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Governo de Espanha divulga hoje planos para o setor financeiro
Economia
02/02/12, 11:23
OJE/Lusa

O setor financeiro espanhol conhecerá hoje, um dia mais cedo do que o previsto, os ambiciosos planos de reforma com que o executivo espanhol espera reconfigurar e sanear os bancos e caixas de aforro espanhóis.  
 
 

Dados dos planos de reforma do Governo deveriam ser divulgados, inicialmente, depois da reunião do Conselho de Ministros de sexta-feira - em que devem ser aprovados - mas o ministro da Economia, Luis de Guindos, antecipou para hoje a apresentação das propostas.
 
Vários elementos da agenda do Governo para o setor começaram já a ser filtrados, com grande parte do esforço do setor a ser direcionado para lidar com o peso do setor imobiliário nos ativos da banca de Espanha.
 
O próprio De Guindos estimou recentemente, numa entrevista ao Finantial Times, que o setor espanhol poderá ter que sanear ativos imobiliários avaliados em cerca de 50 mil milhões de euros.
 
No entanto as contas mais atualizadas sugerem que o Governo obrigará a banca a aumentar provisões - várias entidades já o têm estado a fazer - para responder aos ativos mais problemáticos, tanto em casas e escritórios como em solo e que se estima possam ascender a 175 mil milhões de euros.
 
Contas do setor sugerem que as provisões totais para este componente dos ativos ascendem a apenas 35% do total, estando em aberto qual o nível adicional de provisões que será necessário e como se determinará, medindo o valor ‘tóxico' que varia de ativo para ativo e de entidade para entidade.
 
Um dos problemas mais bicudos é o do ‘solo', ou seja, terrenos que estão registados como ativos em muitos balanços de bancos - como garantias de empréstimos - mas que, porque são reavaliados a prazos mais amplos que as casas, estão ainda, em muitos casos, com valores atribuídos pré-crise.
 
Estes solos estão classificados como urbanizáveis mas cujo valor é condicionado, naturalmente, pela forte queda no setor imobiliário.
 
Analistas sugerem que neste caso o Governo exigirá provisões pelo valor de 60% dos ativos de terrenos, valor que baixa para 50% em caso de casas e projetos não acabados e para 40% em casas já terminadas, novas ou em segunda mão.
 
O Governo estudou também o nível de provisões para os restantes créditos imobiliários que não são considerados problemáticos e que, segundo contas divulgadas pela imprensa espanhola, ascendiam a 162 mil milhões de euros.
 
Aprovar essa medida, como notava hoje a agência Efe, poderia sugerir que o Governo estima que alguns desses créditos poderiam cair no grupo dos problemáticos, ou do crédito malparado, devido ao agravamento da conjuntura económica.
 
Por saber está também o prazo que será dado à banca para concretizar essas provisões e que percentagem pode ser ‘carregada' nos resultados e quanta no capital.
 
Várias entidades financeiras, com destaque para o Santander, aceleraram já em 2011, como se reflete nas suas contas, as provisões para esta questão.
 
Como objetivo central estará igualmente um novo processo de fusões, compras ou alianças no setor que ficaria, quando o processo está concluído, com menos entidades mas de maior dimensão.
 
Uma primeira onda de fusões, concluída no âmbito da reforma levada a cabo pelo anterior Governo, já resultou na fusão de várias caixas de aforro mas analistas admitem que o mercado vai ser ainda mais ajustado.
 
Especialmente porque há várias entidades, alvo de intervenção do Estado - Banco de Valência, CatalunyaCaixa ou Unnim, por exemplo - que serão vendidas no mercado.
 
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