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Espanha enfrenta problemas insustentáveis e passa a "irmão pobre da Europa", diz a The Economist
Economia
27/11/09, 07:22
OJE/Lusa

A Espanha está a enfrentar problemas económicos insustentáveis e converteu-se no novo "irmão pobre da Europa", segundo um artigo sobre a conjuntura económica actual do país publicado na última edição da revista "The Economist".

 
A revista considera que nenhum outro país europeu sofreu tão severamente a crise económica do último ano e que a evidência mais clara disso é que a taxa de desemprego em Espanha alcançou os 19%, a segunda mais elevada da União Europeia (UE), depois da Letónia.

 
Estes dados, considera a revista, reflectem "uma ressaca estrutural num país que se embriagou de tijolos e argamassa antes de explodir a bolha imobiliária em 2007".

 
"Espanha chegou à recessão numa posição debilitada. Enquanto os outros vão recuperar lentamente, o país vai precisar de mais tempo e cuidados. Até os mais optimistas atrasam as expectativas de uma recuperação total até 2011", afirma a análise da publicação económica.

 
O artigo refere ainda a "aversão ao pessimismo" do presidente do governo espanhol, José Luís Rodriguéz Zapatero, que declarou que a recuperação começou, e recorda que "a credibilidade do presidente espanhol ficou marcada à medida que se negava a admitir os problemas que Espanha enfrentava".

 
"Apesar disto, (Zapatero) continua a pensar que pode encaminhar o país para o crescimento. Esta semana, o governo espanhol tinha pensado apresentar uma nova proposta de legislação de economia sustentável, uma estratégia que se alargaria até 2020. Mas a lei vai basear-se em grande medida em boas intenções e falta de medidas duras", lê-se no artigo.

 
A revista "The Economist" prevê que esta lei inclua temas como as energias renováveis e uma liberalização modesta mas espera que deixe de fora iniciativas como a reforma do mercado laboral "para agradar os amigos sindicalistas de Zapatero".

 
Refere-se ainda que "o duplo mercado laboral de Espanha é ineficaz e ao mesmo tempo injusto", uma vez que "metade dos trabalhadores têm contratos indefinidos que fazem com que seja difícil (e dispendioso) despedi-los. O resto da força laboral passa por contratos de prestação de serviços, subsídios de desemprego e mercado negro".

 
A revista aponta que o sistema espanhol é "negativo para a produtividade", porque "os trabalhadores ineficientes com contrato indefinido estão protegidos", enquanto "não há incentivos para formar os trabalhadores jovens ou temporários".

 
"É possível que se produza um novo aumento do desemprego por parte das empresas mais pequenas por causa das leis laborais e da falta de crédito. Muitas destas pequenas e médias empresas correm risco de quebra devido ao proteccionismo de empregados indefinidos e à flexibilidade limitada das folhas de pagamento", acrescenta o artigo.

 
Além disso, "o desemprego em si mesmo é um factor negativo" porque "custa dinheiro ao Estado, em impostos perdidos e benefícios extra", o que se traduz em "morosidade sobre os empréstimos e maior controlo sobre o consumo particular".

 
Alvo de críticas é também a vice-presidente económica do governo espanhol, Elena Salgado, por "travar a expansão fiscal para o próximo ano", com a decisão de subir os impostos e reduzir a despesa pública.

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