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Portugal negoceia venda de participação de Cahora Bassa a empresas portuguesas
África
04/03/10, 08:23
OJE/Lusa

O primeiro-ministro deverá anunciar hoje, na sua visita a Moçambique, que o Estado estará a negociar com empresas portuguesas a venda de 15% que detém na barragem de Cahora Bassa, disse fonte próxima à Lusa.


A intenção, segundo a mesma fonte, é vender a participação a empresas do sector energético, tal como a REN ou a EDP, de forma a que Portugal continue a ter uma função preponderante na barragem de Cahora Bassa e, ao mesmo tempo, "entregue" a participação a empresas conhecedoras do sector.


José Sócrates, que se desloca à barragem de Cahora Bassa, a quarta maior de África, vai também anunciar a participação portuguesa nos investimentos previstos para a barragem que passará pelo fundo de investimento luso-moçambicano, a ser hoje operacionalizado.


O fundo deverá ter uma dotação de cerca de 90 milhões de euros, conforme anunciou há dois meses o secretário de Estado do Tesouro, Carlos Costa Pina de visita a Maputo.


O fundo, disse na altura, servirá para "estreitar relações entre o sector privado empresarial português e moçambicano" e para "potenciar o investimento em áreas consideradas prioritárias, como as das energias renováveis".


O chefe de Governo, que termina a sua visita oficial a Moçambique na sexta feira, vai partir para Songo, província de Tete, onde está situada a maior barragem moçambicana, e fará uma passagem pelo monumento em honra de Samora Machel.


A barragem de Cahora Bassa foi alvo de várias discordâncias entre os dois Estados até Outubro de 2006, altura em que José Sócrates e o Presidente da República moçambicano, Armando Gebuza, assinaram um compromisso.


O acordo compreendeu a venda da participação de 82% que o Estado português detinha na empresa ao Estado moçambicano por 740 milhões de euros, ficando apenas com 15% do capital. Os restantes 85% passaram a caber ao Estado moçambicano.


Cahora Bassa é actualmente o maior produtor de eletricidade em Moçambique, com capacidade superior a 2000 megawatts, que abastece Moçambique (perto de 250MW), África do Sul (1100MW) e Zimbabué (400MW).


O Governo moçambicano está a negociar o abastecimento do Malawi com energia elétrica.


José Sócrates, naquele que será o segundo dia da visita a Moçambique, irá ainda encerrar um seminário sobre energias renováveis juntamente com o Presidente de Moçambique, Armando Guebuza, e fará a entrega do Prémio Leya ao escritor moçambicano Borges Coelho.


Manuel Alegre preside ao júri do galardão.


Ao fim do dia, haverá um jantar em honra do Presidente de Moçambique na residência do embaixador de Portugal.

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