09/02/10, 10:57
"O Governo de São Tomé e Príncipe desejaria muito que a Galp participasse" no processo de exploração de hidrocarbonetos, no âmbito do leilão de blocos que vai ser lançado até ao final de Março, disse Rafael Branco.
O chefe do Governo são-tomense, que falava à imprensa no final do encontro com o primeiro ministro português José Sócrates, em Lisboa, acrescentou que caberá ao novo Executivo de São Tomé que resultar das eleições legislativas negociar as adjudicações.
"Já temos todos os trabalhos preparatórios concluídos. Vamos iniciar negociações com algumas empresas que têm direitos na nossa Zona Económica Exclusiva, de maneira que quando formos ao leilão a zona estará livre de qualquer eventualidade de processo, que cria incertezas em quem participa num leilão de blocos" de prospecção petrolífera, adiantou.
Rafael Branco, que classificou o encontro com José Sócrates como "bastante produtivo", destacou como a parte "mais importante" da reunião "a disponibilidade do Governo português em apoiar São Tomé e Príncipe num projecto de energias renováveis".
"Portugal tem compromissos internacionais nesta área. São Tomé e Príncipe tem necessidades urgentes para satisfazer no domínio da energia e existem em Portugal empresas com condições tecnológicas para participar neste processo", frisou.
Ainda sobre a participação da Galp Energia na exploração de hidrocarbonetos na ZEE são-tomense, Rafael Branco disse que espera concluir todas as negociações antes de regressar, dentro de cerca de uma semana, ao seu país. "Estamos muito interessados em que rapidamente cheguemos a um acordo para definir as modalidades e condições de participação da Galp", vincou.
"Em tempos passados a Galp manifestou por diversas vezes interesse em participar no sector de petróleos de São Tomé. Infelizmente naquela altura a legislação não facilitava essa participação. Este Governo trabalhou na modificação do quadro jurídico e hoje há condições para que Galp participe", frisou Rafael Branco. "Devo ser muito claro nisto: este Governo assumiu desde o início que tinha em Portugal e Angola os dois parceiros estratégicos e isso pressupõe a cooperação entre os nossos Estados, mas também pressupõe a participação de empresas desses países no processo de desenvolvimento dos nossos recursos", acrescentou.
Relativamente ao processo eleitoral que se avizinha, e porque o presidente da República Fradique de Menezes ainda não marcou as datas para as legislativas, autárquicas e regionais, Rafael Branco reafirmou o interesse na realização "o mais rápido possível" dos escrutínios.
"Espero que até Junho, o mais tardar, seja possível realizar as eleições, para que se renove a legitimidade dos órgãos, sobretudo o órgão Governo, que precisa de uma nova legitimidade para enfrentar os enormes desafios que o país enfrenta", defendeu.
Rafael Branco chegou este fim-de-semana a Portugal para uma visita de trabalho de uma semana.


