Portugal caiu uma posição ao nível da inovação em 2011, passando a ocupar, entre 52 países, o 30.º lugar e sendo considerado "um país cigarra" ao não concretizar o potencial em resultados concretos com impacto económico-social.
De acordo com o barómetro de Inovação da Cotec relativo a 2011, hoje divulgado, Portugal desce uma posição face a 2010, tendo sido considerado "um país cigarra" por "ter recursos e condições disponíveis para promover a inovação", mas não conseguir concretizá-los com resultados no crescimento económico-social.
Para o secretário-geral da Cotec Portugal, Daniel Bessa, o principal problema que se coloca ao país "não está nas condições e nos recursos", mas na "falta de eficiência". Uma situação contrária ao que se passa na China, por exemplo, que é considerado um país "formiga", pois tem resultados concretos e possui menos recursos e condições ao nível da inovação.
A Suíça, Dinamarca e a Finlândia lideram o ranking dos países do barómetro da Inovação Cotec Portugal - Associação Empresarial para a Inovação. No final da lista surge a Venezuela, Equador, Paraguai, Bolívia e a Turquia. O Reino Unido, Alemanha e EUA completam o conjunto dos países considerados mais inovadores.
"Face aos países líderes em inovação, o diferencial verificado entre os desempenhos destas nações e Portugal é considerável, nomeadamente nas vertentes dos processos e resultados", observando-se uma maior proximidade nas áreas de condições e recursos [em inovação]", segundo Daniel Bessa.
Se em termos de ranking global Portugal é batido de perto pelos países de Leste (Estónia, República Checa, Eslováquia e Hungria), no entanto, está à frente dos Estados do Sul da Europa, a Espanha, Itália e a Grécia.
"Somos [portanto] um país desperdiçador, pois revelamos um défice concretização. Temos dificuldade em exportar bens de alta tecnologia e criar emprego qualificado e bem remunerado", justificou o economista.
Já a Suíça é considerada um país "abelha", uma vez que apresenta valores médios elevados para ambos os conjuntos de dimensões: condições, recursos, processos e resultados.
O Brasil, por seu lado, é tido como um país "caracol", já que apresenta valores médios baixos em relação àquelas variáveis.
Contudo, "Portugal surge bem posicionado a nível institucional, do financiamento e das tecnologias da informação (infraestruturas e utilização)".
Pela negativa, os problemas em termos de inovação estão ao nível do capital humano, da aplicação de conhecimentos e dos impactos económicos.
Entre os países BRIC (Brasil, China, Índia, e Rússia), Portugal revela um desempenho superior global, com exceção da China.
O Barómetro de Inovação Cotec, elaborado em parceria com a Everis, disponibiliza informações sobre a inovação no país, através da divulgação de indicadores e estatísticas de investigação.