Dois terços do peixe consumido em Portugal são importados, com o défice da balança comercial a atingir cerca de 350 mil toneladas em 2009, no valor de 740 milhões de euros.
Os números foram hoje divulgados no lançamento da campanha "Pescado Controlado", que juntou seis associações ligadas ao sector das pescas, transformação e comercialização de peixe, numa iniciativa que pretende sensibilizar o consumidor para a sustentabilidade do pescado vendido em Portugal.
Segundo Pedro Silva, da Associação dos Armadores das Pescas Industriais (ADAPI), no ano passado, Portugal importou o equivalente a 1,3 mil milhões de euros de peixe e exportou apenas 560 milhões de euros.
Apesar de tudo as exportações têm aumentado, graças à desvalorização do euro.
"Temos melhores preços lá fora", admitiu Pedro Silva.
Isabel Tato, directora do departamento técnico e cientifico da Associação Nacional dos Industriais de Conservas, adiantou que das oito principais espécies capturadas no continente (sardinha, cavala/sarda, carapau, polvo, berbigão, peixe-espada preto, faneca e carapau negrão), que representam cerca de 80% do total dos desembarques, nenhuma apresenta sinais de captura excessiva e, por regra, as quotas não são esgotadas.
O presidente da ADAPI justificou que as quotas atribuídas nem sempre são esgotadas, quer devido à abundância de algumas espécies, quer porque Portugal não tem navios suficientes "porque a frota tem sido desmantelada".
O sector das pescas representa um efeito total no produto interno bruto (PIB) português superior a 2,5 mil milhões de euros e emprega mais de 90.000 pessoas, de acordo com as estatísticas divulgadas pela fileira do pescado.
Os portugueses estão entre os principais consumidores de peixe a nível mundial, com uma média anual de 57 quilos de peixe por pessoa, ficando apenas atrás do Japão e da Islândia.
Isabel Tato acrescentou que apesar do consumo de peixe ter crescido nos últimos anos, as capturas têm-se mantido estáveis, graças à produção em aquicultura.
Os dados da Organização das Nações Unidas para e Agricultura e Alimentação (FAO) indicam que nos últimos 20 anos o volume de capturas permaneceu estável, nos 90 milhões de toneladas/ano, apesar do consumo de pescado por pessoa ter aumentado 70% nos últimos 40 anos.