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Mercados estão irracionais na Zona Euro
Destaque
24/11/11, 09:01
Por Vítor Norinha, em Londres

"Há um elemento de irracionalidade nos mercados financeiros". A afirmação é de Rory Bateman, responsável da área de European Equities, da Schroders, e também de Keith Wade, o economista-chefe da mesma casa. O mercado da Zona Euro estará globalmente negativo em 2012, mas a vertente de empresas poderá salvar alguns dos investimentos.

 
Imprimir dinheiro pode ser uma primeira fase para a saída da crise da dívida soberana na Zona Euro, mas não é a solução de médio prazo, afirmou Keith Wade, econonista-chefe da Schroders. A Europa tem de trabalhar bem o FEEF, o fundo de estabilização financeira, dotá-lo de meios, permitir o acesso do FMI aos fundos do BCE e preparar-se para grandes resgates, nomeadamente com a Itália.

A perspectiva de Londres daquilo que está a acontecer na Zona Euro não poderia ser mais negativa. A chanceler Merkel tem o controlo da situação e os mercados estão a seguir as suas afirmações. A negociação com a Alemanha é difícil, mas não é por falta de rapidez. Aliás, Rory Bateman, o responsável da área de European Equities, explica que a política "até é rápida quando quer" e deu o exemplo da saída de Papandreu e Berlusconi. No entanto, a Alemanha tem um objectivo nítido, que é a união política, e isso começa com a consolidação orçamental e fiscal. Irá "esticar a corda" até poder e, no fim, cederá, até porque a Zona Euro representa 70% das suas exportações.

Bateman antecipou, na conferência anual da Schroders com os media, que deverá ocorrer uma "recessão mais profunda no próximo ano e alguns países cairão". A nível de acções dos países periféricos, consideram que "os resultados vão cair e isso terá impacto nas acções". Aquele gestor insiste na "irracionalidade dos mercados", quando se está numa zona económica que é globalmente superavitária, mas em que as acções caem "dramaticamente", com destaque para a banca, com depreciações incompreensíveis e quando o "pricing stock" não reflecte a situação macro. Questiona-se porque é que tudo acontece na Zona Euro e no mercado norte-americano não.

A sua antecipação, em termos macro, vai no sentido de uma queda no crescimento do PIB da ordem dos 3% em 2012 para a média europeia, destacando-se a queda na Alemanha, e confirma que será este o país a sofrer o impacto mais violento, caso economias como as ibéricas e a italiana registem quedas de 5%.
 

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