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Fitch corta rating da Grécia e diz que incumprimento pode estar para breve
Economia
22/02/12, 15:17
OJE/Lusa

A agência de notação financeira Fitch cortou o rating da Grécia em dois níveis, de CCC para C, penúltimo nível da escala, e considera ser muito provável o incumprimento do país em breve no pagamento da sua dívida.
 
"A Fitch considera que a proposta para reduzir a dívida pública grega através da troca de títulos com os investidores privados irá, se finalizada, constituir um default [incumprimento] para efeitos de rating, e irá resultar na colocação dos ratings individuais do país em ‘incumprimento restrito' até ser finalizado", afirma em comunicado.
 
A agência já havia avisado, por várias vezes, que a intenção manifestada de chegar a acordo com os investidores privados para que estes assumissem perdas nos títulos gregos seria considerada incumprimento pela Fitch. Acrescenta que toma esta decisão na sequência do comunicado do Eurogrupo sobre o segundo programa de resgate à Grécia, que irá incluir um novo financiamento ao país, desta vez de 130 mil milhões de euros, que inclui o envolvimento do setor privado e os subsequentes anúncios do Governo grego sobre os termos desse envolvimento privado.
 
O acordo prevê um corte nominal no valor facial dos títulos de dívida grega na ordem dos 53,5% e impõe ainda‘Collective Action Clauses (cláusulas nos contratos das Obrigações que podem impor novas alterações aos termos do pagamento dessa dívida, abrindo a porta a mais perdas dos investidores).
 
A agência de rating diz que pouco depois de os novos títulos serem emitidos (para fazer a troca com as Obrigações que os investidores têm atualmente na sua posse), a nota do país irá passar para Restricted Default (incumprimento restrito) e considera que a imposição dessas novas cláusulas uma alteração material adversa desses contratos, e que esta troca de dívida sobre os investidores é coerciva.
 
A qualificação das agências de notação financeira da dívida grega como incumprimento e da reestruturação com envolvimento (e acordo) dos privados como coerciva poderá desencadear o pagamento de alguns seguros contra incumprimento da dívida grega (os credit default swaps), dependendo da estrutura de cada contrato.
 
A reestruturação em si, como tem acordo dos investidores privados, é considerada voluntária e não resulta no pagamento destes seguros, segundo a organização norte-americana que serve de árbitro no mercado dos derivados, a ISDA, mas a opinião das agências pode desbloquear o pagamento de alguns destes credit default swaps a quem comprou proteção contra o incumprimento da dívida grega.
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