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Preços dos bens de primeira necessidade aumentam na Guiné-Bissau, governo anuncia medidas
África
02/09/10, 12:46
OJE/Lusa

Os preços dos produtos de primeira necessidade aumentaram na Guiné-Bissau em meados de Julho, mas o governo já anunciou medidas para estabilizar a situação nos próximos 15 dias.


 

"O arroz passou de 12.000 para 14.000 francos CFA (de 18 para 21 euros)", afirma Bambo Sanhá, presidente da Associação dos Consumidores de Bens e Serviços (Acobes).


Um saco de açúcar de 50 quilogramas passou de 15.000 para 27.000 francos CFA (de 23 para 41 euros), segundo o responsável.


O presidente da Acobes apontou ainda os casos dos produtos de origem local, nomeadamente a carne e o peixe, que viram os seus preços aumentados em mais de 75%.


Por exemplo, o alho de cozinha passou, num mês, de 2.000 francos CFA/quilo para 4.500 francos (de 3 para 7 euros) e chegou mesmo a desaparecer do mercado, tal como as cebolas, segundo comerciantes locais contactados pela agência Lusa.


Questionado pela Lusa sobre os motivos deste aumento dos preços, Bambo Sanhá afirmou que os comerciantes alegam que o Executivo guineense agravou as taxas alfandegárias e aumentou os impostos sobre a venda dos produtos importados.


Esta semana o governo anunciou que os preços vão estabilizar nos próximos 15 dias, na sequência de uma ordem dada pelo primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, para os ministros das Finanças e do Comércio tomarem medidas para que os preços baixem.


O Governo considera que não há nenhuma razão para o aumento dos preços junto do consumidor.


Segundo Malam Jawara, secretário-geral do Ministério do Comércio, houve uma ruptura de stocks no país, e alguns comerciantes a aproveitaram para inflacionar os preços.


O secretário-geral do Ministério do Comércio indicou também que os comerciantes aumentaram os preços devido ao Ramadão, que começou a 10 de Agosto na Guiné-Bissau, principalmente o açúcar, produto muito consumido durante este período.


O governo reuniu-se com os operadores económicos e apelou para que importem produtos para não haver escassez de bens de primeira necessidade e anunciou também a entrada de novos operadores no mercado.


"O mercado guineense tem um problema. São seis ou sete importadores que trazem os produtos", disse, salientando que a alternativa para controlar os preços é arranjar mais importadores.


Em Moçambique o aumento do preço dos bens essenciais levou a protestos na capital, Maputo, que começaram na quarta-feira e continuam hoje. Os protestos resultaram em confrontos com a polícia, dos quais resultaram seis mortos e mais de 80 feridos, segundo o ministro da Saúde de Moçambique. No entanto, alguns meios de comunicação social moçambicanos, citando fontes policiais, davam conta, na quarta-feira ao fim do dia, de 10 mortos e 50 feridos.

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