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Fernando Ulrich diz que resgate “está mal concebido”
Destaque
23/09/11, 01:00
OJE

Em entrevista, Fernando Ulrich, CEO do BPI, tece duras críticas à "insistência do FMI" na capitalização dos bancos: "É desastrosa, sem suporte técnico e não contribui em nada para melhorar a situação da economia mundial"

 
A insistência do Fundo Monetário Internacional (FMI) para que os bancos europeus reforcem mais os seus capitais é errada e está a ter efeitos muito negativos para todo o sistema financeiro internacional, incluindo bancos de grande dimensão e considerados fortes, disse Fernando Ulrich, CEO do BPI, terceiro maior banco cotado de Portugal.

Fernando Ulrich adiantou que não consegue ver qual a relação entre o reforço de capital dos bancos e a melhoria das condições de financiamento da economia, frisando: "Até acho que funciona exactamente ao contrário - os bancos europeus já reforçaram os seus capitais de forma muito significativa nos últimos anos".

"Estas intervenções que têm vindo a ser feitas por algumas instituições internacionais, e em particular pelo FMI, são erradas, absolutamente lamentáveis e estão a ter consequências muito negativas para o sistema financeiro internacional, incluindo de países fortes e bancos muito grandes e considerados fortes", disse o CEO do BPI, em entrevista à Reuters.

Acrescentou que "a insistência do FMI é desastrosa, não tem nenhum suporte técnico e não contribui em nada para melhorar a situação da economia mundial".

Fernando Ulrich não quis comentar idêntica pressão das autoridades portuguesas no reforço do capital dos bancos, até porque, "estando Portugal no âmbito de um bailout, as suas opiniões estão condicionadas".

"Se calhar essas opiniões, em grande parte, destinam-se a agradar às instituições internacionais", afirmou.

O BPI é um dos bancos mais capitalizados da Península Ibérica, tendo tido, no final do primeiro semestre, um core Tier 1 de 9,2%, acima da meta que a troika definiu para a banca portuguesa no fim deste ano.

Portugal está sob um resgate de 78 mil milhões de euros (ME) da União Europeia (UE) e do FMI, que contém uma linha de recapitalização da banca nacional de 12 mil ME, caso haja bancos necessitem da ajuda temporária do Estado para reforçar o seu capital, pois o core-Tier 1 tem de alcançar os 10% em 2012. O bailout prevê ainda uma linha de 35 mil ME de garantias estatais para os bancos emitirem dívida.

"Do ponto de vista do BPI, à data de hoje, estamos bem (em capital), mas, obviamente, não somos imunes a todo este clima internacional, e daí termos de estar preocupados com estas intervenções altamente negativas do FMI", destacou.

"Se houver necessidade ou interesse do BPI em aumentar o capital, esse é um tema que terá de ser, na altura própria, discutido nos órgãos próprios do banco e com os accionistas do banco. Mas, neste momento, não estamos nessa situação", disse.
 

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