".
"Lamentavelmente, em vez de uma manifestação pacífica e ordeira assistimos a manifestações que se saldaram em óbitos e em feridos graves e que também resvalaram para cenas de vandalismo, bloqueio de vias de acesso e destruição e saques de bens", disse Armando Guebuza.
O chefe de Estado moçambicano lamentou "a perda de preciosas vidas humanas e a destruição de bens públicos e privados" durante os protestos, "uma situação agravada por fatores externos que incluem a crise financeira, de alimentos e a subida dos preços dos combustíveis" no mercado internacional.
"O Governo está consciente da situação que vive o nosso povo, uma situação agravada por factores externos que incluem a crise financeira e de alimentos e a subida dos preços dos combustíveis", referiu no discurso à nação.