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Presidente de Cabo Verde apela a união da sociedade e dos políticos África 02/01/12, 11:00 OJE/LusaO Presidente cabo-verdiano considerou que o desemprego, a violência e a insegurança nas cidades, bem como a morosidade na justiça são grandes preocupações dos cabo-verdianos. Na sua primeira mensagem de ano novo na qualidade de Chefe de Estado, Jorge Carlos Fonseca disse que o país vai começar 2012 com um "caderno repleto de preocupações" e apelou aos cabo-verdianos a enfrentá-lo com a mesma "garra e determinação de sempre". Ciente das dificuldades que esperam os cabo-verdianos, num país "vulnerável e frágil", o Presidente da República apelou à criatividade, com vista a acelerar o passo para que os problemas não se agudizem. "Neste processo precisamos estar todos envolvidos", sublinhou acrescentando que compete ao Governo "agir para resolver os problemas de fundo da sociedade". O chefe de Estado mostrou-se consciente das "divergências e das fracturas" existentes na esfera política e social em Cabo Verde, mas pediu a união dos partidos políticos para enfrentar as dificuldades que a crise mundial "exige de todos".
"Não pretendo sugerir que as forças políticas ponham de lado as suas diferenças fundamentais. Seria o mesmo que pedir o fim do regime de democracia por que os cabo-verdianos optaram viver. Mas acredito que é possível um esforço sério de aproximação deve ser feita em matérias de alto interesse nacional", afirmou. Uma das áreas, prossegue o Presidente, onde o interesse nacional deve sobrepor-se a todos os outros, no ano de 2012, é o do combate à violência e à insegurança. O povo das ilhas precisa de um ambiente de paz e tranquilidade sociais e isso será um recurso que tem de ser disponibilizado. Uma sociedade com o nível de violência que actualmente se regista em Cabo Verde "não pode ser considerada uma sociedade sã", garantiu. Jorge Carlos Fonseca reconheceu que o governo tem desenvolvido "esforços meritórios" no combate à criminalidade, mas defende que é preciso ir-se mais longe e envolver outras forças políticas e a sociedade civil na definição de uma estratégia nacional de combate a todo o tipo de violência. "Temos que mostrar, convencer que a violência não é necessária e que será combatida", argumentou. A luta contra a corrupção e o enriquecimento ilícito é apontada pelo chefe de Estado como uma das áreas que exige a concertação política e o envolvimento da sociedade civil.
Na sua mensagem de Ano Novo, Jorge Carlos Fonseca fez saber aos cabo-verdianos que no ano que vai começar se impõe um "amplo e descomplexado" debate sobre a descentralização. "Tivemos, há vinte anos atrás, um processo de descentralização administrativa que tem dado, reconhecidamente, os seus frutos. Hoje se sente uma forte movimentação no sentido do aprofundamento da descentralização, acompanhada dos necessários recursos", avaliou. "Todas as possibilidades que, de há anos a esta parte, vêm sendo aventadas, devem ser postas em cima da mesa para discussão e subsequente assumpção da solução mais consensual e que assegure a realização adequada do interesse nacional e das aspirações", disse. Para o Presidente da República, a morosidade da Justiça é outra questão central a ser resolvida, sendo que, segundo ele, o diagnóstico está feito e o que urge é a adopção "corajosa" das soluções. Entre estas apontou a necessidade de uma maior capacitação técnica de todos os agentes da justiça, bem como a criação de "verdadeiros e autónomos" serviços de inspecção extensiva a todo o sistema, além de outros mecanismos de responsabilização do sistema no seu todo. À juventude cabo-verdiana lançou um apelo no sentido de colocar a sua "inteligência, criatividade e irreverência ao serviço da Nação". "O país precisa de vós como agentes de mudança para que possamos nos desembaraçar das teias geradoras do subdesenvolvimento", declarou.

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