A ponte Armando Guebuza, inaugurada no sábado, será uma das mais importantes vias terrestres do país e colocará termo ao "calvário" da travessia do rio Zambeze através de batelões, numa das regiões mais ricas de Moçambique.
A travessia do Zambeze, um dos principais rios de África, possibilita o acesso entre as regiões de Caia, na província de Sofala, e Chimuara, na Zambézia, centro, que dá acesso por estrada até ao norte do país.
Actualmente, o tráfego rodoviário sobre o rio é feito através de batelões, cujas constantes avarias tornam num pesadelo as ligações por estrada entre o norte e o sul de Moçambique, forçando, por vezes, os automobilistas a pernoitaram numa das margens por vários dias.
A ponte terá um tabuleiro de 2.376 metros de comprimento (1.666 em terra e 710 sobre o leito do rio), 16 metros de largura e quatro faixas de rodagem, mas com uma estrutura que prevê a sua duplicação.
Com a abertura da ponte Armando Guebuza, nome do Presidente moçambicano, que inaugura a obra no sábado, conclui-se um dos mais emblemáticos projectos de construção civil desde a independência de Moçambique, em 1975, a cargo de empresas portuguesas: o consórcio Soares da Costa/Mota-Engil.
A execução da ponte retoma estudos feitos no período colonial por Edgar Cardoso, conhecido engenheiro de pontes português e cujas marcas são ainda visíveis nas margens do Zambeze.
As obras de construção da ponte do rio Zambeze foram inicialmente canceladas, devido à guerra civil no país, entre as tropas afectas à FRELIMO e os rebeldes da RENAMO, de 1976 a 1992.
Orçada em 61,7 milhões de euros, a edificação da ponte conta com apoios da Suécia, Itália, Japão e da Comissão Europeia, tendo sofrido um aumento de cinco milhões de euros para colmatar os danos sofridos durante as cheias recentes na região.
Durante a construção, que empregou directamente 600 moçambicanos, o consórcio português enfrentou vários contratempos decorrentes do mau tempo.
Em três anos de edificação, a ponte do rio Zambeze resistiu às intempéries e até ao prazo, tendo o construtoras Soares da Costa/Mota-Engil antecipado para Maio a entrega da obra, um mês antes do previsto.
As cheias que em Janeiro de 2007 e 2008 assolaram o Vale do Zambeze e condicionaram fortemente os trabalhos de construção da ponte sobre o rio Zambeze, mas nunca os paralisaram por completo.
A inauguração no sábado da ponte do rio Zambeze pelo Presidente moçambicano, Armando Guebuza, é o fim do "calvário" da travessia do rio através de batelões, mas também o início de uma polémica, já iniciada na própria FRELIMO, partido no poder, dirigido pelo actual Presidente da República.
O ex-deputado da FRELIMO Amad Camal considera "falta de modéstia" a atribuição do nome Presidente moçambicano à ponte sobre o rio Zambeze.