Portugal vai continuar a apoiar "sem falhas" o Orçamento moçambicano, apesar do impasse entre o Governo de Maputo e a comunidade internacional que suporta o fundo em mais de metade, assegurou o primeiro-ministro português, José Sócrates.
"Posso assegurar que Portugal continuará, sem falhas, o apoio orçamental a Moçambique que tem vindo a realizar", disse José Sócrates no banquete oferecido pelo Presidente moçambicano, Armando Guebuza, por ocasião da vista oficial do chefe do Governo português ao país.
Os principais doadores de Moçambique, congregados no chamado G19, têm tido nos últimos tempos um diálogo difícil para com as autoridades moçambicanas, principalmente depois da exclusão de uma dezena de partidos políticos das eleições gerais de 28 de Outubro de 2009.
Na semana passada o ministro das Finanças moçambicano, Manuel Chang, considerou "infeliz" o atraso das contribuições da comunidade internacional que normalmente é feito em Janeiro, mas que, este ano, só deverá acontecer em Abril.
"Infelizmente até aqui ainda não vimos as contribuições dos doadores para o Orçamento Geral do Estado deste ano. Normalmente os desembolsos são feitos em Janeiro, mas desta vez parece que vão começar em Abril", afirmou Manuel Chang aos jornalistas.
Portugal é dos poucos doadores que continuam com um discurso cordial sobre a pertinência da comunidade internacional financiar o Orçamento Geral de Estado moçambicano, cujo montante para este ano ainda será proposto pelo Executivo à Assembleia da República.
José Sócrates reiterou a urgência do reforço de "uma boa cooperação" entre Portugal e Moçambique e apontou "a língua comum, história e cultura intensa" como a base de um "relacionamento profícuo" entre ambos os Estados.
O primeiro-ministro de Portugal lamentou contudo o facto de estes laços (a língua, História e cultura), até aqui, serem, "pouco explorados".
O presidente moçambicano assinalou o crescimento das relações entre Portugal e Moçambique, afirmando estarem "impregnadas de muita vitalidade".
"As relações de amizade e cooperação entre Moçambique e Portugal estão impregnadas de muita vitalidade e crescem em qualidade, no quotidiano, diversificando-se em cada uma das diferentes interacções que estabelecemos", disse Armando Guebuza.
O chefe de Estado moçambicano manifestou a vontade de Moçambique acolher a selecção de futebol portuguesa durante a realização do Mundial de Futebol de 2010, na África do Sul.