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Compra de dívida pública divide Banco Central Europeu
Economia
05/08/10, 09:44
OJE/Lusa

O programa de compra de dívida pública por parte do Banco Central Europeu (BCE) tem dividido o conselho de Governadores, com alguns a exigir o fim da medida e outros a tentar mantê-la.

 

A verdade é que o valor gasto pelo BCE na compra de títulos de dívida tem caído progressivamente, atingindo os 81 milhões de euros na semana passada, quando a primeira compra chegou aos 16,5 mil milhões de euros.

 
O lançamento a 10 de Maio do Securities Market Programme (SMP) foi uma decisão inédita na história do BCE, numa altura em que a crise das dívidas soberanas atingia o seu pique e não reuniu consenso entre o próprio conselho de governadores.

 
Os economistas chefe dos bancos não acreditam no final do programa, apesar da redução drástica no volume de compras semanal.

 
"Não creio que o BCE considere o plano completo, mas antes reduzirá a sua intervenção ao mínimo, ficando com espaço de manobra para intervir novamente se as tensões regressarem aos mercados", diz Rui Constantino, do Santander Totta.

 
Rui Serra, economista chefe do Montepio Geral, considera também que esta redução não significa necessariamente o final do SMP, mas ao invés, pode significar "um guardar de munições, caso a ‘guerra' recomece".

 
O Governador do Banco Central da Áustria já veio a público defender isso mesmo. Ewald Nowotny defende que o BCE deve manter a opção de comprar títulos de dívida soberana em aberto, como medida de segurança. "Como os dados mostram, o programa para compras títulos de dívida foi reduzido a mais ou menos zero. Claro que faz sentido manter a opção em aberto como medida de segurança, mas tecnicamente não está activa agora".

 
Mas dentro do BCE, as mesmas vozes que discordaram da iniciativa desde o seu lançamento, já vieram a público defender o seu fim. Juergen Stark, um dos quatro membros do conselho executivo do BCE, defendeu ainda no mês passado que se os mercados continuarem a melhorar, o Banco Central deve terminar o programa.

 
"Sempre dissemos que esta era uma medida temporária, tal e qual outras medidas não convencionais. Estamos a monitorizar a situação e, se continuar a melhorar, não há razão para continuar com o programa" disse o conselheiro.

 
Juergen Stark foi, a par de Axel Weber, governador do Banco Central da Alemanha (apontado como o mais provável sucessor de Jean-Claude Trichet na presidência do BCE), um dos mais críticos do programa, mesmo em público.

 
O SMP foi criado com o objectivo de comprar dívida pública de países em maiores dificuldades no mercado secundário, para ajudar a estabilizar os mercados financeiros numa altura em que os custos de financiamento (juros associados aos títulos de dívida pública) e o risco de incumprimento (medido pelo custo dos credit default swaps) atingiriam níveis historicamente altos.

 
O Banco Central Europeu diz apenas que não há ainda data anunciada para o fim do programa.

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