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Crise "não afectou significativamente" sector da pesca, diz Secretário de Estado
Economia
15/07/10, 15:05
OJE/Lusa

Luís Vieira, secretário de Estado das Pescas e da Agricultura, afirmou hoje que a crise não afectou significativamente o sector da pesca e considerou mesmo que tem havido uma "valorização do pescado", reconhecendo contudo haver algumas "dificuldades".

 

"Temos de reconhecer de facto que há dificuldades, não as nego, mas também assistimos a uma valorização do pescado, nomeadamente a pesca de sardinha, que nos últimos anos tem melhorado quer em termos de preço, quer em termos de rendimento", disse hoje em declarações à Lusa Luís Vieira.

 
"Por outro lado temos assistido a um reforço das organizações de produtores que permitem também uma melhor valorização desse mesmo pescado", acrescentou o governante.

 
A "pesca longínqua", nomeadamente de palmeta ou red fish, e a pesca de cerco, como é o caso da sardinha, foram destacadas como áreas em que tem havido uma "melhoria do rendimento do pescado" nos últimos dois anos.

 
O secretário de Estado das Pescas e da Agricultura falava em Sines, à margem da assinatura de um contrato de financiamento para um projecto de aquacultura a desenvolver na costa alentejana, uma das apostas do Governo para os próximos anos.

 
"O Governo definiu como um dos objectivos estratégicos a aquacultura", método pelo qual pretende "quintuplicar" a produção até 2015, o que implica o incentivo a "um conjunto de investimentos", lembrou, defendendo que "é cada mais necessário ajustar o esforço de pesca à sustentabilidade dos recursos".

 
A aposta neste sector, explicou, é "uma forma de suprir" a falha que diz haver entre a oferta e a procura.

 
O contrato de financiamento assinado hoje com a empresa Aquamar prevê o desenvolvimento de um projecto de aquacultura offshore, para a produção de corvina e peixes planos, como linguado e pregado. "São peixes que estão menos expostos à concorrência internacional", disse, explicando que a concorrência "se situa mais no robalo e na dourada", pelo que a intenção é diversificar a produção no sentido de "criar mais valor para o sector".

 
O projecto da empresa Aquamar envolve as áreas de reprodução, nutrição e cultivo, num investimento que ronda os dois milhões de euros e que conta com uma comparticipação na ordem dos 1,5 millhões de euros de fundos nacionais e comunitários.

 
A empresa, que produz actualmente cerca de 95 toneladas de peixe, vai passar a poder produzir, em velocidade cruzeiro, cerca de 1.000 toneladas, revelou Luís Vieira, lembrando que a aquacultura "está em crescimento em todo o mundo" representando no mercado mundial 50% da oferta de pescado.

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