Captação de investimento directo estrangeiro caiu para metade e destinos substituem países, diz a E&Y Destaque 06/12/11, 09:06OJE/Lusa A captação de IDE (Investimento Directo Estrangeiro) em 2010 caiu 46% relativamente ao período homólogo e foi o pior dos últimos seis anos, avança a consultora Ernst & Young no trabalho "E&Y Portugueses Attractiveness Survey 2011", que resultou de entrevistas a gestores. Portugal tem de apostar nas cidades e redes para atrair mais Investimento Directo Estrangeiro, concluiu a E&Y num trabalho sobre atractividade do país a para investimento externo. Num mundo cada vez mais policêntrico, onde a redução da carga fiscal e dos custos de trabalho são dois objectivos a não perder de vista para a sustentação da retoma económica, o "Ernst & Young Portuguese Attractiveness Survey 2011" revela que Portugal teve um desempenho modesto em 2010 na captação de Investimento Directo Estrangeiro (IDE). "Os destinos mais do que os países, concorrem pela captação do investimento", afirmam os analistas. Adianta-se no estudo que a qualidade das infra-estruturas urbanas e a capacidade de "integrar os centros históricos em população multiculturais" os factores que devem ser "capitalizados" para transformar as cidades em "hubs de inovação e talento". A Ernst & Young é acertiva ao ponto de afirmar que, se se considerarem15 cidades onde poderá surgir a próxima Microsoft ou a Google, a Europa apenas consegue colocar cinco cidades nesse ranking. Com os dados a demonstrarem que a captação de IDE não ultrapassou os 1,1 mil milhões de euros em 2010, o que traduz uma quebra de 46% face a 2009 e o valor mais baixo desde 2004, Portugal justifica este desempenho com a ausência de crescimento económico, o aumento de impostos e os níveis elevados de dívida pública. O abrandamento na capacidade de atrair e reter IDE não foi exclusivo de Portugal. A União Europeia captou menos 12% (de 347 mil milhões de dólares em 2009 passou para 305 mil milhões de dólares em 2010), sendo de destacar o desempenho negativo de economias como a italiana (menos 53%) ou Reino Unido (menos 35%). Na agenda dos investidores estiveram países como os EUA (43,3%) ou o do Brasil, que captaram mais 43,3% e 16,3% de IDE, respectivamente. Portugal prejudicado O rating da República está a penalizar a captação de investimento, afirmam os analistas. A ausência de crescimento económico, o aumento de impostos e os níveis elevados de dívida pública são factores que explicam o modesto desempenho na captação de IDE para Portugal. Contudo, a deterioração do rating da República levou a que muitos investimentos tivessem sido abortados, sobretudo ao nível de Fusões & Aquisições. Aliás, a deterioração do rating da República é apontado por 60% dos inquiridos como "negativa" para a captação de IDE. O mau desempenho de Portugal está ligado ao desinvestimento ocorrido nos sectores da construção e nas indústrias transformadoras. A E&Y faz ainda um exercício interessante para reduzir um dos maiores flagelos do momento, e que é o desemprego. Afirma, no trabalho, que, tendo o país 350 mil PME, se cada uma delas criar um posto de trabalho, existirão mais 350 mil empregos, ou seja, metade do desemprego registado. Em contraste, se se apostasse nas 1200 grandes empresas que tem o país, seria necessário que cada uma criasse 292 novos postos de trabalho para se obter o mesmo efeito. Turismo impulsiona cluster aeronáutico Inverter a situação e rumar para o crescimento por via de estímulos à economia é o passo seguinte. Incentivos que, de acordo com os 207 entrevistados, devem ser dados através de: apoio a PME (33%), redução da carga fiscal (31%), apoio às indústrias de alta tecnologia e inovação (24%), facilitar o acesso ao crédito (19%), investimento em projectos de infra-estruturas de natureza urbana (13%), fortalecimento da ligação entre as universidades nacionais e as estrangeiras de renome (12%). Com as sugestões apontadas pelos entrevistados da E&Y, em consonância com a agenda de medidas estruturais preconizada pelo programa de Assistência Financeira a Portugal, torna-se prioritário para o país e para a Europa de uma forma geral a suavização das obrigações fiscais, concluem os analistas. Por outro lado, ainda que em época de cortes na despesa pública, é necessário Portugal não perder de vista o investimento qualitativo na educação, enquanto factor estratégico de melhoria do stock de capital humano. Curiosamente, a reforma do sistema judicial é apontada por 11% dos entrevistados, enquanto a revisão das leis laborais apenas é referida por 2%. Neste aspecto, os principais constrangimentos do ambiente de negócios (fiscalidade, sistema judicial, excessiva burocracia administrativa) mantêm-se como fortes inibidores de captação de investimento. De acordo com o "Ernst & Young Portuguese Attractiveness Survey 2011", os sectores que poderão atrair mais IDE são: turismo, tecnologias de informação, energia e utilities, e actividades relacionadas com o mar. O estudo destaca o caso particular do sector geológico no sub-segmento dos recursos metálicos, no que respeita à concretização de investimento a curto-prazo. ![]() ![]() ![]() 16/05/12, 00:45 Pressão demográfica asfixia proteção socialO envelhecimento da população e a recessão tornam a Segurança Social como a conhecemos insustentável a médio02/05/12, 00:43 Arquipélago da Madeira: Pequenas Ilhas Grandes ExperiênciasNão há muitos pedaços de terra no Mundo que tenham tanto para oferecer em tão pouco espaço. Mas o arquipélago24/04/12, 01:02 O touro com comportamento de ursoEspanha está a um passo de pedir assistência internacional. Os mercados apostam nesse cenário. Políticos
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