Moçambique produz apenas 5% das 437.000 toneladas de farinha de trigo que consome anualmente, anuncia o ministro da Agricultura, no dia em que o preço do pão subiu, uma das causas dos confrontos de Maputo.
A partir de hoje o pão é mais caro um metical (0,02 euros), custando agora 6,5 meticais (cerca de 0,14 cêntimos).
O anúncio foi feito em Julho pela Associação Moçambicana dos Panificadores, que na altura justificou a medida com o aumento de quase 300 meticais do saco de 50 quilos da farinha de trigo, devido às restrições nas exportações da Rússia, que perdeu grandes extensões de searas por causa dos incêndios do Verão.
Num país onde o pão é considerado um alimento básico para a população urbana, apenas 22.000 toneladas de trigo são produzidas internamente.
"O consumo nacional de trigo é de 437.000 toneladas por ano, e o país produz 22.000 toneladas, o que significa um défice de cerca de 400.000 toneladas", explicou o ministro da Agricultura, Soares Nhaca, em entrevista à Rádio Moçambique.
Apesar dos protestos da população contra o aumento dos preços do pão, energia e água, que tiveram início quarta-feira da semana passada, o Governo, reunido em conselho de ministros, manteve o agravamento, apelando ao "trabalho árduo" para reduzir o custo de vida no país.
Ainda segundo os dados avançados pelo ministro, Moçambique poderá assim não alcançar as metas previstas no Plano Nacional de Produção de Alimentos aprovado em 2008, que estipula que o país reduza para metade as importações de trigo e elimine as do arroz até 2011.
Soares Nhaca referiu ainda que Moçambique também não é auto-suficiente em relação a outros produtos básicos alimentares, como a cebola (produz 68.000 das 130.000 toneladas consumidas por ano), o tomate (produz 185.000 das 276.000 toneladas consumidas anualmente) e o frango (tem 48.000 das 54.000 toneladas anuais).
"Neste momento, de acordo com as informações mais actualizadas, o país é auto-suficiente em três principais produtos, designadamente o milho, mandioca e açúcar. Conseguimos produzir estes bens mais que as nossas necessidades", acrescentou o ministro.
Os aumentos dos preços de bens essenciais provocaram confrontos na quarta e quinta-feira em Maputo, com um saldo de 13 mortos e centenas de feridos.
Os confrontos estenderam-se na sexta-feira ao Chimoio e hoje a Tete, cidades do centro do país.